O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

N.º 39

SESSÃO DE 10 DE JULHO DE 1890

Presidencia do exmo. sr. Antonio Telles Pereira de Vasconcellos Pimentel

Secretarios-os exmos srs.

Conde d'Avila
Conde de Lagoaça

SUMMARIO

Leitura e approvação da acta.- O digno par o sr. Sá Carneiro faz varias refl-xôes sobre a sua reforma e de varios officiaes.- O sr. ministro dos negocios estrangeiros responde.- O digno par o sr. Firmino João Lopes manda para a mesa o parecer da commissão de administração publica sobre os meios necessarios pai a impedir a invasão da epidemia do cholera. Consultada a camara, dispensa-se o regimento, é lido o parecer e entra cru discussão o projecto respectivo. - O digno par o sr. Pereira Dias faz curtas observações sobre o assumpto. É approvado o projecto na generalidade e na especialidade.- O sr. presidente declara que; conviria passar á segunda, parte da ordem do dia pelo adiantado da bom, ficando a primeira para a sessão seguinte. Como a camara não se oppõe, passa-se á segunda parte da ordem do dia. - O digno par o sr. Agostinho de Ornellas manda para a mesa o parecer sobre a eleição para digno par do br. José Gregorio da Rosa Araujo. Foi a imprimir.

Ordem do dia (segunda parte).- O digno par o sr. Vaz Prelo manda para a mesa uma representação das classes graphica =, protestando contra a lei da imprensa, para a qual requer a publicação no Diario da camara; o depois de ler a sua moção, faz extensas considerações sobre a dictadura anterior ás eleições, que taxou de prejudicial ao paiz e perigosa; e sobre a posterior ás eleições, e essa capitulou-a de anti-patriotica, anti-liberal e affrontoso para o paiz e para o parlamento. O orador refere se ainda a reorgamisação do exercito, sobre a qual formula ao governo sete perguntas, e ao decreto das incompatibilidade;. É lida e admittida moção do digno par. A camara consente que a representação das classes graphicas seja publicada no Diario da camara.- Responde-ao digno par o sr. ministro dos negocios estrangeiros.- O digno par o sr. Marino Franzini usa da palavra para censurar o governo sobre os decretos dictatoriaes, e fica com a palavra reservada.- É levantada a sessão e designada ordem do dia.

Ás duas horas e cincoenta minutos da tarde, achando-se presentes 29 dignos pares, abriu-se a sessão.

Foi lida e approvada a acta da sessão antecedente.

Não houve correspondencia.

(Estiveram presentes os srs. ministros dos negocios estrangeiros, das obras publicas e da construcção publica e bellas artes.)

O sr. Sá Carneiro: - V. exa. ha de lembra-se de de que eu já por mais de uma vez me tenho referido aos tres facultivos que me inspeccionaram, que não cumpriram as ordens do ministro da guerra, ou da commissão sua delegada.

Requeri que me fossem enviados os documentos onde estão exaradas as opiniões d'esses facultativos que me julgaram incapaz para todo o serviço.

Sei o que diz esse processo, e d'elle não consta cousa alguma que se approxime da verdade.

Attribuem-me moléstias que não tenho, mas isso não me surprehende, porque tinham o santo e a sonha, como vulgarmente se diz, para fazerem o que fizeram, e para escreverem o que escreveram.

Fizeram commigo o mesmo que se fez a um official de artilheria, a quem tambem a junta descobriu molestias que não tinha, foi o sufficiente para o darem por incapaz de todo o serviço, como referiu o digno par sr Camara Leme.

Isto é tanto verdade, que os medicos estranhos á junta, consultados a tal respeito, não concordaram com a opinião dos seus collegas que examinaram aquelle official, que não ponde appellar, porque a appellação existe só para os recrutas, para os officiaes não a ha.

O sr. Serpa devia ter evitado estes factos irregulares, mas ao contrario, contribuiu muito para elles, e não ha remedio contra isto, porque, como muito bem disse o sr. Thomás Ribeiro, já não existe parlamento.

É preciso saber quem deu as ordens e como ellas foram cumpridas, mas o sr. Serpa não responde cousa nenhuma.

Exoneraram-me, foi esta a unica honra que me concederam. Despediram-me como se despede um creado de servir, de maneira que isto quer dizer que todos os serviços que prestei foram dados como inuteis.

Se me fosse possivel desfazer esses serviços, desfazia-os.

No tempo em que eu andava pelas batalhas, gritava-se só: Viva a carta, viva a Rainha.

N'esse tempo havia crenças e affecto, e não dictadores como os de hoje.

Pouco me importa que s. exas. tenham assumido a dictadura; queixo-me apenas pelo facto de me tirem disconsiderado.

Andam a rasgar a carta aos pedaços.

Onde está a carta?

Os srs. ministros só dizem que ella existe quando isto lhes faz conta, de vez emquanto; o facto porem é que ella morreu, e hoje só ha dictaduras e dictadores.

Estudei latim, e sei que o primeiro dictador foi Cincinato; mas os srs. ministros estão longe de ter a estatura d'aquelle vulto grandioso.

O sr. Serpa está anemico, está tisico, eu ainda espero assistir ás suas exequias.

Sim, senhores, tenho a esperança de assistir ao funeral do sr. Serpa.

O paiz está agitado, e ninguem faz caso disto.

Fui reformado em nome das conveniencias de serviço publico.

Ondem existem, onde estão essas conveniencias publicas ?

Uma das cousas que mais me vexou foi o facto de ter sido substituido por pessoa que tem menos saude do que eu, e por isso, com maioria de rasão, não póde satisfazer completamente a missão que lhe foi confiada.

Os serviços prestados ao paiz por qualquer homem pouca importancia teem para o governo.

Sr. presidente, tenho de fazer uma rectificação. Disse-se lá fora que eu tinha uma bala em casa para legar ao senhor D. Carlos I.

Devo declarar que não n, tenho em casa, mas sim no meu corpo, e que depois da minha morte será apresentada a D. Carlos l, a fim de que elle saiba que alguma cousa me custou a sua causa, e não pouco.

Desejo, sr. presidente, que o sr. ministro da guerra indague as rasões que tiveram os facultativos para me darem por incapaz para o serviço, attribuindo me falsas doenças.

Só falta agora a suspensão de garantias; quando este

45