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N.º 12

SESSÃO DE 30 DE MAIO DE 1890

Presidencia do exmo. sr. Antonio Telles Pereira de Vasconcellos Pimentel

Secretarios - os exmos. srs.

Conde d'Avila
Visconde da Silva Carvalho

SUMMARIO

Leitura e approvação da acta. - Correspondencia.- O sr. presidente faz o elogio do sr. visconde de Almeidinha, e propõe um voto de sentimento pela sua morte. É approvado por unanimidade.- O sr. ministro dos negocios estrangeiros e o sr. Miguel Maximo enaltecem as virtudes do digno par fallecido, requerendo o segundo que se levante a sessão em signal de sentimento.- Ponderações do sr. ministro dos negocios estrangeiros.- O digno par retira o seu requerimento.- Manda para a mesa uma representação. pedindo que seja publicada no Diario do governo, o digno par Affonso Pequito. Consultada a camara, resolve que se publique.- O sr. Barros Gomes chama a attenção do governo para varios factos que têem occorrido em Obidos e promettem repetir-se em Peniche.- Responde lhe o sr. ministro dos negocios estrangeiros.- O digno par Costa Lobo interroga. o governo ácerca de documentos que lura no Livro azul, apresentado no parlamento inglez.- Responde-lhe o sr. ministro dos negocios estrangeiros.- O sr. presidente consulta a camara sobre se quer que continue este incidente. A camara resolve afirmativamente.- Usa novamente da palavra o sr. Barros Gomes.- Segue-se-lhe o sr. D Luiz da Camara Leme, referindo-se no seu discurso especialmente á nomeação do sr. Marianno de Carvalho para uma commissão em Africa - Responde lhe o sr. ministro dos negocios estrangeiros.- Discreteia sobre o assumpto em questão o digno par Vaz Preto.- Responde-lhe o sr. presidente do conselho de ministros.- Faz varias considerações o sr. conde da Arriaga.- Lê-Se um requerimento, que é expedido - Insta pela discussão de um parecer, dado para ordem do dia, o sr. conde de Lagoaça - Responde-lhe o sr. presidente.- Refere se tambem á alludida nomeação do sr. Marianno de Carvalho o digno par Pereira Dias -Levanta-se a sessão e designa-se a immediata, bem como a respectiva ordem do dia.

Ás duas horas e quarenta minutos da tardo, achando-se presentes 39 dignos pares, abriu-se a sessão.

Foi lida e approvada a acta da sessão antecedente.

Mencionou-se a seguinte:

Correspondencia

Officio do sr. ministro da marinha, enviando 100 exemplares do governo do governador da provincia de Macau e Timor, de 30 de setembro de 1889, com referencia a 1888-1889.

Officio do sr. presidente da camara dos senhores deputados, enviando 03 documentos pertencentes ao processo da ultima eleição de deputados por Bragança, e que haviam sido pedidos pelo digno par o sr. Pereira Dias.

(Estava presente o sr. ministro dos negocios estrangeiros.)

O sr. Presidente: - Estes documentos vão ser enviados ao digno par o sr. Pereira Dias.

Cumpro o doloroso dever de participar á camara o fallecimento do digno par o sr. visconde de Almeidinha, homem que prestou largos serviços ao paiz, e que soube sempre desempenhar os seus deveres de cidadão e de homem publico com a probidade e honradez propria de um tão nobre como distincto caracter.

O sr. visconde de Almeidinha que era um cavalheiro e um verdadeiro homem de bem, deixa de certo em todos os que com elle trataram a impressão dolorosa que eu sinto

n'este momento, que é a de uma grande saudade. Creio que interpreto bem os sentimentos da camara, propondo que se lance na acta um voto de profundo sentimento, e que se de conhecimento, á familia do illustre finado, d'esta deliberação da camara. (Muitos apoiados.)

Em virtude da manifestação da camara, desnecessario é eu consultal-a e será lançado na acta de hoje um voto de profundo sentimento.

O sr. Ministro dos Negocios Estrangeiros (Hintze Ribeiro): - Associava-se, com o maior sentimento, ás palavras proferidas pelo digno presidente a proposito das qualidades e virtudes de um prestante collega que a camara teve a infelicidade de perder; e tanto mais sincera e profunda é a sua magua pelo fallecimento do tão illustre cidadão, quanto o digno par visconde de Aimeidinha era seu dedicado e pessoal amigo.

Em um governo em que o orador geriu uma das pastas, occupara o visconde de Almeidinha um cargo importante na administração publica, como já anteriormente se desempenhara de outros, sendo que não só no desempenho das suas funcções administrativas, mas ainda no das legislativas, pela elevação dos seus sentimentos aquella nobilissima alma soube sempre conquistar a estima e consideração do todos.

O paiz, pois, perdeu n'elle um servidor prestimoso; o governo, um dos seus partidarios mais dedicados, e elle proprio, orador, um amigo tal e tão apreciavel que não póde deixar de sentir a mais entranhada magua ao não ver ali o visconde de Almeidinha.

(O d incurso de s. exa. será publicado na integra quando s. exa. haja revisto as notas tachygraphicas.)

O sr. Presidente: - A deputação que tem de assistir ao funeral do sr. visconde de Almeidinha, será composta dos dignos pares, marquez de Vallada, conde da Arriaga, conde de Carnide, conde da Folgosa, visconde da Azarujinha, visconde de Paço de Arcos e visconde de Ferreira do Alemtejo.

Os dignos pares serão avisados do dia e hora em que têem de prestar esta derradeira homenagem ao illustre finado.

O Sr. Miguel Maximo: - Sr. presidente, é a primeira vez que tenho a honra de fallar n'esta casa.

Por este motivo, e ainda por outros que prendem com a mediocridade do meu entendimento, peço a benevolencia de todos os dignos pares e estou certo que ella me não será negada, por isso que o meu espirito está um pouco alquebrado por ter de fallar diante de uma assembléa tão illustrada.

Sr. presidente, eu pretendo manifestar o meu sentimento de magua pelo fallecimento do digno par e meu amigo o .sr. visconde de Almeidinha.

A amisade com que elle mo honrou desde muitos annos não me dispensa de fazer esta declaração.

Sr. presidente, eu não choro a morte do nobre visconde de Almeidinha, apesar de ter sido uma grande personalidade, lamento mais e muito mais a perda das qualidades pessoaes que nobilitaram aquelle distincto cavalheiro.

Sr. presidente, para que um nome seja inscripto no livro dos juizos contemporaneos, basta que n'elle o inscreva,

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