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SESSÃO DE 30 DE JUNHO DE 1885 2701

Talvez seja; mas não era indispensavel que assim succedesse.
Repito, pois, com que elementos o em que condições faz o governo a escolha do projecto definitivo? Ou já está escolhido?
Temos um projecto em discussão, pelo qual se pedem ao paiz mais uns milhares de contos de réis a titulo de melhorar o porto de Lisboa, mas ignora-se ainda em que obras se ha de consumir essa somma fabulosa, porque ainda não nasceu o projecto definitivo.
Estamos em plena maré de patriotismo. O projecto, com a sua enorme dotação, provocou o patriotismo do todos os partidos, enfileirando es seus homens mais notaveis ao lado do nosso unico salvador, ao lado do sr. Hersent.
Tenho ouvido elogiar de tal fórma este notavel empreiteiro, que estou convencido de que elle é já hoje indispensavel para que o planeta não deixe de girar nos seus eixos.
O que seria d'este pobre paiz, se elle e o sr. Cortez nos abandonassem!!
O sr. Hersent é, effectivamente, um constructor ousado, mas não é o unico no mundo.
Quem fez as obras do canal de Suez?
Quem fez os portos do Havra e de Marselha?
Suppunhamos, todavia, que o sr. Hersent é unico: tanto melhor para o governo e para os patriotas. Procedam correctamente que ninguem lhes disputará o primeiro logar no concurso.
A questão, porém, não é de concurso. As obras do porto de Lisboa tambem não constituem a grande preocupação do governo, o que o afflige é a idéa de que o paiz nada em riqueza; o que o preoccupa é a necessidade de dar mais uma sangria á bolsa do contribuinte.
Tudo vae bem.
Não me parece, todavia, que a camara deva associar-se n'este projecto ao pensamento patriotico do governo.
E não me parece, porque ha ainda outro reparo muito importante a fazer.
Todos os engenheiros são de opinião que as obras do saneamento da cidade de Lisboa, em qualquer occasião, mas sobretudo agora, que o cholera parece vir em marcha accelerada sobre a capital, devem, se não anteceder, pelo menos acompanhar as obras do porto.
Noto, porém, com grande espanto, que o governo, querendo aproveitar este ensejo para fazer approvar o projecto que o auctorisa a mandar fazer as obras do porto de Lisboa, nem falla nas do saneamento da cidade, que deviam acompanhar pelo menos aquellas, por isso que as obras do saneamento podem prejudicar o até annullar parte dos melhoramentos do porto.
Na parte financeira, o projecto foi discutido com tanta habilidade e competencia por um dos mais notaveis oradores d'esta casa, a cujas altas qualidades presto sincera homenagem, o sr. conselheiro Barros Gomes. (Apoiados.) que não entrarei n'esse assumpto.
Direi, todavia, que me pareceram logicas, claras e positivas as observações feitas pelo illustre deputado, e que não vi que por parte do governo ou da illustre commissão só respondesse com algarismos positivos ás considerações que s. exa. apresentou.
Não me parece que estejamos n'uma religião de números, como disse o sr. presidente do conselho; ou então nesta religião não ha orthodoxia nem heresia.
Os números são o que são; e desde que o sr. Barros Gomes, por meio de uma operação algebrica, mostrou que o juro das sommas a gastar corresponde a 7 1/2 por cento, e não a 5 por cento, parece-me que o governo, accusado de haver sido menos exacto nas suas affirmações perante a representação nacional, tinha restricta obrigação de entrar em largo debate e fazer toda a luz sobre este assumpto.
Não basta dizer que as obras são necessarias e que já pedimos dinheiro por taxa mais elevada.
O argumento é muito conhecido nos vulgarissimos expedientes dos morgados arruinados.
Portanto, resumo as minhas considerações, pedindo ao governo me diga se ha algum projecto definitivo que sirva de base ao concurso; porque no projecto em discussão diz-se apenas que o ha do ser o projecto que merecer a approvação do governo.
Desejo tambem saber, no caso de não haver projecto definitivo, se se abre concurso para projectos.
Não é, pois, meu intuito crear dificuldades ao governo, como já disse: quero apenas habilitar-me a votar conscienciosamente.
Não entro na analyse technica do projecto; porque, alem de me fallecer a competencia, ha n'esta casa distinctissimos engenheiros, cuja auctorisada palavra se fará ouvir, sem duvida, n'este debate.
Pedindo estes esclarecimentos, quero justificar o meu voto perante o paiz e ficar bem com a minha consciencia.
Tenho dito.
O sr. Presidente: - A ordem da noite para a sessão de hoje é o parecer sobre as emendas ao projecto n.° 109, e a ordem do dia para ámanhã é a continuação da que estava dada, e mais os projectos n.ºs 64, 104, 147 e 153.

Está levantada a sessão.

Eram cinco horas da tarde.

Representação de diversos industriaes, apresentada pelo sr. Pereira Carrilho e mandada publicar n'este «Diário»

E N.° 275

Senhores. - Na opinião de illustres economistas, o progresso industrial de um paiz e, portanto, o grau da sua prosperidade, póde avaliar-se pela quantidade de soda que consome.
Este producto é effectivamente de uma importância consideravel para os paizes civilisados; o desenvolvimento serio da sua fabricação, facilitando e vulgarisando o seu emprego, ha de forçosamente dar resultados de todo o ponto favoraveis.
A soda é a base da saboaria; entra principalmente na fabricação do vidro; torna-se indispensavel nas industrias que têem de fazer lexivias; não póde deixar de empregar-se no preparo das lãs, do canhamo, do linho e dos algodões; applica-se como meio de branqueamento no fabrico do papel; sendo que, póde dizer-se, não ha materia prima, palha, madeira, esparto, etc., que prescindam d'este producto, da barateza do qual dependem por conseguinte mais ou menos todas as industrias.
Ainda não ha muitos ânuos que a soda, industrialmente falhando, apenas se vendia no estado de carbonato, geralmente chamado saes ou crystaes de soda; de então para cá este ramo tem feito progressos notaveis, a ponto de actualmente se fabricar por baixo preço uma quantidade enorme de soda caustica (quer dizer, a soda combinada simplesmente com agua em vez de acido carbonico), tornando-se sobremodo usual o seu emprego para muitas industrias. As industrias que por qualquer motivo, excepcionalmente não empregara a soda caustica acontece-lhes obterem resultados de uma inferioridade manifesta.
A substituição dos saes de soda pela soda caustica é de incontestavel vantagem, visto que esta offerece maior commodidade, mais precisão e muita segurança, uma quasi que infallibilidade, diga-se, nas operações em que é applicada, e taes condições garantem sem duvida uma grande reducção de preço de custo, tanto mais attendendo a que se não corre o risco do mau êxito de muitas operações, algumas completamente mallogradas, outras apresentando