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Eu confesso a v. ex. os meus desejos de que os nossos fundos sejam cotados; mas estou persuadido que o proprio interesse dos bond-holders ha de aconselhar o Stock-Exchange a fazer essa cotação.

O nobre deputado sabe muito bem a resistencia que em outras épocas encontraram medidas similhantes, as excitações a que deram logar muitas vezes, por se suppôr que podiam de alguma maneira affectar os interesses dos credores. Quantos meios senão lêem posto em practica para impedir que fossem levadas á execução, outras conversões que se fizeram! E entretanto o tempo passou, as conversões fizeram-se e as cousas aquietaram, voltando tudo á marcha regular. Direi porém que se o governo puder contribuir da sua parte para que haja como ha pouco disse, este bom accôrdo, de certo o ha de fazer, nunca de maneira que sacrifique ou o sou pensamento ou a dignidade que cumpre manter por parte do governo. (Muito bem)

Em quanto á missão a que se referiu o illustre deputado de um cavalheiro que foi a Londres, peço que se intenda como de reserva este negocio para não dar por agora explicações a este respeito; direi sómente que é de natureza confidencial, e pediria ao illustre deputado que não insista mais sobre este ponto. Accrescentarei todavia que eu não me julgo auctorisado a fazer qualquer alteração ou modificação no que existo sem a annuencia do corpo legislativo, e que por consequencia se houvesse de propôr alguma, de certo havia de vir no seio do parlamento pedir auctorisação para isso. (Muito bem)

Depois destas considerações parece-me que tenho habilitado os illustres deputados a votarem conscienciosamente sobre a verba que está em discussão.

O sr. Francisco Joaquim Maia (Sobre a ordem) — Sr. presidente, pedi a palavra sobre a ordem para dizer que nos faltam apenas duas sessões do mez de junho, e por consequencia muito pouco tempo para acabar o prazo da prorogação; e eu pela minha parte estou cançado, desejo retirar-mo, alguns srs. deputados já o lêem feito, e creio que todos desejam o mesmo (Apoiado) comtudo o que eu vejo, é que não nos limitamos á discussão necessaria dos objectos sujeitos á deliberação da camara.

Na verdade com quanto um illustre deputado fizesse um discurso muito instructivo, eu confesso que em todo esse discurso não ouvi nada em relação ao objecto que está em discussão, V. ex.ª advertiu o illustre deputado de que estava fóra da ordem; mas ou peço a v. ex.ª que use com mais força, das attribuições que lhe dá o regimento para chamar á ordem o deputado que se desviar della.

A questão limita-se ao capitulo 5.º, isto é, a saber — se ela despeza está ou não votada no orçamento na conformidade das leis —: se o não está, qualquer dos nobres deputados póde fazer as observações que queira, e apresentar as propostas que julgar convenientes para terem o resultado que deverem ser; desta discussão, como foi tractada pelo illustre deputado, nenhum resultado se tira nem serve senão de embaraçar o andamento de uma questão ião importante como é a do orçamento.

O sr. Presidente: — Eu declarei já a camara qual -era a questão de que se tractava. Assim o tenho feito sempre que se põe uma verba em discussão. Os illustres deputados que fallam fóra da ordem, não os advirto violentamente, porque não está isso no meu genio, e quem não o quizer assim, não tem presidente. Por agora não tenho motivo de queixa, e quando esses motivos se derem o que não espero que aconteça, intendo que não posso fazer advertencias senão brandas, porque nunca eu tenho violencia para empregar com os srs. deputados que todos reconhecem os seus deveres, nem está isso nos meus habitos, nem eu vejo mesmo que a violencia conduza ao resultado que se deseja. (Muitos apoiados)

Agora o que desejo é que os srs. deputados se restrinjam á questão; e torno a pedi-lo mesmo para não dar logar a que se faça outra vez tal advertencia, que eu julgo nesta occasião muito immerecidamente feita. (Apoiado) Mas para que senão repita, peço aos srs. deputados que se restrinjam á materia até pela consideração de que a sessão está muito adiantada, como já fiz ver n'uma das sessões passadas.

Agora segue-se o sr. Cunha a quem peço que se restrinja á questão.

O sr. Cunha Sotto-Maior: — Sr. presidente, agora começo e já vou terminar, porque quando a situação politica de um parlamento chega a este estado, nada ha que dizer. O illustre deputado membro da commissão de fazenda acabou de fazer censuras o increpações por não se discutir o orçamento: o culpado é elle que o apresentou tão tarde, quasi no fim da sessão. Não terá o illustre deputado a bondade de nos dizer, qual foi a razão que teve para isso? O illustre deputado que se mostra tão zelador dos dinheiros publicos, porque razão se mostra tão agastado quando alguem quer discutir uma verba de despeza contida no orçamento? O illustre deputado que é membro e relator da commissão de fazenda, teve nada menos que é mezes para examinar o orçamento; e agora vem censurar-nos por querermos discutir o orçamento nos poucos dias que restam de sessão: ralhou com v. ex. e comnosco, e pouco faltou para nos bater com um páo. (Riso)

Declaro que me abstenho de entrar na discussão da verba de que se tracta; mas quero sómente notar á camara que o Stock-Exchange não cota os titulos da divida portugueza, ao passo que cola os titulos de todas as mais nações. Desejava que o sr. ministro da fazenda me dissesse qual a razão disto. Ha pouco tempo ainda, que em Inglaterra um deputado da camara dos communs interpellou o ministro da fazenda sobre negocios financeiros; o ministro respondeu; como porem, o deputado se não desse por satisfeito com as explicações do ministro, este replicou dizendo-lhe — que em assumptos financeiros havia de seguir antes as opiniões do Stock-xchange, que as opiniões do deputado interpellante. Parece-me pois que a similhante respeito posso citar desassombradamente antes as opiniões do Stock-Exchange, que as opiniões dos nossos financeiros; por que na verdade Os nossos financeiros não teem dado prelecções algumas uteis sobre economia politica. O facto é que o Stock-Exchange não acredita na organisação financeira de Portugal, pelos meios que teem sido empregados até agora.

Apezar do sr. ministro da fazenda ter declarado, que o deficit de 80 contos não devia envergonhar governo algum para ter receio de dirigir os negocios publicos, e muito menos agora o deficit de 24 contos, é certo com tudo, que os embaraços financeiros crescem de dia para dia, e que a fazenda publica não obstante os sacrificios que não está organisada