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28 Diário da Câmara dos Deputados

papel pintado, sem outro valor a não ser e de crédito que nós lho possamos dar.

Neste momento deveria estar nas cadeiras do Govêrno alguém que serena, mas claramente, respondesse às proguntas que nós, parlamentares, formulássemos.

Apoiados.

Mas o Govêrno não aparece ante nós, e assim eu sou levado a concluir que o Poder Executivo não necessita de nenhuma autorização extraordinária para ocorrer à anormal situação em que nos encontramos. Por isso eu digo na minha moção que a Câmara fica certa de que não são precisas quaisquer medidas extraordinárias.

O melhor é aguardar que as autoridades procedam devidamente, exigindo nós do Govêrno que não se meta nas atribuições dessas autoridades, às quais deve dar todo o seu apoio. E preciso que essas autoridades apareçam perante o país de movimentos absolutamente livros para prender e processar quem tenha de dar conta dos seus actos.

Sr. Presidente: não vamos criar a comissão preconizada pelo Sr. Alpoim para que não se diga que pretendemos entravar a acção duma justiça |á estabelecida. Não vamos tam pouco dizer que estamos dispostos a ser presos pelo primeiro polícia que nos apareça.

A nossa atitude deve ser esta: se amanhã as autoridades pedirem autorização para prenderem qualquer parlamentar, nós votarmos imediatamente a autorização solicitada.

O que não seja isto é rebaixar-nos, o nós não estamos aqui para rebaixar a instituição parlamentar.

Não tome V. Exa., Sr. Álvaro de Castro, estas minhas palavras como sendo especialmente dirigidas a V. Exa.

Sei que V. Exa., tanto como eu, defende e ama a República, e que ao formular a sua proposta teve apenas em vista o prestígio dela, pondo todos à disposição das autoridades.

Comprometemo-nos todos, desde já, a votar por unanimidade a autorização para ser preso qualquer Deputado sôbre quem recaiam suspeitas.

Não vamos dizer: não temos imunidades para o caso do Banco Angola e Metrópole.

Isto é muito grave para que se diga e, sobretudo, gravíssimo como antecedente.

Tenho dito.

Vozes: - Muito bem.

O discurso será publicado na integra, revisto pelo orador, quando, nestas termos, restituir as notas taquigráficas que lhe Aforam enviadas,

Foi lida na Mesa a moção e ficou admitida.

Antes de se encerrar a sessão

O Sr. Carvalho da Silva: - Sr. Presidente: poucos minutos tomarei à Câmara, porem não quero deixar passar êste momento sem lavrar o meu mais indignado protesto contra o facto que ontem mais uma vez se repetiu na cidade de Lisboa, que não posso deixar de reputar uma verdadeira vergonha.

Passou ontem o aniversário do infame assassínio do Chefe do Estado, o Sr. Sidónio Pais, e assim mais uma vez a cidade de Lisboa assistiu à comemoração dêsse infame atentado com morteiros o foguetes.

Não será, por isso, sem o mais indignado protesto dêste lado da Câmara que factos dêsses se dêem numa cidade que se diz civilizada, com o consentimento e até aplauso das autoridades republicanas.

Apoiados.

Somos portugueses, e como tal não podemos deixar do nos revoltar contra o facto de se comemorar em Lisboa o assassínio de um Chefe de Estado, o que na verdade representa uma verdadeira vergonha para nós.

Tenho dito.

O orador não reviu.

O Sr. Presidente: - A próxima sessão é amanhã com a mesma ordem do dia que estava dada para hoje.

Está encerrada a sessão.

Eram 19 horas e 30 minutos.

Documentos mandados para a Mesa durante a sessão

Requerimento

Requeiro que, pelo Ministério da Guerra, me seja fornecida, com toda a urgên-