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DIARIO DA CAMARA DOS DIGNOS PARES DO REINO 5

Para justificar o que digo, contarei o que se deu commigo.

Apresentei eu n’esta camara quando se tratou da questão do caminho de ferro do sul, algumas observações na parte financeira, e é resumo d’estas observações veiu exactamente publicado no dia seguinte no extracto da sessão publicado pelo Jornal do commercio, extracto que significava perfeitamente, o meu pensamento; mas a tachygraphia não tinha apanhado senão uma parte das minhas palavras, e aconteceu que nas notas do meu discurso encontrei não só omitidos, mas alterados pontos importantes, dando em resultado, um sentido errado, de modo que, se eu não tivesse revisto bem as notas tachygraphicas, qualquer pessoa que depois lesse o meu discurso diria que eu tinha avançado absurdos.

Peço, pois, a v. exa. se digne recommendar, no caso de se publicar o tal resumo, o maior cuidado na revisão, e que se não escreva senão o que os oradores disserem. (Apoiados)

Parece-me tambem que para tudo isto não é bastante o quadro de actuaes empregados, e é mister haver mais outros para o trabalho, de redigir o extracto ou resumo da sessão.

A questão é importantissima, porque o estado dos negocios publicos tem-se tornado, como declarei, muitissimo grave. As camaras reunidas actualmente hão de estar á altura das necessidades do paiz, é o paiz deve saber como satisfazemos ao nosso dever e aos seus interesses violados.

Sr. presidente, não faço senão repetir o que os meus collegas da opposição pensam, e estão enganados aquelles que julgam que a opposição desta camara ha de dormir o somno dos justos e ser indifferente a todos os negocios que se apresentarem. (Apoiados.}

Havemos de acompanhar, passo a passo, todos os actos do governo, e combatel-os com toda a energia e a circumspecção de que somos capazes, porque ás doutrinas do governo respondemos: — Temos um só programma srs. ministros, e elle se resume em bradar: abaixo o ministerio! Abaixo o ministerio! (Apoiados repetidos dos dignos pares da opposição.)

Concluindo, mando para a mesa o meu requerimento. Sr. - presidente, para satisfazer uma indicação do digno par, o sr. marquez de Sabugosa, com a qual me conformo plenamente, peço licença para fazer um additamento ao meu requerimento, e vem a ser, que me seja tambem remettida copia da consulta do procurador geral da corôa e fazenda ácerca d’esta concessão.

O sr. Presidente: — O digno par, sr. Martens Ferrão, mandou para a mesa a carta regia que elevou á dignidade de par do reino o sr. conselheiro Antonio Maria do Couto Monteiro. Nomeio para examinarem este diploma os srs. Martens Ferrão, Xavier Palmeirim e Barros e Sá.

Convido os dignos pares nomeados a reunirem-se para desempenharem esta missão.

Agora devo dar uma explicação á camara com relação á primeira parte do discurso do sr. conde de Rio Maior.

Occupei-me muito seriamente, no intervallo das sessões, do modo de dar cumprimento á proposta do digno par, sr. conde de Cavalleiros, a que o sr. conde de Rio Maior acaba de referir-se. Tive algumas conferencias com o director geral da repartição tachygraphica, e parece-me que podemos chegar ás conclusões, que passo a expor.

Antes, porém, de apresentar á camara essas conclusões, devo ponderar que as maiores dificuldades para que as sessões sejam publicadas tão rapidamente como todos nós desejâmos, são as pessimas condições acusticas d’esta sala, e a que provém dos proprios dignos pares, isto é, a que resulta do tempo que os oradores gastam a rever os seus discursos.

Se os dignos pares quizerem auxiliar a repartição tachygraphica, entendo, que poderemos chegar a publicar as sessões no Diario da camara apenas com o intervallo de tres dias, tendo a tachygraphia vinte e quatro horas para á traducção das notas de todos os discursos pronunciados na sessão, e os oradores; outras vinte e quatro para a revisão d’esses discurses. Alem d’isso devem dar-se, pelo menos vinte e quatro horas á imprensa para fazer a respectiva publicação.:

Eu presto toda a attenção aos discursos proferidos pelos dignos pares, mas o facto é que a maior parte das palavras não se percebem na mesa. Ora isto que me acontece, acontece do mesmo modo á tachygraphia, e por isso não podem os oradores deixar de rever os discursos, para evitar as imperfeições que elles não podem deixar de ter. Parece-me, comtudo, que vinte e quatro horas é um espaço sufficiente para se fazer essa revisão.

Entretanto, devo prevenir a camara de que havemos de precisar nomear alguns praticantes, o que trará necessariamente augmento de despeza a qual não ha de ser grande. Espero que a camara se não recusará a votal-o (.Apoiados.), porque assim melhor se poderá chegar ao resultado que todos desejamos, isto é, que o publico saiba com mais brevidade o que se passa n’esta casa e possa verificar, com a menor demora possivel o modo por que cumprimos o nosso dever.

Hoje mesmo espero receber um relatorio a este respeito; apresentado pelo chefe da, repartição tachygraphica, e em vista das ponderações ahi feitas, a camara decidirá o que convirá fazer-se..

Não sei se com esta declaração e indicações que acabo de fazer satisfaço aos intentos do digno par o sr. conde de Rio Maior.

Agora vae fazer-se leitura do requerimento apresentado pelo mesmo digno par; antes d’isso, porém, póde s. exa. fazer n’elle os additamentos que ha pouco indicou.

Leu-se na mesa o requerimento do sr. conde de Rio. Maior.

Requerimento

Requeiro que me sejam enviados com urgencia pelo ministerio da marinha e ultramar o parecer da junta consultiva, e quaesquer outras informações e esclarecimentos relativos á concessão feita pelo decreto de 26 de dezembro ultimo para a exploração das minas e florestas de uma parte da provincia de Moçambique. = O par do reino, Conde de Rio Maior.

Peço tambem consulta do procurador geral da corôa, ácerca do mesmo assumpto. = Rio Maior;

O sr. Presidente: — Estes requerimentos costumam ser expedidos ao governo, quando acamara não acha n’isso inconveniente. Todavia como alguns dignos pares pediram a palavra, ao que me parece, sobre este requerimento, talvez para lhe fazerem alguns additamentos, vou primeiro dar a palavra a s. exa., e depois consultarei a camara se concorda em que se expeça o requerimento do digno par.

O sr. Marquez de Vallada: — Não tinha tenção de proferir uma unica palavra n’esta sessão primeira do anno que ha poucos dias começou; ouvindo, porém, as considerações apresentadas pelo meu nobre amigo e parente, o sr. conde de Rio Maior sobre um assumpto a respeito do qual tenho por varias vezes emittido a minha opinião, pareceu-me que não era fóra de proposito, nem impertinente, dirigir com o respeito costumado uma pergunta a v. exa.

O sr. José Maria de Sousa Monteiro, que fazia parte da repartição de redacção pertencente a esta casa, saiu da mesma repartição, creio por ter sido reformado como official de uma das secretarias de estado. Agora é moda reformar toda a gente, para entrarem novos empregados -; com o sr. Sousa Monteiro aconteceu, porém, o contrario.

O sr. Presidente: — Peco ao digno par que se limite ao assumpto de que agora nos estamos occupando.

O Orador: — Peço perdão, mas o assumpto de que me occupo é exactamente aquelle de que acabou de fallar o

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