O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

DIARIO DA CAMARA DOS DIGNOS PARES DO REINO 291

Tres dias ha, sr. presidente, que os bispos actualmente presentes n'esta capital e que têem assento n'esta casa do parlamento se haviam reunido para convencionarem a fórma por que deveriam proceder ácerca do projecto das reformas, que está na tela do debate, e resolveram votar a generalidade do projecto, rejeitando, porém, na especialidade a reforma do § 14.° do artigo 75.°, cuja doutrina entendem no campo, dos principies não poder harmonisar-se com a liberdade e independencia da igreja na pratica de sua administração. -

E já vê o digno par o sr. Ornellas, que a pronunciação do futuro voto dos meus collegas e do meu sobre as reformas que se discutem, o era já um acto muito anterior á sua apostrophe.

Direi sr. presidente, que os meus collegas e ou estamos profundamente dominados, do sentimento da nossa dignidade e da consciencia de nossos deveres, os quaes saberemos cumprir, não só como bispos catholicos, más ainda como cidadãos portuguezes. (Repetidos apoiados.)

E n'esta qualidade votaremos a reforma que se discute, porque a igreja catholica não duvida acompanhar a natural evolução do progresso, em que as nações vão caminhando através do tempo. As leis humanas, sr. presidente, são regras praticas para remediar necessidades, e sendo estas necessidades variaveis em virtude das circumstancias do tempo, logares, costumes, etc., é por isso mesmo que as leis não podem deixar de soffrer variadas modificações, não podem deixar de soffrer mais ou menos a necessidade da sua reforma. O que muito importa é que essa reforma seja feita com acertado criterio.

Não desejamos, sr. presidente, crear o mais leve embaraço á conveniente, á regular administração do estado, no intuito do seu progressivo melhoramento moral e material.

A igreja quer o progresso, quer a civilisação, e para isso fomenta e desenvolve, pela salutar influencia da sua doutrina, a liberdade, a igualdade e a fraternidade.

Ella quer o progresso, quer a civilisação, e disto tem ella dado sobejas provas durante dezenove seculos. E dezenove seculos, sr. presidente, é um periodo assas longo para provar quanto têem sido e continuarão a ser beneficos á humanidade os salutares influxos da religião catholica.

Mas, sr. presidente, a civilisação que a igreja admitte é a verdadeira civilisação, a civilisação no conjuncto dos dois elementos que devem constituil-a: o elemento moral, que comprehende os bons costumes, as sciencias é as artes, e o elemento material, que abrange as artes mechanicas, a industria e as riquezas; que e só póde admittir a civilisação no inteiro conjuncto d'aquelles elementos.

Mas se deseja que as prosperidades materiaes se desenvolvam no seio dos povos, ella dedica os mais insistentes esforços á reforma dos costumes, dedica os maiores desvelos ao elemento moral, porque é n'essa reforma que está a mais solida e segura garantia da ordem e da felicidade das nações, da paz e prosperidade do individuo, da familia e da sociedade.

Termino aqui, sr. presidente, estas breves considerações, que foram, em verdade, inspiradas no desejo de procurar levantar do episcopado portuguez, que tem assento n'esta casa, um certo desfavor que porventura podesse deduzir-se da apostrophe a que me tenho referido, dando assim, em nome dos meus collegas e do meu, uma satisfação aos impulsos da nossa consciencia e ao sentimento do nosso dever.

Tenho dito.

Vozes: - Muito bem, muito bem.

(O orador foi comprimentado por grande numero dos dignos pares.}

O sr. Presidente: - A seguinte sessão será na segunda feira proxima, e continua a mesma ordem do dia.

Está levantada a sessão.

Eram cinco horas e dez minutos da tarde.

Dignos pares presentes na sessão de 29 de marco do 1884

Exmos. srs. João de Andrade Corvo; Duques de Loulé, de Palmella; Marquezes, de Alvito, de Fronteira, de Penafiel, de Sabugosa, de Vallada; Arcebispo de Braga, Condes, das Alcáçovas, de Alte, de Bertiandos, do Bomfim, da Borralha, do Casal Ribeiro, de Ficalho, de Fonte Nova, de Gouveia, de Linhares, de Margaride, da Ribeira Grande, de Rio Maior, de Samodães, de Valbom; Bispos, de Bragança, da Guarda, de Vizeu, Eleito do Algarve; Viscondes, de Almeidinha, de Alves de Sá, da Arriaga, de Asseca, da Azarujinha, de Bivar, da Gandarinha, do S. Januario, de Monte São, de Moreira de Rey, de Seabra, de Seisal, de Soares Franco, de Villa Maior; Barão, de Santos; Ornellas, Pereira de Miranda, Quaresma, Sousa Pinto, Barros e Sá, Couto Monteiro, Fontes Pereira do Mello, Serpa Pimentel, Costa Lobo, Telles de Vasconcellos, Cau da Costa, Palmeirim, Basilio Cabral, Bernardo de Serpa, Montufar Barreiros, Costa e Silva, Francisco Cunha, Henrique de Macedo, Larcher, Jeronymo Maldonado, Mártens Ferrão, Abreu e Sousa, Mendonça Cortez Pestana, Martel, Gusmão, Gomes Lages, Braamcamp, Castro, Ponte Horta, Mello Gouveia, Costa Cardoso, Mexia Salema, Silvestre Ribeiro. Bocage, Seixas, Pereira Dias Vaz Preto, Franzini, Canto e Castro, Miguel Osorio, Placido de Abreu. Calheiros e Menezes, Thomás Ribeiro, Thomás de Carvalho, Vicente Ferrer, Seiça e Almeida.