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14 Diário da Câmara dos Deputados

nas minhas considerações, eu devo informar o país do que não dou qualquer reparação nos termos dos códigos do honra pelas declarações e acusações que vou produzir e provar.

No momento em que ou procurei tomar responsabilidades de honra a um homem que me ofendeu, não fui atendido. Seria injusto que eu dêsse reparações quando não mas dão a mini. Por outro lado sucede que por estos dias mais chegados eu, como aquela viúva do uma novela francesa - de Balzac me parece - que não tinha tempo para chorar, não tenho tempo para me bater. Vou acusar muita gente, e não posso ter à porta uma bicha de padrinhos, não posso passar a vida às espadeiradas no campo.

Tal como os Governos da República, eu suspendo as garantias. Quem queira reparação das minhas palavras que me procure - ou não me escondo - e empregue os processos físicos sumários. Como medida de lealdade devo informar que estou suficientemente prevenido. E homem prevenido valo por dois...

E vamos al grano, como dizem os nossos vizinhos irmãos.

Sr. Presidente: não viemos ao Parlamento, os Deputados socialistas, para atacar, por sistema, partidos políticos ou Ministérios. Representantes do uma doutrina que baseia nas realidades económicas as situações políticas, deterministas, convencidos o inexpugnáveis na verdade dos nossos fundamentais princípios, nós sabemos que todos V. Exas. - reparem bem que digo todos - desde os sentados na extrema direita monárquica até os esquerdistas que ocupam lugar neste lado da Câmara - representam os mesmos interêsses - os interêsses da classe capitalista dominante; defendem os mesmos princípios - os princípios do individualismo económico. Só nós, os Deputados socialistas, representamos a classe dominada, que os senhores esmagam, e o princípio do solidarismo, que os senhores detestam. E contra a classe dominante que lutamos e não contra V. Exas., que apenas são os seus representantes políticos.

A absoluta semelhança de irmãos que existe entre os senhores todos viu-se bem o outro dia, neste Parlamento, quando se votou a minha proposta para ser nomeada uma comissão de inquérito. Viu-se bem o outro dia que a luta existente entre os senhores pelos seus partidos o pelas suas pessoas é apenas a expressão do insaciável desejo do Poder, não é de forma nenhuma o embate de princípios antagónicos.

Nós, socialistas, compreendemos quando estalou o escândalo do Banco Angola e Metrópole a sua trágica significação. Nós e o país. Compreendemos todos que o caso do Banco Angola e Metrópole era uma pedra caindono charco podre da Rua dos Capelistas. Vinha lodo à superfície, espalharam-se no ar emanações pestilentas, e andavam em corrimaça, doidas, à volta do desastre, as grandes rãs e os grandes sapos do capitalismo português.

Para ver tudo, para ver lá dentro do pântano capitalista apresentámos nós a nossa proposta de inquérito. Acompanharam-nos de princípio os Deputados monárquicos, galvanizados pelo seu ódio aos homens da República, mas até êles acabaram por compreender que o ódio - mau conselheiro - os estava a arrastar à perda dos interêsses que representam e viu-se no momento da votação que os monárquicos nos abandonavam. Ficámos sós, reclamando o inquérito, os Deputados socialistas; e a quási totalidade da imprensa - expressão do capitalismo dominante- acusou-nos do sermos nós que pretendíamos abafar a questão. Os senhores foram cobertos de elogios, porque querem luz, muita luz.

Haverá ainda alguém que tenha a audácia de afirmar à face da vergonha das vergonhas que para aí se está presenciando que não tínhamos razão nós os Deputados socialistas?

Haverá alguém que sustente que a maneira de fazer luz é manter, durante mais de um mês incomunicáveis, às ordens da polícia de Segurança do Estado, os homens que podem falar, esclarecer?

Haverá alguém que diga que a maneira de iluminar êste assunto é desconsiderar e perseguir como doido, obrigando-o a demitir-se, o honesto e inteligente juiz que dirigia a investigação?

Haverá alguém que afirme ser útil à descoberta da verdade a conservação nos seus altos lugares - onde podem desfazer as provas da sua culpa e organizar a defesa - dos homens indicados pelo juiz?