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2626 DIARIO DE CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS

cteres honrados, que respeito n'esse partido, mas muito pelo contrario provava a minha confiança n'elles, porque appelava para a sua força moral dentro do seu partido.
Mas seria porventura injusta a minha arguição? Porque é então que um partido, ao qual preside o sr. Anselmo Braamcamp, que tem ao lado do seu chefe um estadista tão instruido como o sr. José Luciano de Castro, que conta só nesta camara, reputações tão merecidas como os do sr. Barros Gomes, Veiga Beirão e Ennes, que dispõe da penna do sr. Emygdio Navarro, que é o nosso mais possante jornalista e da palavra do sr. Antonio Candido, que é o nosso mais eloquente orador, porque é que um partido que possuo illustrações, como o sr. Alves Matheus, Simões Dias, Thomás Bastos, Laranjo e Eduardo José Coelho, e tantos outros homens tão distinctos, porque e que o partido progressista, ao qual pertence o sr. Marianno de Carvalho, que só por si é uma notabilidade, porque é que este partido que devia ser forte o o paiz esperava que o fosse, que devia exercer uma acção parlamentar sufficientemente energica, para cohibir os abusos sempre possiveis da auctoridade e garantir á nação um bom governo, porque é que veiu a dar unicamente n'uma opposição de parada, espectaculosa, inefficaz, que n'esta camara só tem palavras desoladas, de tristeza, de dor e de lucto, para chorar a decadencia do regimen parlamentar? Porque é que este partido dia a dia parece arredar-se cada vez mais do poder? O parlamentarismo decae, dizem os seus oradores; mas porque?
Quanto a mim, a causa principal é que dentro dos partidos opposicionistas, alem da parte sã que eu respeito mais que ninguem, ha elementos dissolventes, que os illaqueiam e enfraquecem continuamente, elementos que só por si não valerão muito, mas que produzem damno incalculavel pela acção enervante que exercem sobre os próprios partidos, pela acção deleteria que exercem na politica portugueza. Elles perturbam immensamente as funcções dos poderes publicos do estado.
Foi contra esses elementos que por incidente fallei, dizendo que elles andavam requestando as boas graças ministeriaes. São esses os elementos que eu condemno, foi por causa d'elles que censurei o partido progressista.
Quem são, onde estão? não tenho de o dizer. Basta que eu avise se o meu aviso póde merecer consideração.
Direi unicamente aos homens honrados do partido progressista que os procurem, e se os encontrarem que os arredem de si, e se os não encontrarem que mo digam: achar-me hão prompto a confessar o meu erro e a penitenciar-me da minha involuntaria injustiça. Mas, por emquanto, não cubram, por quem são, com a sua auctoridade moral individuos que a opinião publica aponta como indignos da sua camaradagem .
Termino dizendo que é necessario empenharmo-nos todos, membros de uns e de outros partidos, n'uma cruzada para expurgarmos a nossa sociedade politica da escoria que a envilece e desacredita, porque só assim se poderá realçar o prestigio tão empanado das instituições representativas, fóra das quaes não ha salvação para a nossa cara pátria.
(S. exa. não reviu as notas tachygraphicas.)
O sr. José Luciano: - Com a mais profunda tristeza tenho a declarar a v. exa., que as explicações que me deu o sr. Bernardino Machado não me satisfizeram. (Apoiados.)
Sr. presidente, aqui, no partido progressista, não ha senão homens honrados. Affirmo-o eu. E se ha alguém que diga o contrario, e que possa apresentar provas empraso-o para que o faça. (Apoiados.)
Não acceitâmos a benevolencia do sr. deputado, porque no partido progressista não ha senão homens honrados, homens de bem, porque eu, o sr. Anselmo Braamcamp, o sr. Barros Gomes e tantos outros que temos uma vida publica limpa e immaculada, não estariamos associados a quem o não fosse.
Pedimos, exigimos que nos indiquem quaes são esses homens indignos de pertencer ao nosso gremio. (Apoiados.)
Pedimol-o, exigimol-o em nome da nossa honra partidaria, e do decoro parlamentar. (Apoiados.)
Quaes são esses camaradas indignos que andam deshonrando a nossa bandeira?
Venham já os nome, que os queremos conhecer.
Venham, em nome do nosso direito, em nome do decoro de um partido inteiro, que se sente aggravado com as palavras vagas proferidas pelo sr. Bernardino Machado.
S. exa. poz a questão n'um terreno deploravel.
A nós, chefe e soldados de um partido, membros da mesma communidade politica, cumpre-nos repellir a offensa, um por todos e todos por um; prende nos a todos a solidariedade da honra e da dignidade partidaria.
Portanto, pedimos a v. exa. e á maioria que não deixe encerrar este debate sem que o illustre deputado apresente as provas, in continenti da sua asserção.
Sr. presidente, não acceitâmos, não queremos o aviso vago, que o illustre deputado nos offerece; requeremos, exigimos de v. exa. e da camara que obriguem s. exa. a expor os motivos das suas affirmações, e apresentar immediatamente as provas das suas asserções. (Apoiados.)
É preciso isto. (Apoiados.)
Direi mais. Nos bancos do governo está um dos ministros.
Entendo que, por decoro proprio, elle deve declarar se alguem do partido progressista tem andado pelas antecamaras ministeriaes solicitando as boas graças do governo, e, se assim é, quem tem sido os que assim têem procedido. (Apoiados.)
É necessario que se saiba tudo.
É necessario que saibamos, um por um, quem são os corruptos e quem são os corruptores. (Apoiados.)
Faço este requerimento verbalmente, porque creio que não será necessario fazel-o por escripto.
Nós, no partido progressista considerâmo nos todos homens de bem.
Nós não acceittâmos distincção entre gente sã e honesta, e gente que o não é.
Por isso, em nome do partido progressista, requeiro a v. exa. que intime o illustre deputado a que apresente as provas das suas affirmações. (Apoiados.)
O sr. Ministro da Marinha (Pinheiro Chagas): - Sr. presidente, acabo de entrar na sala, como v. exa. e a camara viram, e encontro-me no meio de um debate que quasi não conheço e que me parece ter assumido um aspecto um pouco importante.
S. exa. o sr. Luciano de Castro appellou para o testemunho do governo, e eu, quasi sem saber do que se trata, mas vendo que se falla de se haver posto em duvida a honra de um dos partidos que se degladiam no paiz, não posso deixar do fazer uma declaração.
Eu, que pecco, talvez, por excessiva vehemencia; eu, que ás vezes tenho sido adeusado de n'estes bancos, conservar o temperamento nervoso do antigo deputado da opposição; eu, que por consequencia não posso ser taxado de benevolo, declaro que nunca, nem por sombras, tive o pensamento de pôr em duvida a honra do partido progressista.
O sr. Luciano de Castro, que conhece bem as luctas parlamentares, porque é um dos nossos mais antigos e brilhantes luctadores, e que portanto sabe até onde podem levar a vehemencia da palavra e os acasos da improvisação, deve dar um desconto a tudo quanto se disse, e deve comprehender facilmente que, no que se avançou, a intenção do sr. Bernardino Machado e a de todos nós não foi, nem de longe, ferir a honra e o decoro do partido progressista.