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DIARIO DA CAMARA DOS DIGNOS PARES DO REINO 41

verba auctorisada para o novo anno economico, e que as obras haviam de ser feitas por tarefas e que não cabia no tempo concluirem-se os processos respectivos para este fim; a isto disse-me que o governo não queria de certo perder a eleição, pelo motivo de eu não querer abrir os trabalhos; parecendo-me que este argumento tinha fundamento marchei para a Covilhã e abri os trabalhos; isto é, mandei começar a fazer um aqueducto que me levará a semana toda, fazendo uma diminuta despeza, e fixei editaes para arrematação das tarefas, tencionando no dia 9 suspender os trabalhos (note a camara que o dia 9 era a vespera das eleições) até que as cousas entrem, no verdadeiro caminho. Sei que n'isto ha irregularidades e por isso eu peço a v. exa. me releve similhantes faltas que não tiveram por causal senão o eu querer evitar conflictos com as auctoridades. Peço a v. exa. para meu descanso me diga alguma cousa. Sou com a maior consideração. De v. exa. obrigado, creado, etc. Castello Branco, 3 de julho de 1811. = João Gadanho Serra Junior."

Sr. presidente declaro a v. exa. solemnemente que eu não sabia quem era o governador civil de Castello Branco. Soube depois que com effeito nem havia ainda governador civil nomeado. Dou esta explicação, a unica que eu poderia eliminar d'este discurso, por não ter nada com a questão, por uma mera deferencia de consideração pessoal.

Continuo lendo os outros documentos de responsabilidade minha e inspirados pelo zêlo, pela disciplina dos serviços a que eu presidia como ministro.

"Telegramma.-Director das obras publicas do districto de Castello Branco.

"Suspenda immediatamente os trabalhos que mandou principar na Covilhã. De parte de assim o ter cumprido. Julho 5 de 1871. = O director geral interino, Joaquim Simões Margiochi.

"Está conforme. Repartição de obras publicas, em 23 de agosto de 1871. = Joaquim Simões Margiochi."

"Illmo. sr.- Em confirmação do meu telegramma de hoje encarrega-me o exmo. ministro, de dizer a v. sa., que deve mandar suspendeu immediatamente os trabalhos começados na Covilhã e dar parte a esta repartição de assim o ter cumprido.

"S. exa. não permitte que deixo de executar-se o determinado nos §§ 3.° e 6.° da portaria de 21 do mez passado. A feitura do lanço da ponte da Degoldra a Teixoso não deve ter logar senão quando a camara municipal da Covilhã houver adquirido todos os terrenos que a estrada deve occupar entre a Fabrica Real e a Fabrica Velha, e entregado a v. sa. os titulos ou documentos em que prove que elles lhe pertencem, e quando para a construcção se tiverem designado os fundos que n'ella deverão consumir-se durante o anno economico de 1871-1872.

"Deus guarde a v. sa. Ministerio das obras publicas, commercio e industria, em 5 de julho de 1871. - Illmo. sr. engenheiro João Gadanha Serra Junior, em commissão na direcção de obras publicas do districto de Castello Branco. =O director geral interino, Joaquim Simões Margiochi.

" Telegramma. - Director das obras publicas de Lisboa. - Cumpri o determinado no telegramma que acabo de receber, suspendendo os trabalhos na Covilhã. Despeza 7$200 réis. = João Gadanho Serra, engenheiro.

"N. B. Tem data de expedido em 5 de julho de 1871, ás 6 horas e 10 minutos da tarde.

" Telegramma -: Ao director das obras publicas do districto de Castello Branco.

".Continue, por ordem de s. exa. o ministro, as obras começadas na Covilhã. O director geral interino,. = Joaquim Simões Margiochi."

"Sendo chamado hoje ao gabinete de s. exa. o presidente do conselho de ministros, foi-me entregue por s. exa. o ministro das obras publicas apresente minuta de telegramma, ao qual sómente juntei as palavras "na Covilhã", e logo o expedi (uma hora da tarde), declarando-me s. exa. o presidente do conselho de ministros, á falta de despacho escripto, que era negocio resolvido em conselho e que d'este facto exarasse nota no processo.

"Ministerio das obras publicas, 7 de julho de 1871.= Joaquim Simões Margiochi.

"Está conforme. Repartição central, em 28 de agosto de 1871. = O secretario interino do ministerio, José de Torres."

Estes é que são os documentos, aliás publicados já por uma resolução da camara dos senhores deputados. Fallam por si.

O sr. Vaz Preto: - Apoiado.

O Orador: - São estes os documentos. Fallam por si; e oxalá que circumstancias especiaes, para as quaes eu não concorri, para as quaes, repito, affirmo não haver concorrido, me não obrigassem tambem a faltar por elles. Commentan-do-os, porem, não lhes dou mais valor do que o que elles tem perante a rasão, perante a consciencia e perante os factos (apoiados).

Disse o que se tinha passado no dia 5, agora vou dizer o que se passou no dia 7, e a este respeito peço toda a attenção do sr. presidente do conselho, porque tenho que fazer referencia ao discurso que s. exa. pronunciou em uma das passadas sessões na outra casa do parlamento.

Sinto mesmo que não estejam presentes todos os seus collegas, porque de certo teria talvez em mais de uma occasião de appellar para o testemunho de s. exa. em apoio do algumas das minhas asserções.

Sr. presidente, é esta a primeira vez, creio eu, que aqui no seio do parlamento é um ministro demittido obrigado, para justificação propria, a levantar o véu com que por mais de uma vez se tem coberto os mysterios que provocam as crises. Não é, porem, minha a responsabilidade d'este facto.

Sr. presidente, depois do dia 7 encontrei o sr. presidente do conselho á porta do ministerio do reino, e s. exa. disse-me que entrasse no seu gabinete. Estavam presentes o sr. ministro da marinha, o official do meu gabinete, o sr. Mouta e Vasconcellos, o digno par do reino o sr. Vaz Preto e outro cavalheiro cujo nome a memoria me não trouxe de prompto á lembrança, mas que sei hoje ser o sr. Dias de Oliveira, membro da outra casa do parlamento.

Na presença d'estes senhores disse-me o sr. presidente do conselho que rasões de alta conveniencia politica pediam que eu revogasse p telegramma que tinha expedido. Eu disse a s. exa. em acto continuo - não posso. O sr. ministro insistiu dizendo que eu devia subordinar essa resolução a considerações tão importantes, e que d'elle dependia talvez o governo ter ou deixar de ter maioria nas proximas eleições. Repeti a s. exa. - não posso; e fazia uma violencia á minha consciencia e á minha dignidade se disse-se que podia.

O sr. presidente do conselho disse me então - que assim contrariava eu todas as condições favoraveis que estavam protegendo a acção do governo, e insistiu no pedido que tão expressamente e com tanta insistencia formulara; respondi ainda -não posso.

Non possumus. Não, não podia; nem sei como s. exa. comprehendesse que eu podesse, abatida a minha dignidade, conservar uma pasta passando debaixo das forcas caudinas de tão grande humilhação! (Apoiados.)

(Interrupção do sr. presidente do conselho.)

Não é assim! (Com grande vehemencia.) Appello testes! Appello para o paiz, o paiz que diga, o paiz que julgue e que pronuncie o seu juizo; o paiz que diga quem falla verdade, se o ministro que para deixar immaculada a dignidade do poder de que foi investido, sob o impulso de um sentimento de brio e de pundonor, larga a pasta para não sacrificar nem dignidade de poder de que ella é symbolo, nem a sua propria dignidade; ou se o ministro que para a conservar... Oh! sr.; presidente, desculpe-me v. exa. ve-