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DIARIO DA CAMARA DOS DIGNOS PARES NO REINO

Pessanha, Mamede, Pestana Martel, Braamcamp, Pinto Bastos, Reis e Vasconcellos, Camara Leme, Vaz Preto. Franzini, Dantas, Ferreira Novaes, Barjona de Freitas.

Discurso do sr. ministro da marinha, pronunciado na sessão de 11 de março corrente, e que devia ler-se a pag. 419, col. 2.ª, lin. 05.

O sr. Ministro da Marinha (Thomás Ribeiro): — Sr. presidente, eu creio que n’este momento não está nenhum digno par inscripto nem a favor nem contra o projecto, por consequencia talvez me corresse o dever da abster-me de tomar a palavra, visto que tenho o maior desejo, já por vezes manifestado, de que se vote este projecto, e porque, alem disso, podia depois em explicações dar as respostas que pediu o orador que acabou de fallar; porém, sr. presidente, creio que corresponderia mal a delicadeza com que tenho sido tratado por todos os dignos pares, se não respondesse desde já, ainda que mui summariamente, ás perguntas que me têem sido dirigidas pelo meu illustre amigo o sr. Vaz Preto.

O sr. relator da com missão declarou que n’este negocio não bastava dizer-se o fiat hix para que a lua fosse feita, porque havia n’elle alguns pontos que requeriam ser estudados com todas as precauções. S. exa. referiu-se justamente a essas medidas complementares sobre instrucção publica, fazenda, saude publica, etc.

Agora não tratâmos de organisar definitivamente essas repartições, por uma rasão muita simples; é melhor que o governador que se nomear para a Guiné se vá servindo durante algum tempo com as repartições que ali estão montadas e depois informo o governo ácerca do que convem fazer, do que organisarmos a esmo e sem base repartições e serviços que podem ficar insufficientes ou exagerados e cereal logo de se reformarem.

Estas repartições virão a ser organisadas pelo molde das de S. Thomé e Principe. E devo n’esta parte e de fugida dizer ao digno par e meu amigo o sr. conde do Casal Ribeiro, que me pareceu tão impressionado com os titulos de conselho dados aos governadores, que a esta governador não pertence, por lei, o titulo de conselho. É possivel que venha a merecel-o, e esse seria certamente o desejo dos poderes publicos.

Quanto á questão do vapor Hugh Parry, temos de um lado a affirmativa do sr. Vaz Preto ou do sr. França Netto, que se oppõe completamente á dos proprietarios d’aquelle navio.

N’este embate de declarações nada poderemos lucrar, porque nada podemos decidir.

Que nem ao governo foi este vapor offerecido, posso eu affirmar.

Mandei pessoas competentes examinal-o e avaliar quanto ella podia custar. E persuadido de que servia aos fins que eu tinha em vista, mandei solicitar que m’o vendessem! É quanto posso dizer.

Disse o digno par que eu tinha declarado não haver feito essa compra, mas que era certo haverem-sa-lha feito concertos ou melhoramentos no arsenal.

É verdade.

Não o comprei ainda, torno a dizer. Estou á espera de que esta camara vote o projecto que se discute para eu obter a necessaria auctorsisação sem a qual não posso compral-o.

Mandei-o beneficiar de accordo com o proprietario que á contingencia de não ser votada a lei a isso se sujeitou, e mandei-o beneficiar para o ter prompto quando a lei se votasse.

Se não quizesse o parlamento acceitar a minha proposta, eu me defenderia do meu procedimento.

Supponho que depois d’isto não suo as informações dos jornaes, mas esta minha declaração, que o digno par deve acreditar.

O que eu peço tambem ao digno par é que me mando, por obsequio, as informações que hontem leu; porque o meu maior desejo é, em vez de comprar por 6:000$000 ou 8:000$000 réis, poder comprar por 2:000$000 ou 3:000$000 réis.

Quanto a ter eu, no orçamento que fiz, calculado o custo de cada arma em 18$000 réis, a verdade é que apenas fui pouco explicito; ao que eu me queria referir era, não só á arma, mas ao armamento completo de um soldado.

O sr. Costa Lobo: — Peço a palavra.

O Orador: — Sr. presidente, creio que são estas as explicações que me pediu o digno par, o sr. Vaz Preto.

Resta-me apenas responder ás objecções que se apresentam sobre ser a capital da provincia em Bolama.

Porque repugna aos dignos pares esta disposição? Não estava na minha proposta, é verdade, mas não me repugnou acceitar esta emenda, em primeiro logar porque Bolama é tida, n’uma parte ao menos, por salubre. Os inglezes ali estiveram e escolheram o melhor sitio para se estabelecerem.

Seguir n’esta parte o exemplo dos inglezes não parecerá imprudencia. Nos sitios, onde elles permanente ou temporariamente habitam, costumam sempre ficar umas certas condições de conforto, deve dar-se isto com respeito a Bolama.

Ali ha uma povoação e n’ella um largo ou praça com o nome do sr. duque de Bolama; ha uma rua com o nome d’esse Honorio Pereira Barroto, tão justamente louvado pelo digno par o sr. conde do Casal Ribeiro.

Poderia esperar por mais esclarecimentos, para bem avaliar se ali devia ser a capital, mas entendi que não valia a pena, sobretudo pela importancia relativa, confirmada mesmo pelo sr. conde do Casal Ribeiro, que Bolama trouxe ao commercio da Guiné.

Como vejo que alguns dignos pares têem pedido a palavra, o que me prova que a camara não quer ainda hoje votar este projecto, já tão largamente debatido, serei mais extenso do que desejava.

A camara votará quando muito bem o entenda na sua alta sabedoria, e a mim resta-me, se v. exa. m’o consente, apesar da estreiteza do tempo, dizer duas palavras relativamente ao longo e brilhante discurso do meu amigo, sempre por mim admirado, o sr. conde do Casal Ribeiro.

Começarei por lembrar que foi s. exa. uma das pessoas que na minha iniciação politica mais me animaram nas discussões parlamentares.

Tenho a memoria agradecida, nunca me esquecem os favores que recebo.

Já lá vão annos bastantes desde que a sua voz eloquente me deu animações, quando encetei a minha carreira parlamentar; mesmo na epocha approximadamente em que n’ella entrou tambem o meu amigo o sr. Vaz Preto, que então militava no mesmo campo politico em que assentei praça, onde nos tornámos amigos, prolongando-se até hoje a nossa amizade.

O sr. Vaz Preto: — Apoiado.

O Orador: — Dizia eu, que foi o sr. conde do Casal Ribeiro um dos primeiros que me animaram ao entrar eu na vida politica, lembra-me perfeitamente; por isso ainda mais senti as allusões que o digno par fez hoje n’esta casa do parlamento a respeito de uma questão finda, a respeito da concessão do terrenos e exploração das minas na Zambezia feita ao sr. Paiva de Andrade, questão que não estava já aqui em discussão.

O digno par tem obrigação de ser muitissimo benevolo para com todos. Que um homem do esphera mediana tenha ás vezes o capricho ou a veleidade de desgostar as pessoas com quem falia, dirigindo-lhes um gracejo aggressivo, para mostrar o seu espirito, comprehende-se; mas que um homem tão altamente collocado por Deus e poios homens o faça, não póde ter desculpa.

Ao digno par pertencem os largos horisontes, e esse cam-