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SESSÃO DE 25 DE JUNHO DE 1885 2597

lhe acaba de ser communicada e applaude o esforço e dedicação dos nossos illustres exploradores os srs. Capello e Ivens, convidando o governo a communicar-lhes este voto de applauso.= Luiz de Lencastre = Sousa Machado = Luciano Cordeiro.

O sr. Consiglieri Pedroso: - Sr. presidente, acamara ouviu o sr. ministro da marinha pedir para que na acta se consignasse um voto de congratulação e jubilo, pelos relevantes serviços, que acabam de prestar ao nome portuguez, dois briosos officiaes da nossa marinha de guerra, os srs. Capello e Ivens.
O sr. Barros Gomes, por parte da opposição progressista, associou-se já a este voto. Cabe-me a vez, em nome da opposição republicana d'esta camara, de calorosamente secundar as palavras do sr. Pinheiro Chagas, pois quando se trata de glorias da patria não ha, não póde haver, distincção de partidos. (Muitos apoiados.) Todos somos portuguezes! (Apoiados.)
Tanto mais calorosamente, sr. presidente, eu me associo a esta manifestação, quanto é certo que, no meio dos males que affligem o nosso paiz, no meio da decadencia das nossas instituições e do ruir da maior parte das nossas glorias, é ainda a marinha nacional, uma das forças mais vivas do paiz, uma das que mais dignamente sabe conservar as velhas recordações e os brios tradicionaes do Portugal de outrora! (Muitos apoiados.)
Os galões dos nossos valentes officiaes de marinha representam, a par de uma grande honra e de uma merecida recompensa ao valor militar e ao saber, um acrisolado patriotismo, que lhes inspira os actos de nobre heroismo e sacrificio, que por toda a parte onde fluctua a bandeira portugueza exaltam o nome respeitado e querido da nossa armada! (Apoiados.)
Faço, por isso, os mais sinceros votos para que os illustres exploradores regressem á Europa a salvo da sua arrojada empreza, e oxalá que a camara tenha muitas occasiões de se rejubilar por haver recebido noticias d'esta natureza.
Vozes:- Muito bem.
O sr. Presidente:- Á vista dos apoiados de todos os lados da camara, parece-me que não será necessario consultal-a a este respeito. Serão lançados na acta os votos a que se referiram os srs. ministros da marinha e Luiz de Lencastre. (Apoiados.)
O sr. Ferreira de Almeida: - Tendo pedido a palavra para mandar para a mesa um requerimento, filicito-me por ter occasião de agradecer as amaveis referencias feitas pelo sr. Consiglieri Pedroso á marinha portugueza a que tenho a honra de pertencer, e ao mesmo tempo fazer votos para que o enthusiasmo com que a camara recebeu a noticia da chegada de Capello e Ivens a Moçambique se traduza mais tarde para estes benemeritos servidores do paiz no voto de uma remuneração condigna com os serviços prestados, e a que tão legitimamente têem direito, e que se não levantem os embaraços que se suscitaram pela primeira vez.
Sinto profundamente não ter auctoridade para propor qualquer distincção áquelles cavalheiros, e se o governo entender dever conferir-lhes um posto de accesso, pela minha parte, apesar de ficar lesado, sou o primeiro a declarar desde já que dou o meu voto a qualquer proposta n'esse sentido, porque, tanto os serviços já conhecidos, como os que acabam de prestar, só pela sua significação e opportunidade devem merecer o applauso publico e a condigna remuneração em honras e beneficios. (Apoiados.)
O sr. Luiz José Dias: - Ainda ha poucos dias foi organisado o cordão sanitario e já os povos se queixam dos empregados do cordão sanitario que prohibem a pesca em todo o rio Minho.
Não sei se esta medida foi tomada pelo governo, ou se pelos empregados do cordão.
Eu entendo que é prejudicialissima aos povos d'aquella localidade, e, portanto, peço a attenção do governo para este ponto, e renovo o pedido que fiz na sessão passada para se estabelecer postos de desinfecção em Monsão e Melgaço.

hamo tambem a attenção do governo para o facto da importação de peixe e gado, porque áquelles povos não podem prescindir d'aquella importação.
O sr. Ministro da Marinha (Pinheiro Chagas): - É simplesmente para dizer ao illustre deputado que transmittirei ao meu collega do reino as observações feitas por s. exa., e que pelo ministerio da marinha não foi dada ordem nenhuma a esse respeito.
Não sei, porém, se foi pelo ministerio do reino.
O sr. Francisco Beirão: - Para mandar para a mesa uma representação contra o projecto de lei, que estava dado para ordem do dia, relativo á divisão da conservatoria de Braga.
Abstenho-me de fazer considerações a esse respeito, reservando-me para quando se discutir o projecto.
Peço a v. exa. se digne dar a esta representação o destino conveniente.
O sr. Carlos Lobo d'Avila:- Eu peço licença para pedir ao sr. ministro da marinha que faça o obsequio de me dizer se communicou ao seu collega o desejo que eu tinha manifestado de que s. exa. viesse a esta casa dar explicações que lhe foram pedidas, com respeito aos acontecimentos da praça dos Restauradores, na noite do banquete republicano. (Apoiados.)
Espero, portanto, que s. exa. fará o favor de lhe communicar novamente, a fim de s. exa. vir a esta casa dizer quaes as providencias que adoptou.
O sr. Ministro da Marinha (Pinheiro Chagas):- Eu transmittirei ao meu collega do reino o desejo manifestado pelo illustre deputado, e estou certo que elle se apressará a vir á camara dar as informações que o illustre deputado deseja.
Está já dado para ordem do dia um projecto que corre pela sua pasta, e quando s. exa. vier tratar d'este assumto, terá occasião de responder ao illustre deputado.
O sr. Elvino de Brito:- Disse que, tendo ouvido com muita attenção as palavras proferidas pelo sr. ministro da marinha, não podia deixar de notar que essas palavras estivessem em contradicção com os factos de todos os dias.
O sr. ministro faz bem em defender o seu collega do reino; cumpre mesmo n'isso um dever do cargo. O que porém não soffre contestação é que o sr. Barjona de Freitas tem faltado até aqui ao que a elle, orador, tem promettido, por vezes, e de modo categorico. Citaria dois factos os mais recentes.
Toda a camara estaria de certo lembrada que elle, orador, levantara no parlamento a questão relativa aos successivos concursos havidos para o fornecimento do lazareto do porto de Lisboa.
Pedira sobre este assumpto, que reputava grave e serio, pela feição que tem ultimamente tomado, alguns esclarecimentos que julgara precisos para chamar o respectivo ministro á responsabilidade que porventura lhe coubesse.
O sr. Barjona de Freitas promettêra-lhe de modo o mais positivo que remetteria ao parlamento os documentos pedidos, e que estava prompto para responder á interpellação que o orador julgasse dever-lhe dirigir, depois de examinados esses documentos.
Infelizmente, nem apparecem os documentos, nem appa-rece o proprio ministro.
Parecia-lhe este procedimento do sr. ministro pouco proprio do decoro do governo, e desrespeitoso pelo parlamento.
Protestava mais uma vez contra o facto, lamentando que por tal forma estivessem decaidos entre nós os costumes parlamentares.