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2276 DIARIO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS

ainda muito menos o poderá ser para o illustre deputado, de quem é amigo politico, e de um membro da associação commercial de Lisboa.

Em todo o caso, como se podia dar o facto de que na instauração do processo figurasse o administrador que está em exercicio, mandei tomar as providencias necessarias para que tal não succedesse se a apprehensão for julgada procedente em primeira instancia. Communicarei ao sr. ministro do reino para que não continue em exercicio o administrador condemnado por descaminho de direitos, e estou persuadido que s. exa. tomará as providencias necessarias a tal respeito.
Por ora nada mais se póde fazer, porque não se sabe se a apprehensão foi bem ou mal feita.

Quanto ao naufragio de Caminha não tenho pormenores circumstanciados a esse respeito. Consta-me que foram dadas ordens pelo administrador geral das alfandegas e pelo commandante geral da guarda fiscal para Caminha. As informações que de lá recebi fazem-me crer, com bons fundamentos, que são precisas providencias muito extraordinarias em Caminha e nos seus arredores, e hão de continuar a ser precisas, porventura ainda muito mais agora, porque ali se faz descaminho de direitos por contrabando não só conforme os usos e costumes da raia, mas ainda muito alem.

(Interrupção do sr. Miguel Dantas.)

Mesmo quando os contrabandistas se vêem mais acossados fogem para outros pontos, e ás vezes desenvolvem mais audacia n´uma dada localidade.

É possivel, não posso dizer com certeza a v. exa., porque não tenha informações precisas a este respeito, é possivel, digo, ter augmentado o descaminho de direitos em Caminha e seus arredores, é possivel que o administrador geral das alfandegas e o commandante geral da guarda fiscal julgassem necessario informar-se do que houve, se houver necessidade de medidas extraordinarias, hão de adoptar-se, e se não houver necessidade d´isso terei muito prazer em o communicar ao illustre deputado.

O sr. Barbosa de Magalhães: - Mando para a mesa uma representação da commissão districtal delegada da junta geral do districto de Aveiro, e mais quatro das camaras municipaes dos concelhos de Aveiro, Ovar, Estarreja e Sever do Vouga, e peço a v. exa. que pergunte á camara se auctorisa a sua publicação no Diario do governo.

Em todas essas representações se pede a construcção immediata do caminho de ferro do Valle do Vouga, como fazendo parte da rede complementar das vias ferreas ao norte do Mondego; e parece-me tão justo o pedido e de tão largo alcance e melhoramento reclamado, que mais uma vez chamo para este assumpto a attenção do nobre ministro das obras publicas e das respectivas commissões.
Tratando-se de completar a rede de viação accelerada nas provincias do norte, não póde ser esquecida, antes deve ser a primeira a lembrar, a linha ferrea que, partindo de Mangualde, e passando por Vizeu e S. Pedro do Sul, atravesse a fertilisima região do Valle do Vouga, e vá entroncar na linha do norte, entre as estações de Aveiro e de Ovar, porque é esta a communicação mais curta de todos os centros de população, de industria e de commercio da Beira Alta com o Porto; porque estabelece a ligação immediata entre dois districtos, Aveiro e Vizeu, que entre si têem as mais estreitas relações agricolas, commerciaes, ecclesiasticas e militares ; e porque abre todos os mercados das duas Beiras aos productos da riquissima bacia hydrographica denominada Ria de Aveiro, e que se estende de Ovar até Mira, no districto de Coimbra.

Já em 1879 foi apresentado n´esta casa do parlamento um projecto de lei auctorisando o governo a mandar construir esse caminho de ferro; e no memoravel relatorio que o precede se expõem com erudição e lucidez, e se demonstram com desenvolvimento e rigor todas as vantagens economicas e politicas d´essa construcção. E se não chegou a discutir-se esse projecto, já no orçamento então votado para o anno seguinte se consignava a importante verba de 200:000$000 réis para poder ser executado. Tambem na proposta de lei ultimamente apresentada aqui pelo illustre ministro das obras publicas só reconhece a necessidade da sua construcção, e até se pede já auctorisação para ser construida uma grande parte d´elle, a de Mangualdo a S. Pedro do Sul, commum á linha de Mangualde a Recarei.

Se pois o caminho de ferro do Valle do Vouga, está de ha muito no animo de todos, eu, no interesse do meu paiz, e no interesse immediato dos povos que represento, declaro que envidarei todos os meus esforços para que elle não seja esquecido. Opportunamente, como já tive occasião de dizer n´uma das sessões anteriores, voltarei ao assumpto, que tão importante é para o meu circulo e para o meu districto, com a firmeza e com a tenacidade de quem tem a consciencia de que cumpre um dever.

Foi auctorisada a publicação.

(S. exa. não reviu as notas tachygraphicas.)

O sr. Alfredo Brandão: - Eu pedi a palavra, sr. presidente, a fim de novamente chamar a attenção da camara para os telegrammas recebidos da Africa oriental, um para o governo, participando o roubo de uma embarcação no Zambeze e a construcção de uma aringa pelos parentes do Bonga, segundo affirmam os jornaes, e outro para mim directamente, que nos annuncia factos de muitissima gravidade.

E a rasão por que vou fallar n´este assumpto é porque as apreciações feitas pelos jornaes, ou as noticias que dá a imprensa com respeito a estes telegrammas, me convencem de que realmente os acontecimentos que se estão dando na Africa oriental são de summa gravidade.

Quando eu participei á camara que tinha recebido um telegramma de Moçambique, annunciando guerra na Zambezia, a minha convicção era que este telegramma transmittia o echo, o effeito de um panico que chegava ao litoral, panico que os individuos que o transmittiram não podiam definir, em virtude da distancia a que estavam do theatro dos acontecimentos.

Era esta a minha convicção.

O telegramma não denunciava precisamente a situação da Zambezia, mas denunciava o echo de acontecimentos sobre que era necessario providenciar de prompto.

E eu, fazendo esta participação á camara, contentei-me com a resposta do sr. ministro da fazenda, que prometteu dar as providencias necessarias para ser mantida a ordem na Africa oriental e ser respeitada a lei e o nome portuguez.

A comparação, porém, que eu fiz das noticias que me foram transmittidas com o telegramma official vindo de Moçambique, convence-me de que o estado da Zambezia é ainda muito mais grave do que se deprehendia do meu telegramma.

V. exa. comprehende muito bem que o facto dos parentes do Bonga roubarem uma embarcação ou construirem uma aringa não era motivo para o governador geral de Moçambique mandar um telegramma ao governo, participando estes factos, e dando lhes pouca importancia.

Não me parece que a construcção de uma aringa e o roubo de uma embarcação sejam motivos para o governador mandar uma participarão d´esta ordem, quando elle governador é o proprio que não dá importancia á noticia que transmitte ao governo.

E nós bem sabemos o uso que elle tem feito de noticias similhantes.

Por isso insisto em que é grave e muito grave a situação da nossa Zambezia, e em geral a situação da nossa Africa desde Lourenço Marques até Cabo Delgado.

E para fazermos idéa d´esta situação, basta lembrar os seguintes factos, de que tenho conhecimento pela imprensa, e por informações recebidas directamente da Africa oriental.