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2298 DIARIO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS

rio com que este ou aquelle ministro dirige os negocios da administração publica; mas da referencia do sr. Baracho poderá deprehender-se a suspeita de menos lealdade da minha parte para com o governo.

(Interrupção do sr. Baracho.)

A intenção do meu amigo não foi essa. Faço justiça ao seu caracter e ás boas relações de amisade, em que vivemos; mas o meu amigo não fallou só para mim, fallou para a camara, e para o publico, fazendo allusão a diversos deputados que estavam em desaccordo com a opinião do governo, e esse desaccordo podia implicitamente traduzir um pensamento de menos lealdade e dedicação partidaria para com o governo.

Não digo que fosse essa a intenção de s. exa., repito; mas alguem podia entendel-o assim.

Por isso pedi a palavra para varrer a minha testada.

Quando entrei para esta casa não abdiquei as minhas opiniões, nem as minhas convicções. Nem s. exa. está hoje mais regenerador do que hontem, nem os meus amigos estão convencidos de que eu estou hoje menos progressista do que era ha trinta annos. (Apoiados.) Cada um pensa como entende, e na hora do combate e da lucta não me verão fugir, nem é esse o meu costume.

Mas na epocha dos accordos, nem sequer ha opportunidade para essas refregas, ou pelo menos para essas refregas a serio.

E a proposito de accordos, quero dizer a v. exa. uma cousa. Não comprehendo bem o que se passa d'aquelle lado da camara. Vejo o meu amigo Carlos Lobo d'Avila congratularão porque o seu requerimento foi bem acceito pela opposição, mas vejo a opposição votar contra o requerimento e com a maioria. Parece que estamos fazendo aqui obra por uma cousa que se não vê. Ainda assim não estou desconsolado com a altitude da opposição; e visto que ella está tão condescendente e tão desejosa de cumprir o accordo, tenho pena que não estejamos em sessão diurna, porque queria terminar fazendo um requerimento e pedir que se prorogasse a sessão até se votar o projecto que se discute.

Este expediente não poderia considerar-se uma temeridade desde que a minoria acompanha a maioria com tão boa vontade, como succedeu na votação do requerimento do illustre deputado a quem me estou referindo, e que, apesar de tudo, se mostra tambem satisfeito com a minoria. (Riso.)

Chegada a occasião de termos a opposição ao nosso lado, condescendente e benevola, para comnosco, pena é que não tenhamos tempo para acabar hoje com esta discussão que já pouco edifica. Mas emfim não foi para isso que eu pedi a palavra. Foi simplesmente para dizer ao meu collega que póde estar descansado com respeito á minha attitude politica perante o governo. Hei de fazer o que faço lá fóra; emittir a minha opinião como souber, fazer liberrimamente as apreciações que julgar convenientes, e ninguem terá nunca motivo para malquistar a minha lealdade e dedicação partidaria.

Vozes: - Muito bem.

O sr. Dantas Baracho: - Acho extraordinaria a fórma por que o sr. Alfredo Brandão se dirigiu a mim.

Eu nunca dei direito a ninguem para duvidar da minha lealdade, ou das minhas palavras. (Apoiados.) Sou sempre escrupuloso até ao ponto de nunca fazer insinuações. Appello para o testemunho da camara. Ninguem por certo ousará dizer que eu fiz qualquer insinuação ao sr. Alfredo Brandão. (Apoiados.)

O sr. Alfredo Brandão: - Eu já expliquei isso a s. exa. Não fiz nem faria nunca injustiça ás suas intenções.

O Orador: - Muito bem; mas desde que s. exa. fazia justiça, as minhas intenções, podia ficar por ahi permitta-me dizer-lhe, e não vir depois fazer considerações que poderiam ter para mim algum melindre. (Apoiados.)

Prézo-me de ser educado, (Apoiados.) e appello para o testemunho de todos, porque eu nunca disse aqui uma palavra que ferisse ou offendesse o caracter, fosse de quem fosse. (Apoiados.)

(Sussurro.)

O sr. Presidente: - A ordem do dia para ámanhã é a continuação da que estava dada.

Está levantada a sessão.

Era meia noite e um quarto.

Redactor = S. Rego.