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O Sr. Lacerda (D. José): - Este Parecer foi mandado á Commissão de Instrucção Publica, para ver se ella se conformava com a idéa que nelle vem exarada. A Commissão não podendo deixar de conhecer as vantagens que d'aqui podiam resultar, tanto para o Commercio, como para a Sciencia, não teve duvida em annuir ao pensamento do Governo. Por outro lado considerou a Commissão que era opportuno a approvação do Parecer por se achar em Lisboa um Naturalista habil, o qual fallaria n'outras occasiões, que se quer promptificar a este serviço. Assim a Commissão, dentro das suas attribuições, nada mais tinha a considerar, e por isso approvou o Projecio do Governo; mas não póde a Commissão oppôr-se a que seja ouvida a Commissão do Ultramar, e mesmo o Ministerio, a respeito dos meios pecuniarios, e mais despezas a fazer. Entretanto a Commissão em quanto á despeza não pô-de deixar de annuir, porque sempre que se tomar em consideração alguma despeza, quando se tractar de algum objecto, do qual resulte vantagem para o Paiz, então nada se faz, porque não é possivel que esses melhoramentos se obtenham sem se fazer alguma despeza. Mas voltando ao principio, a Commissão approvou o pensamento do Governo, mas não se oppõe a que seja ouvida a Commissão do Ultramar, e mesmo o Sr. Ministro relativamente aos meios, porque não pertence isso ás attribuições da Commissão de Instrucção Publica.

O Sr. J. L. da Luz: - Não me posso oppôr a que o Projecto vá á Commissão do Ultramar: eu não tive o gosto de concorrer á Commissão de Instrucção Publica quando se ventilou a discussão deste Projecto; trouxeram-mo para assignar, e eu duvidei de o fazer em quanto não tivesse alguns esclarecimentos da parte dos Membros da Commissão. Mas apparece agora outra idéa que naturalmente se liga mais á parte economica, e ás possibilidades das nossas Possessões Ultramarinas, do que relativamente ao objecto scientifico de que se occupa o Projecto. Eu tenho graves apprehensões sobre as despezas que se fazem por este methodo, e dos resultados mesmo destas Commissões, porque estou habituado a ver o malogro de todas ellas. Aqui pede-se nada menos do que (Leu). Não quero, por ora, aventurar opinião sobro a justiça com que se faz esta exigencia; desejo que a Commissão do Ultramar péze bem as circumslancias em que estão as Provincias Ultramarinas, e as despezas que por este Projecto se vão fazer, e depois fallaremos a este respeito.

O Sr. Agostinho Albano: - Não me opporei ao Adiamento, acho mesmo que é de razão; na verdade ainda que a Commissão de Instrucção Publica estava muito nas circumstancias de poder avaliar os bons resultados que pode ter esta missão, quanto ao objecto especial della, com tudo não podia nem devia essa materia ser tractada na Camara, sem que a Commissão do Ultramar fosse ouvida, quanto á parte instructiva e illustrativa que se podia tirar desta missão, assim como a Commissão de Fazenda pelo que pertence aos meios pecuniarios. Não é porque a Commissão de Fazenda tenha uma ingerencia immediata sobre as despezas do Ultramar, mas porque a ella foi remettido o Orçamento da despeza do Ultramar. Demais, aqui ha duas qualidades de despeza; a que é paga pelo Thesouro da Metropole, e a despeza paga pelas Provincias Ultramarinas; sobre uma e

outra a Commissão de Fazenda devia ser ouvida, e póde ser até que este negocio assim tivesse corrido melhor.

Em quanto ao objecto em si é este um dos actos que honra muito o Sr. Ministro da Marinha; póde ser, e estimarei muito que o seja, resultado de uma Proposta que eu quando Ministro da mesma Repartição propuz a S. Magestade, e que foi convertida em Decreto governativo; e era a necessidade da exploração economica, geologica e mineralogica das nossas Provincias Ultramarinas, cujas riquezas são perdidas, porque se não tem tractado como era conveniente que se tractasse de um objecto tão importante; mas seja ou não isto resultado dessa Proposta, e honro-me muito de a ter feito, e de ter sido oprimeiro que propuz uma medida desta natureza, a qual devia chamar não só a attenção da Camara, mas de todo o Paiz (Apoiados).

Sinto que o Sr. Ministro não esteja presente para dizei se isto é ou não verdade, e porque lhe queria aconselhar (e talvez seja essa a sua idéa) que lançasse mão para esta commissão de um Naturalista Alemão que se acha em Portugal, habilissimo, e a respeito do qual já a propria Camara deu um testemunho de reconhecimento consentindo e approvando que o Herbario da Flora Portugueza, organisado e coordenado por elle, fosse collocado na Academia Real das Sciencias; este é um dos testemunhos mais authenticos e decisivos da capacidade do homem; e sinto muito que, se é elle que S. Exa. o Sr. Ministro da Marinha tenciona nomear para esta commissão importantissima, não fizesse menção de seu nome no seu Projecto; porque é um Sabio conhecido pela Europa, é o Sr. Welwitch, e basta pronunciar este nome para o conhecermos como um Botanico de primeira ordem, assim o reconheceu o Sr. De Candolle, e outros; este nome é conhecido de todos aquelles que tem conhecimento da materia respectiva, por um illustrado e eminente Botanico, de que deu testemunho quando apresentou á Academia das Scienciencias as tres partes do seu Herbario, que já estão em poder da mesma Academiu: a parte respectiva ás Algas é um modêlo não só de illustração, mas de sciencia, e de perfeições, com que aquelle objecto foi collocado e arranjado; eu podia, Sr. Presidente, não só apoiar-me, a respeito da illustração desse homem, no testemunho da Academia, e torno a dizer, sinto que não viesse aqui o seu nome, como aconteceu a respeito de outro, digo no testemunho da Academia das Sciencias, mas tambem no de muita gente Litterata para dizer que este homem possue profundos conhecimentos: muitos outros individuos fóra da Academia tem visto os seus trabalhos, e viram que eram de uma grande vastidão, e novidade; sabe-se mais que este Sabio tem pela sciencia uma dedicação extraordinaria; que seus trabalhos são feitos até com compromettimento de vida: da familia das Algas, de que até ao tempo do nosso illustre Brotero estavam conhecidas poucas especies, este Naturalista elevou-as ao numero de mais de cem; basta só isto, Sr. Presidente, para affiançar o resultado de uma missão desta ordem, tenho muita satisfação de apresentar á Camara estes esclarecimentos e estas idéas, estimo muito que seja este o homem que vá ser incumbido desta missão que é do grande importancia, e, torno a repetir, sinto muito que não viesse o nome no Projecto declarado, assim como