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DIARIO DA CAMARA DOS DIGNOS PARES DO REINO 357

cas mandou já estudar e apresentar o plano de uma ponto de ferro sobre o Tejo em Villa Velha.

Peco a s. exa. que só apresse a realisar este melhoramento, que é urgente.

Contesto que senti bastante magna ao ouvir a declaração do sr. ministro das obras publicas, com relação ao caminho de ferro da Beira Baixa.

Vejo a pouca importancia que s. exa. liga presentemente a este caminho, quando foi o primeiro a propugnar por elle, e a mostrar, e mostrou bem, que o caminho de ferro da Beira Baixa era o primeiro caminho de ferro que se devia ter feito, porque elle era indubitavelmente a verdadeira linha internacional.

Que outro ministro podesse pôr de parte este melhoramento, comprehendia-se, mas o sr. Lourenço de Carvalho que estava tão convencido, e ainda está hoje, que aquella linha é a verdadeira linha internacional, é uma cousa que na realidade se não póde explicar, e por isso torno a dizer que senti bastante mágua ao ver o meu amigo, que considero tanto desde a universidade, fazer o sacrificio das suas opiniões e convicções depois de estar no ministerio.

Mando para a mesa o meu requerimento.

O sr. secretario leu e é do teor seguinte:

Requerimento

Requeiro que pelo ministerio do reino, seja enviada a esta camara copia dos seguintes documentos:

1.° Officio do governador civil de Castello Branco, de 6 de fevereiro de 1878,remettendo o auto de inspecção á estrada municipal do Villa Velha ao Gavião, e outros documentos;

2.º Portaria inedita do 21 de fevereiro de 1878, dirigida ao governador civil de Castello Branco;

3.º Auto de inspecção adestrada municipal do Villa Velha ao Gavião, feita em 4 de fevereiro de 1878;

4.° Copia das acta da sessão extraordinaria da camara de Villa Velha em 10 de dezembro de 1877;

5.° Copia das actas das sessões da referida camara de 15 de fevereiro o de 5 de março de 1877. = Vaz Preto.

Mandou-se expedir.

O sr. Presidente: - Os dignos pares que approvam que se expeça este requerimento tenham a bondade de se levantar.

Foi approvado.

O sr. Presidente: - Vae ler-se um officio do ministerio dos negocios estrangeiros.

Leu-se na mesa:

Um officio do ministerio dos negocios estrangeiros, remettendo os documentos pedidos pelo digno par marquez do Sabugosa, ácerca da execução de um subdito portuguez em Hespanha.

Para a secretaria.

O sr. Presidente: - Os documentos a que se refere este officio vieram para satisfazer um pedido do sr. marquez de Sabugosa, e têem relação com uma execução capital que teve Jogar em Hespanha.

Eu não sei se s. exa. está presente, mas em todo o caso os documentos ficam sobre a mesa para serem examinados pelo digno par.

O sr. Vaz Preto: - Mando para a mesa o seguinte:

Requerimento

Requeiro que, pelos differentes ministerios, sejam enviadas a esta camara umas relações dos empregados que vencem differentes gratificações, o bem assim requeiro que se declare o nome d'esses empregados e a importancia d'essas gratificações. = Vaz Preto.

O sr. Presidente: - Os dignos pares que approvam que se expeça este requerimento tenham a bondade de se levantar.

foi approvado.

O sr. Presidente: - Vae ler-se um officio que chegou á mesa, acompanhando alguns exemplares da colleção de documentos relativos a sindicancia que se fez á penitenciaria.

Leu-se na mesa:

Um officio da presidencia da camara das senhores deputados remetendo 100 exemplares de todos os documentos relativos á syndicancia parlamentar ás obras da penitenciaria central de Lisboa.

O sr. Barros e Sá: - Peco a v. exa. que consulte a camara se consente que os documentos mandados para a mesa pelo sr. ministro dos negocios estrangeiros, a respeito de uma execução em Hespanha, sejam, publicados no Diario do governo.

(Entra o sr. ministro da fazenda.)

O sr. Presidente: - O sr. Barros e Sá pede que sejam publicados no Diario do governo os documentos que acabam de chegar á mesa em virtude de um requerimento do sr. marquez de Sabugosa.

Os dignos pares que deferem este pedido tenham a bondade de se levantar.

Foi approvado.

O sr. Conde do Casal Ribeiro: - Desejo unicamente usar da palavra para dirigir uma pergunta, e se v. exa. não me poder responder, seguramente o sr. ministro da fazenda, que está presente, o pudera lazer. A pergunta é se o sr. ministro da fazenda já se declarou habilitado para responder á interpellação annunciada pelo meu illustre collega o sr. Carlos Bento sobre a questão bancaria. Esta questão é importante e é urgente.

A camara não tem, por agora, muitos assumptos de que se occupar, porque ha apenas um projecto que tem parecer de commissão, o que se refere á organização do governo da Guiné, o esse mesmo, como o sr. ministro da marinha está na outra casa do parlamento empenhado n'uma questão importante, e talvez não possa vir aqui com brevidade, não poderá, por emquanto entrar em discussão. Por consequen-cia aproveitariamos bem ao tempo examinando a grave questão sobre a qual sr. Carlos Bento chamou a attenção do sr. ministro da fazenda, porque a camara de certo não se contentou com a declaração que o governo fez pela bôca do sr. presidente do conselho de que o gabinete tinha bastantante credito para acudir aos bancos e outros estabelecimentos analogos. Esta resposta não me parece cabal.

É preciso que só examine profundamente a questão, é preciso saber-se, porque, tendo o governo entrado n'um caminho que até certo ponto póde justificar-se quando se dão circumstancias extraordinarias, quaes as rasões porque, depois das medidas que adoptou em 1870, não mandou proceder aos necessarios inqueritos para se conhecer das verdadeiras condições dos bancos, e se não haveria risco de se aggravar a crise, como os factos vieram depois depois demonstrar que se aggravou.

Desde 1876 póde-se dizer que, se não estamos n'uma crise financeira, estamos n'uma crise economica, que se vae tornando chronica. Não fallo de crise financeira, mas de difficuldades gravissimas, uma das quaes e certamente a alta do desconto. O trabalho resente-se, o commercio resente-se tambem, a crise vae-se aggravando e tornando-se bastante sensivel, bastante penosa.

Na discussão da resposta ao discurso da corôa já foi tratado por alguns dignos pares este assumpto, sobre o qual entendi que devia expor tambem a minha opinião, não obstante considerar me o ultimo entre aquelles meus collegas. Não tivemos uma palavra de resposta, senão aquella phrase inacceitavel do sr. presidente do conselho.

É urgente que o governo pense n'esta maioria, e que a camara dos pares n'uma discussão detida, não apaixonada, nem o assumpto é para isso, mas grave e seria, se occupe d'ella com a attenção que merece.

Desejava, portanto, saber se o sr. ministro está habilitado para responder á interpellação a que me refiro; e, no caso de o estar, pediria que ella fosse dada por v. exa.