DIARIO DA CAMARA DOS DIGNOS PARES DO REINO 381
obter-se um serviço perfeito, porque eu creio e tenho de fé que- para esse fim será preciso effectuar uma reforma de pessoal, ainda que sejam empregados noutros serviços os que não estejam habilitados para este, de, modo que se não prejudique ninguem, porque isso é o nosso principio de equidade de ha muito estabelecido.
Não ha só a questão de não ouvir; ha tambem a de alguns tachygraphos não perceberem bem o que se diz; não estão bastante habilitados para isso.
Emquanto se não obtiver que todos os tachygraphos se approximem do bom conhecimento e pratica da sua arte, como ha alguns, que são excellentes, não é possivel que o serviço seja bem feito.
O sr. Conde de Rio Maior: - Peço a palavra sobre este assumpto.
O sr. Presidente: - Eu não sei se a camara quer que se continue neste incidente, ou que se mantenha a ordem da inscripção.
O sr. Conde de Rio Maior: - Eu desejava simplesmente fazer uma referencia ao que s. exa. disse ha pouco.
O sr. Presidente: - Talvez a camara consinta que eu de a palavra ao digno par, mesmo porque será conveniente terminar esta questão. (Apoiados.)
Em vista da manifestação da camara tem a palavra o sr. conde de Rio Maior.
O sr. Conde de Rio Maior: - Não, desejo tomar muito tempo, e apenas farei curtas e ligeiras observações.
Junto o meu voto á opinião aqui emittida pelo digno par, e meu amigo, o sr. conde do Casal Ribeiro; devo dizer em abono da verdade que ha extractos, que são excellentes; outros ha, porem, que deixam muito a desejar.
Ainda ultimamente no extracto de um discurso meu se attribue ao sr. visconde de Arriaga a affirmação de que tos pares hereditarios tinham emigrado para o Brazil com o Senhor D. João VI".
Eu declaro que não tomei nota de similhante phrase, não podia por isso attribui-la aquelle digno par, nem o sr. visconde, que é muito illustrado, podia dizer similhante cousa.
Li tambem no meu discurso que a queda de Luiz Filippe, em 1848, fora determinada pela publicação de livros de Lafayette, quando Lafayette, como é sabido, deixou de existir em maio de 1834.
Não me parece que alterações como estas possam ser explicadas pela difficuldade que os srs. tachygraphos terão de ouvir os oradores, nem creio que com a providencia, por v. exa. lembrada, de haver uma tribuna onde os oradores pronunciem os seus discursos, se consiga prevenir os inconvenientes notados no serviço da tachygraphia e redacção da camara, tal como se acha organisado.
A providencia, a meu ver, a mais efficaz consistiria em se organisar a repartição tachygraphica com o pessoal sufficiente e indispensavel para que elle possa dar boa conta do serviço, o que é quasi impossivel, com um trabalho ímprobo de sessões successivas repartido por um pequeno numero.
Estou convencido de que, sem isto, não conseguiremos ter a producção dos discursos ou os seus extractos completos, fieis, como os ha nas assembléas estrangeiras.
Tambem não poderei concordar com a opinião de s. exa. com relação ao praso de dois dias para a publicação dos discursos, sendo substituidos pelos extractos feitos pela redacção, se nesse praso não forem restituidos revistos poios oradores.
Todos sabem que os pares teem de entrar aqui repetidas vezes numa questão, teem de estudar o assumpto, e não teem tempo sufficiente para rever os discursos de modo que sejam publicados em tão curto praso; e quanto a extractos dos discursos publicados dois dias depois em substituição dos discursos, sem o meu exame, eu, pela minha parte, desde já declaro que rejeito toda a publicidade neste sentido.
Nada mais tenho que dizer.
(O orador não reviu o seu discurso.)
O sr. Visconde de Moreira de Rey: - Declarou que nunca nesta camara fizera, nem louvando nem censurando, qualquer referencia ao serviço tachygraphico; mas, desde que os dois dignos pares que o precederam, haviam levantado o incidente, algumas palavras diria sobre o assumpto. Já, havia dias, o sr. visconde de Chancelleiros se referira ás repartições de tachygraphia e de redacção, e ainda bem que elle, orador, o escutara em silencio, porque não desejava animar a fecundidade epistolar de qualquer empregado das mesmas repartições, fosse qual fosse a sua graduação.
Referiu-se então o orador a uma carta que vira publicada em um jornal, e assignada por um empregado de uma dessas repartições, na qual se faziam certas observações, com relação ao modo como os dignos pares fallavam ou deviam fallar na camara, que realmente lhe não pareciam a elle, orador, muito bem cabidas.
Esperava que a presidencia, a quem competia a suprema direcção daquelles serviços, não permittisse a um empregado da camara, qualquer que fosse a sua categoria, a liberdade de fazer assim apreciações dos discursos dos dignos pares, ou a analyse das disposições especiaes que cada um tinha ou não tinha para orador.
Naturalmente nenhuma providencia seria tomada, porque para isso haveria a mesma excessiva tolerancia que havia para tudo, e que elle, orador, ainda havia pouco, tinha condemnado.
Declarou que a elle, orador, succedia com a revisão dos seus discursos, aquillo mesmo de que se queixaram os srs. conde do Casal Ribeiro e conde de Rio Maior.
Encontrava nas notas dos seus discursos, quartos tachygraphicos seguidos, que lhe era impossivel comprehender, outros, em que se lhe atribuía precisamente o contrario daquillo que dissera.
A explicação não podia consistir na dificuldade que os srs. tachygraphos podessem ter em ouvir os oradores, porque elle, orador, fallava sempre voltado para a presidencia, e por consequencia para a mesa da tachygraphia e em voz tão forte, que muitas vezes lhe affirmaram ser bem ouvido até nos corredores, estando fechadas as portas da sala.
O que era certo era, que o serviço estava muito longe de satisfazer ao fim a. que era destinado e, na sua opinião, o dilemma era fatal, ou serviço bom ou serviço nenhum, ou bom ou nada. Nenhum alvitre indicaria. Que a presidencia tomasse sobre si o trabalho de reformar aquelle serviço, ou que para esse fim nomeasse uma commissão de dignos pares, eram meios entre os quaes não escolhia, confiando, como absolutamente confiava, que o sr. presidente não tardaria com as mais acertadas providencias a melhorar quanto possivel aquelle serviço.
Com relação aos extractos nada diria. Observaria apenas que alguns, havia redigidos num estylo tal, que não parecia deste seculo, attribuindo-lhe o uso de palavras que nunca podia ter empregado porque nem as conhecia e como exemplo concluiu lendo um trecho do extracto de um seu discurso.
(O discurso do digno par, a que se refere este resumido extracto, será publicado logo que s. exa., devolveu as notas tachygraphicas.)
O sr. Presidente: - Eu tambem me reservo para tratar deste assumpto em occasião opportuna, tendo em attenção as indicações dos dignos pares que acabam de fallar.
O sr. Visconde de Monte São: - Sr. presidente, caso de força maior obrigou-me a faltar a algumas sessões, quando eu tinha todo o interesse em aqui estar, principalmente na sessão de hontem, em que se votou o projecto sobre as reformas politicas.
Pedi pois, a palavra para fazer a minha declaração de voto, no sentido de que, se tivesse estado presente na sessão de hontem, teria votado a favor do projecto.
De modo nenhum quer isto dizer que eu esteja em contradicção com o que declarei numa das ultimas sessões,