O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

204 DIARIO DA CAMARA DOS DIGNOS PARES DO REINO

quero tornar desagradavel. Fiz as declarações que devia fazer, chamando a attenção do governo para estes pontos.

Se de futuro elle administrar bem o paiz e apresentar medidas que sejam de reconhecida utilidade publica, prestar-lhe hei o meu voto, aliás continuarei a combate lo. E é isto mesmo o que tenciono fazer a qualquer outro governo que o substitua. Tenho concluido.

(Leu se na mesa uma proposta de lei vinda da outra camara.)

O sr. Ministro das Obras Publicas (Visconde de Chancelleiros): - Pediu que se dispensasse o regimento para entrar em discussão um projecto vindo da outra camara, e que diz respeito á repartição a seu cargo, assim que a commissão respectiva der sobre elle parecer.

O sr. Visconde de Fonte Arcada: - Este projecto veiu agora da camara dos senhores deputados. Não se póde tratar delle sem ir a uma commissão.

Uma VOZ: - Já está na commissão.

O Orador: - Estamos dando um espectaculo ridiculo. O systema representativo está desvirtuado pelo modo por que tratamos as questões mais importantes.

O sr. Ministro das Obras Publicas: - Em resposta disse que pedia a dispensa do regimento, não para que deixasse de haver parecer, mas para que se desse preferencia para a sua discussão a qualquer outro; o que fizera, não como ministro, mas como par do reino.

Por esta occasião, deu explicações sobre varios pontos do discurso do sr. conde de Cavalleiros.

O sr. Larcher: - Direi apenas poucas palavras que vão de accordo com algumas das reflexões apresentadas pelo digno par, o sr. coade de Cavalleiros.

Todos sabem quantas vezes eu tenho procurado chamar a attenção do governo sobre as nossas colonias, a fim de ver se conseguimos dar-lhes o maximo desenvolvimento, do qual póde talvez provir a salvação d'este paiz (apoiados). Entre os meios que a ecte fim conduzem sempre considerei a organisação das missões ultramarinas como o mais proficuo e o mais urgente (apoiados); nenhum meio mais facil nem mais prompto poderá concorrer para a civilisação moralisação, para a conquista pacifica d'aquelles povos (apoiados). Consta-me que á commissão de marinha e ultramar foi presente um projecto com referencia a esta questão, e que por falta de tempo talvez não foi elle apresentado a esta camara, decorro portanto ao governo, representado aqui pelo sr. ministro das obras publicas, pedindo com instancia a elle e a seus collegas que sem mais tardar se occupem do importante assumpto colonial, cuja magnitude está demonstrada, de cuja rapida resolução resulta a melhoria de estado das nossas colonias, assim como a salvação e a regeneração da metropole.

Para alcançar tão desejados effeitos, deve a questão ser resolvida sem demora debaixo do ponto de vista tratado com tanta proficiencia pelo digno par, o sr. conde de Cavalleiros, sem comtudo se descurarem os melhoramentos materiaes que tanto concorrem para o desenvolvimento da civilisação e do progresso.

Lembro tambem como importante, necessario e urgente o estabelecimento de carreiras a vapor, que nos assegurem a rapidez, a regularidade e a frequencia de communicações com as nossas colonias. Recordar-se-ha v. exa. que não ha muitos dias chamei aqui a attenção do governo sobre esta questão de interesse vital, e claramente mostrei quanto receiava que a final de tantas hesitações ficassemos reduzidos ao pessimo serviço da actual companhia de navegação para Africa. Estes receios tomam mais corpo agora, que ha falta absoluta de tempo para se recorrer a outro meio, e não querendo alongar mais estas minhas observações, termino já, pedindo encarecidamente ao illustre ministro, o sr. visconde de Chancelleiros, zeloso pela cousa publica, que, afastando quaesquer considerações mesquinhas por falsas economias, inste sem cessar pela prompta resolução d'estas questões capitães.

O sr. J. L. da Luz: - Sr. presidente, pedi a palavra para declarar a v. exa. e á camara, que dos membros da commissão de fazenda sou o unico que estou presente, e por isso não é possivel dar-se parecer algum. Posso dar a minha opinião sobre o assumpto, como qualquer outro digno par; mas isso não é parecer.

O sr. Visconde de Soares Franco: - Sr. presidente, eu tinha pedido a palavra quando o sr. conde de Cavalleiros se referiu a uma noticia, que se propalou, de que o governador de Tete a resposta que tinha dado a um enviado do Bonga tinha sido mandar-lhe cortar a cabeça.

Não ha noticia alguma offieial com relação a esse facto, nem mesmo indicações que nos possam levar a acreditar nelle; provavelmente foi uma noticia, como tantas outras dadas pelos jornaes, sem fundamento algum, e a que se não deve ligar nenhuma importancia, e menos ainda tirar illações; mas se porventura fosse verdadeiro o facto, o governador devia ser considerado como um assassino, e como tal processado.

Com relação ao outro objecto, de que o digno par se occupou, é de grande importancia, mas não me é possivel n'este momento dar ao assumpto o desenvolvimento que requer.

Refiro me ás missões. Sempre que tenho n'esta camara tratado da marinha,
tenho-me tambem occupado das colonias, pois quem falla em uma cousa occupa se necessariamente da outra, tal é a sua ligação; pois que das nossas colonias tanto temos a esperar, especialmente de Moçambique, d'aquelles terrenos auriferos e diamantinos, aonde brota o cafeeiro, o algodoeiro e a canna de assucar, é já tempo de conhecer que é necessario que se olhe para as nossas provincias ultramarinas com o maior desvelo e attenção, não dando logar a que se diga, como já se diz e escreve no estrangeiro, que se os portuguezes não podem, ou não sabem, ou não querem, providenciar convenientemente com relação a este assumpto, devem ser expropriadas para utilidade publica.

Não desenvolverei n'este momento, por não ser opportuno, a minha oppinião sobre este gravissimo assumpto, porque seria necessario tratar da marinha, sem a qual não poderemos conservar essas terras feracissimas que ainda possuimos, e que constituem uma rica herança; mas infelizmente n'este paiz trata se actualmente de desvairar a opinião publica, desacreditar os nossos navios, ridicularisar a corporação da armada, que tantos serviços está fazendo ao paiz, como todos sabem; precisâmos portanto tratar dos meios materiaes e moraes, lembrando que os navios são as pontes e os caminhos de ferro, que são elles que nos dão importancia, porque, se este paiz não for maritimo e colonial, não tem rasão de ser, não póde existir: é por isso que sustentando e defendendo a necessidade de augmentar a nossa força naval, não sustento nem defendo interesses particulares, ou individuaes, ou mesmo de classe, sustento e defendo a integridade do meu paiz, á sua independencia e autonomia. Tenho portanto a convicção profunda que, se empregarmos os meios convenientes, temos muitos recursos; o que se precisa é civilisar os pretos, crear necessidades, bons governadores e uma marinha propria e adequada para bem desempenhar o serviço feito em climas insalubres, com tanto risco dos nossos valentes marinheiros.

Teria muito que dizer, é necessario esclarecer o paiz, porque n'estes ultimos tempos, tem sido uma epocha nefasta para a marinha e para o paiz; mas não ha remedio, senão resumir o mais possivel as idéas que me occorrem (apoiados), e por isso concluo.

O sr. Marquez de Niza: - Sr. presidente, pedi a palavra quando estava fallando o sr. ministro das obras publicas em resposta ao sr. conde de Cavalleiros.

Quando se apresentou aqui antes de hontem esse projecto, pedindo o seu adiamento o sr. marquez de Vallada, eu insisti em que se entrasse na discussão por duas rasões. A primeira, porque tinha sido ouvido o governo na commissão,