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18 Diário da Câmara dos Deputados

É fantástica do audácia e de inconsciência esta colecção do afirmações. As acções do Banco são de 100$00 ouro, 100$00 do tempo do dinheiro forte, deviam valer actualmente 2.100$00; andam arrastadas a 900$00, e o Sr. Governador do Banco manifesta-se satisfeitíssimo com esta situação. A praça reconhece na cotação das acções que o Banco perdeu mais de metade do seu capital, e o Sr. Governador a rebentar de alegria!

Mas há mais. Toda a gente sabe que a cotação de 900?500 é consequência da absurda compra contínua de milhares de acções feita pelo Estado, da compra de mais do 8:000 acções realizada à pressa pelos homens do Banco Angola e Metrópole, da procura que das acções do Banco fazem os comerciantes e banqueiros que pretendem alargar o seu domínio na repartição do desconto e nas outras.

Como emprego de capital rende o papel do Banco 3,3 por cento numa praça onde a taxa de desconto é de O por cento, e os juros o rendimentos habituais excedem 12 por cento. Se se calcular o valor das acções, como o mercado geralmente o calcula, em torno do rendimento dado que foi de 30$00 fracos por acção em 1924, não acharemos nesta praça, que está capitalizando a 12 por cento, um valor real para o papel do Banco superior a 260$00 fracos.

E para achar êsse valor é preciso acoitar que o dividendo seja a expressão dos lucros da gerência, o que se não dá, porque se vão buscar ao fundo de reserva variável - como o próprio Governador confessa na sua resposta à quarta pregunta do Sr. Tôrres Garcia as verbas que hão-de cobrir prejuízos parciais para se encontrar saldo a favor na conta de ganhos e perdas.

Após esta assombrosa resposta, o Sr. Governador desfecha a continuação da girândola e diz-nos babado em orgulho:

"Mas há mais um testemunho importante que não convém desprezar: é o testemunho que dão três grandes Bancos do mundo:

Westminster Bank, Ltd. (Londres).

Midland Bank, Ltd. (Londres).

Irving Bank Columbia Trust C° (Nova-York).

"O primeiro alargou há pouco tempo e mantém ao Banco um crédito de £ 1:000.000 das quais só £ 750.000 são cancionadas; é com êste grande Banco inglês que o do Portugal mantém maior soma de operações; o segundo concede um crédito de £ 300.000, sendo caucionadas só £ 200.000; e o terceiro um crédito de 1:700.000 dólares dos quais 500.000 sem caução; quere dizer, num total de cêrca de 1:700.000 libras, pouco mais de 1.000:000 está caucionado; há pois um crédito inteiramente a descoberto de cêrca do 500:000 libras (isto é perto de 50:000 contos da nossa moeda) concedido unicamente pelo crédito do Banco do Portugal. Ninguém acreditará certamente que os técnicos daqueles grandes estabelecimentos informem os seus administradores, favoravelmente ao Banco de Portugal, sem que tenham conhecimento exacto do valor do activo dêste estabelecimento de crédito".

Estou farto de dizê-lo em toda a parte e devo repeti-lo aqui: os gentlemen das altas finanças, quando falam com as autoridades e funcionários da República, ou armam em imbecis ou convencem-se (o mais me pareço certa esta segunda hipótese) do que toda a gente é tola.

Quando mente o Banco?

Quando afirmou na "proclamação" distribuída por ocasião da última assemblea geral que podia levantar no estrangeiro a descoberto 50:000 libras, ou quando diz aqui ao Ministro que pode levantar cêrca de 450:000 libras a descoberto?

Teria vergonha de vir a público com a história contada ao Ministro e procedeu como aquele compadre que cortava o rabo do macaco?

Vá lá a gente sabê-lo...

Mas o mais importante, que é indispensável sublinhar, é a desastrada confissão de que o Banco do Portugal tem lá fora créditos caucionados no total de 1.260:000 libras; quando os títulos da sua carteira privativa apenas atingem pelo relatório de 1924 valor aproximado a 430:000 libras.

Qual é o resto da caução? De que céu caiu? Onde o vão buscar os administradores do Banco?

Vão buscá-lo aos fundos de reserva que não pertencem ao Banco, vão buscá-lo aos títulos resultantes da conversão da prata que também ao Banco não perten-