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686 DIARIO DA CAMARA DOS DIGNOS PARES DO REINO

apenas por muito favor se lhe concedem dois mezes de licenças.

Ora. isto concorro consideravelmente para tornar maior uma certa indisposição que ha já para o serviço militar, e não creiam s. exas. que é indifferente esta consideração, porque todos nós sabemos que do contingente que é chamado para as armas, sáe uma forte emigração, para o que concorre muito a idéa de que no serviço militar ha, alem da obrigação que impõe o serviço activo, o que impõe a reserva de cinco annos, elevando assira o serviço activo a oito annos.

E desde que entendermos que estes cinco annos de reserva se devem considerar como augmento do serviço, a idéa do sr. marquez de Sá, que é hoje idéa geral, Sés. prejudicada. A reserva antigamente era apenas sem serviço e a effectividade do serviço de agora é o contrario; comtudo, ficando a reserva serviço rigoroso, o sacrificio é muito superior, porque voz de diminuir o tempo de serviço augmenta.

Com relação á escola do cavallaria, eu não me atrevo a condemnar o governo pela demora que tem tido de levar a cabo a sua fundação; e n’este ponto até direi ao digno par, o sr. Camara Leme, que ainda bem que o governo tem tido a difficuldade de encontrar local para formar a sua escola de cavallaria, porque entendo que é OTCCÍSO haver prudencia no dispendio de quaesquer quantias, que, sem trazerem grande prejuizo, se poderiam evitar. E digo isto com muito pouco remorso, desde que vi que foi um distincto general de cavallaria que aboliu a escola d’aquella arma e que um outro general, não menos distincto, declarou que só a faria suppri0mindo um corpo de cavallaria.

Eu não digo que não seja uma cousa util; mais ha muitas cousas uteis sem as quaes nós estamos passando e não vivemos peior por isso. Ainda em relação a algumas observações feitas pelo sr. Camara Leme, militar distincto que o tem mostrado pelas acções, pela palavra e pela escripta, direi que s. exa. anima, um pouco aquelles que não vêem em tudo perfeições nas cousas militares, porque o meu illustre amigo entendeu que militares muito distinctos, quando foram ministros, tratavam de favorecer quanto podiam as armas a que pertenciam. Isto traz-me a convicção de que é necessario discutir e estudar muito bom qual deve ser a verdadeira organisação do exercito, e ver que em paizes de pouca população como o nosso, por exemplo, na Suecia, tem-se proposto umas poucas de organisação do exercito, e as côrtes têem sempre votado contra ellas.

E não se póde dizer que a Suecia não seja amiga da sua independencia, e não aprecie as qualidades militares dos individuos que fazem parte do exercito.

Tambem o meu illustre amigo, o sr. camara Leme nos disse que era necessaria a organisação da força militar, porque hoje em dia não se póde contar com os alliados. Parece-me que o sr. ministro dos negocios estrangeiros não devia ficar muito satisfeito com esta observação. Quanto a mim, entendo que presentemente sem o auxilio dos alliados, qualquer que seja a força e organisação do exercito de uma nação, se torna impossivel triumphar no campo de batalha.

Não ha ainda muito tempo, um homem que estava testa de uma das primeiras nações do mundo, deu um prova bem triste do que sem alliados nada só consegue. As allianças internacionaes são indispensaveis.

O que é verdade, e n’este sentido talvez o meu illustre amigo, o sr. Camara Leme, quizesse que e entendessemos é que, para poderem contar com os alliados, precisam as nações mostra? que estão dispostas a defender-se. Eu noto que as allianças nunca foram tão necessarias como agora pois vae adquirindo muitos proselytos a idéa do direito da força, os quaes, por consequencia, nao reconhecem a força do direito.

Alguem quiz attribuir esta opinião ao principe de Bismark; mas este, que deve tantas obrigações á força, repeleliu que assim pensavam, declarando que nunca tinha sustentado taes principios.

Terminando, pediria ao sr. presidente do conselho que, na occasião de tratarmos aqui da questão de fazenda, s. exa., se os seus deveres lho permittissem, estivesse presente a essa discussão, porque eu confesso que me vejo obrigado, pelo logar que n’esta casa occupo, a pedir explicações da parte do governo a tal respeito.

Creio que nem elle, nem eu devemos estar inteiramente satisfeitos em relação á situação financeira do paiz, e que na presença de um déficit consideravel não é agradavel a indicação, já apresentada na outra camara, de adiar para o anno immediato o estudo dos meios a pôr em pratica para reduzir e acabar.

Parece-me que similhante adiamento conta demaziado com a resignação parlamentar, a qual julgo de grande inconveniencia, por isso que devemos attender sem demora á resolução de uma questão de tanta importancia, cuja resolução é tanto mais difficil, quanto mais for demorada.

O sr. Camara Leme: — Estava bem longo de imaginar que nas modestas reflexões, que tive a honra de apresentar na discussão d’este projecto, de mero expediente, se podesse attribuir-me a intenção de ser menos agradavel ao illustre amigo, parente e collega, o sr. marquez de Sabugosa.

Não prolongarei agora as minhas observações, porque a questão está perfeitamente elucidada, e porque, se me propozesse responder a todos os pontos para que s. exa. chamou a minha attenção, teria por certo de abusar da benevolencia da camara.

Quando me referi na sessão passada ás differentes organisações militares que teem havido neste paiz, e d’essa referencia julgou o digno par que ou pretendia insinuar que os ministros, auctores d’essas organisações, favoreceram mais esta ou aquella arma, era simplesmente meu intuito dizer que entre os militares voga a opinião de que os officiaes pertencentes a uma certa arma suppõem sempre que e essa a mais importante de todas.

Sobre este ponto tem havido grandes controversias. Ainda ha pouco tempo, no parlamento francez, se suscitou uma questão de similhante natureza, em que tomou parte um illustre escriptor militar, o general Lewal. Dizia este distincto militar.

«Ha na Europa nações em que as armas especiaes florescem no meio de um exercito morto; pelo contrario, onde quer que a infanteria seja honrada, póde
assegurar-se que o exercito é vigoroso.»

Sr. presidente, referindo1 mo ainda ás armas especiaes, devo dizer que aquelle illustre general, quando alludiu a essas armas, disse que, apesar de pertencer ao estado maior, e ser este corpo um dos primeiros elementos dos exercitos modernos, dava tambem grande importancia á infanteria e ás outras armas, não considerando nenhuma especial, porque todas tinham a sua especialidade.

Sou justamente d’esta opinião, e, portanto, nunca pode-la ser minha intenção, quando me referi ao assumpto, ir de modo algum offender a memoria do nobre marquez do Sá, a quem eu tanto considerava pela nobreza do seu caracter, pela sua illustração o pelos altos serviços que fez ao paiz.

E o digno par, de certo, não tem mais respeite pela memoria d’aquelle illustre general do que eu.

E para provar a minha veneração por tão illustre general, vou citar um facto que se deu commigo, e que muito honra a sua memoria.

Quando se publicou a organisação de 1863, era eu deputado e empregado na secretaria da guerra.

Fui procurar o nobre marquez de Sá, então ministro da guerra, e disse-lhe: «venho pedir a v. exa., não me conta que commetesse falta alguma.

Eu sou deputado, observei-lhe então, e tenho de apre