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CAMARA DOS DIGNOS PARES DO REINO

SESSÃO N.° 6

EM 14 DE JANEIRO DE 1907

Presidencia do Exmo. Sr. Conselheiro Sebastião Custodio de Sousa Telles

Secretarios - os Dignos Pares

Luiz de Mello Bandeira Coelho
José Vaz Correia Seabra de Lacerda

SUMMARIO. - Leitura e approvação da acta. - Não houve expediente. - O Sr. Presidente, dando conta do lamentavel desastre de que ia sendo victima sua Alteza o Principe D. Luiz Fillipe, propoz que se lance na acta um voto de congratulação por sua Alteza ter saido incolume d'esse perigo. Associam-se a este voto os Dignos Pares Francisco Beirão, Ernesto Hintze Ribeiro, José de Alpoim, Conde de Bertiandos e Presidente do Conselho. Esta proposta é approvada por acclamação, bem como outra do Digno Par Beirão, que tem por fim a nomeação de uma commissão que manifeste a Sua Alteza a congratulação da Camara. O Presidente indica os Dignos Pares que devem compor essa commissão. O Sr. Presidente do Conselho declara que Sua Majestade a receberá ámanhã, ás onze horas da manhã, no Paço das Necessidades. - O Digno Par Teixeira de Vasconcellos participa que se acha constituida a commissão de revisão do regimento. - O Digno Par Campos Henriques chama a attenção do Governo para o facto de estar sem provimento o logar de facultativo municipal no concelho de Soure. Conclue mandando para a mesa um requerimento pedindo esclarecimentos pelo Ministerio da Justiça. - Responde a S. Exa. o Sr. Presidente do Conselho. - O Digno Par Francisco Beirão manda para a mesa o projecto de resposta ao Discurso da Corôa. Foi a imprimir. - O Sr. Ministro da Fazenda, por parte do seu collega da Justiça, manda para a mesa uma proposta de accumulação de funcções legislativas. - É approvada. - O Digno Par Jacinto Candido envia para a mesa um requerimento pedindo documentos ao Sr. Ministro da Fazenda. - É expedido.

Ordem do dia. - Continuação da discussão do parecer n.° 18, que incidiu no projecto que reforma a contabilidade publica. Usa da palavra o Digno Par Teixeira de Sousa. Dando a hora pede que lhe seja permittido continuar na sessão immediata. - Encerra-se a sessão, e apraza-se a seguinte, bem como a respectiva ordem do dia.

Pelas 2 horas 40 minutos da tarde, verificando-se a presença de 32 Dignos Pares, o Sr. Presidente declara aberta a sessão.

Foi lida e seguidamente approvada a acta da sessão anterior.

Não houve expediente.

O Sr. Presidente: - A Camara decerto tem conhecimento do lamentavel desastre que se deu no picadeiro do Paço das Necessidades e de que ia sendo victima Sua Alteza o Principe Real.

Felizmente Sua Alteza acha-se já restabelecido do incommodo que soffreu por essa occasião.

Proponho, portanto que a camara dos Dignos Pares lance na acta um voto de congratulação. (Apoiados geraes).

O Sr. Francisco Beirão: - Sr. Presidente, V. Exa. acaba de propor á Camara que exprima a sua congratulação por Sua Alteza o Principe Real ter saido quasi illeso do desastre que infelizmente lhe aconteceu.

Por este lado da Camara me associo effusivamente ás palavras de V. Exa., e creio que este sentimento de confraternidade será geral. Assim como a Familia Real Portuguesa tem sempre acompanhado a nação, todas as vezes que ella passa por desgostos ou tristezas, é justo tambem que a nação acompanhe a Familia Real Portuguesa, que recentemente soffreu um doloroso sobresalto. (Apoiados geraes).

Por isso, nós, como representantes da nação, devemos significar n'esta hora a solidariedade dos nossos sentimentos de jubilo e congratulação.

Sem querer de modo nenhum sobrepor-me á acção de V. Exa., faço um additamento á sua proposta no sentido de que a Camara nomeie uma commissão para ir ao Paço manifestar a Suas Majestades e ao Principe Real o voto que acabamos de exprimir. (Apoiados geraes).

(S. Exa. não reviu).

O Sr. Ernesto Hintze Ribeiro: - Cordialmente me associo, em nome do partido regenerador, ao voto de congratulação proposto pelo Sr. Presidente.

Nem esse voto traduz, somente, uma homenagem de respeito e devoção para com o futuro herdeiro da Corôa de Portugal; vae n'elle, tambem, um testemunho de intimo e sincero affecto pelo Principe que, a todos, tantas sympathias inspira e tantos enlevos prende.

Ainda ha pouco, ao abrirem-se as Côrtes, quando Sua Alteza o Principe Real empunhava o estandarte do regimento a que pertence, reflectindo-se na sua physionomia aberta, no seu olhar limpido e sereno, a convicção, que lhe ia n'alma, de que na sua mão levava o emblema da Patria, sentia-se afflorar, em quantos o viram, um fremito de enthusiasmo, que, mais do que o preito devido ao Principe herdeiro do Throno, expressava um sentimento vivo, que do coração de cada um partia.

O voto da Camara abrange, pois, não menos a congratulação que dirige ao Chefe de Estado, por ver salvo, de um accidente que lhe pudera ser fatal, o seu Filho estremecido e amado; e a Sua Majestade a Rainha, a bondosa e gentilissima Senhora, que nos seus desvelos de mãe carinhosa, nos attentos cuidados da sua inexcedivel solicitude, tanto tem contribuido para, de uma criança se fazer, já hoje, um caracter viril, intelligente e firme, que repre-