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186 DIARIO DA CAMARA DOS DIGNOS PARES DO REINO

Consta-me que a nova arma já foi levada pelo seu auctor ao paço da Ajuda, e que Sua Magestade a viu experimentar; não sei, porém, quaes foram os resultados da experiencia. O que sei é que muitas pessoas, que têem tido conhecimento da arma, são unanimes em admirar o seu engenhoso mecanismo, que faz com que de trinta tiros por minuto, tendo uma reserva de doze cartuchos, de modo que se póde disparar successivamente sem tirar a arma da cara. Se isto é assim, póde-se dizer que é a primeira arma da Europa. E seria muito para estimar que o fosse, e que se podesse aproveitar vantajosamente o invento, para que o nosso exercito, que, na minha fraca opinião, tão mal armado está, ficasse com espingardas superiores ás dos outros exercitos.

Entrego este negocio nas mãos do sr. presidente do conselho de ministros, e estou certo que o não ha de abandonar, nem o auctor do invento, antes lhe facultará os meios precisos para que elle possa fazer valer o seu merito, e não se veja no risco de ter de abandonar o que tanto trabalho e despezas lhe custou, e que póde ser de grande vantagem aproveitar.

O sr. Presidente do Conselho de Ministros: - O digno par certamente não estranhará que eu diga que não tenho absolutamente conhecimento algum do negocio a que se referiu; é um ramo estranho completamente aos objectos de que me tenho occupado desde que estou no ministerio.

N'estas circumstancias não tenho mais a dizer senão que agradeço a s. exa. a justiça que me fez, quando declarou que estava certo que eu não abandonaria o auctor do invento, a que o digno par alludiu, porque realmente eu não poderia abandonar um individuo que mostra ter tanto merecimento, e de mais a mais sendo portuguez.

Creia s. exa. que, se a descoberta de que fallou tem o alcance indicado, ou mesmo um alcance menor, comtanto que seja um aperfeiçoamento, tenho muita satisfação que seja conhecida e aproveitada, e que o homem que teve a fortuna de conceber esse aperfeiçoamento não se considere um desgraçado.

Quanto aos emolumentos pela licença que pediu o auctor do invento, nada tambem posso dizer; mas fique certo o digno par que, assim que eu saia d'esta casa, hei de informar-me do estado d'este negocio, e prestar ao interessado todos os auxilios e protecção que tem direito a esperar do governo portuguez, e de todos nós portuguezes, que nos honrâmos de o ser.

O sr. Conde de Cavalleiros: - Agradeço ao nobre ministro a benevolencia com que accedeu aos meus desejos, declarando que trataria d'este negocio logo que saia d'esta casa.

Eu devo dizer mais á camara que, segundo informações que tive, toda a engrenagem da espingarda está occulta dentro da caixa da culatra, e tem a vantagem da arma não aquecer, como acontece ás de agulha actuaes.

Ora eu fallei no que pedem ao inventor para alcançar o seu privilegio, que são 72$000 réis; mas elle já os não tem para dar. Não seria portanto para admirar que um governo liberal e patriotico olhasse para um homem n'estas condições, evitando que a sua descoberta, em vez de ser para elle um verdadeiro titulo de gloria, seja um pesado castigo.

Chamando a attenção do sr. presidente do conselho, fico perfeitamente certo de que s. exa. não abandonará o negocio, e protegerá o infeliz.

O sr. Vaz Preto: - Sr. presidente, mando para a mesa a seguinte nota de interpellação ao sr. ministro das obras publicas.

(Leu.)

É do teor seguinte:

"Desejo interpellar o sr. ministro do reino ácerca do caminho de ferro do Valle do Tejo. = Vaz Preto."

Lida na mesa, mandou-se expedir.

O sr. Barros e Sá: - Mando para a mesa o parecer da commissão de marinha e ultramar sobre o projectado caminho de ferro da India.

Lido na mesa, mandou-se imprimir.

O sr. Presidente: - Os dignos pares que devem compor, alem da mesa, a deputação encarregada de apresentar a Sua Magestade os autographos dos decretos ultimamente approvados, são os srs.:

Conde de Cabral.

Marquez de Ficalho.

Antonio de Serpa Pimentel.

Conde de Avillez.

Marquez de Monfalim.

Convido, portanto, os dignos pares nomeados a comparecerem ámanhã, pela uma hora da tarde, no paço da Ajuda.

A ordem do dia era apresentação de pareceres. Diversos relatores, por parte das respectivas commissões, têem enviado trabalhos para a mesa. Se mais nenhum digno par tem que apresentar pareceres, vou levantar a sessão.

(Pausa.)

A primeira sessão terá logar na proxima sexta feira, 16 do corrente, sendo a primeira parte da ordena do dia a discussão do parecer n.° 203, e a segunda parte a apresentação de pareceres de commissões.

Está levantada a sessão.

Eram quasi tres horas e meia da tarde.

Dignos pares presentes na sessão de 14 de março de 1877

Exmos. srs.: Conde do Casal Ribeiro; Marquezes, de Avila e de Bolama, de Monfalim, de Vallada; Condes, de Avillez, de Bomfim, de Cabral, de Cavalleiros, da Louzã j Viscondes, de Bivar, das Larangeiras, de Ovar, da Praia Grande, da Silva Carvalho, de Soares Franco, de Villa Maior; D. Affonso de Serpa, Barros e Sá, Serpa Pimentel, Costa Lobo, Barjona de Freitas, Xavier da Silva, Palmeirim, Carlos Bento, Custodio Rebello, Sequeira Pinto, Barreiros, Larcher, Moraes Pessanha, Pinto Bastos, Reis e Vasconcellos, Vaz Preto, Franzini, Miguel Osorio, Menezes Pita, Vicente Ferrer.