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6 Diário da Câmara dos Deputados

as suas aspirações se pusessem em prática.

Eu vou dizer a V. Exa. qual era em resumo o fim desta instituição chamada "Liga dos Agricultores Católicos do Alentejo".

Leu.

Esta aspiração, digo-o com orgulho, saiu da província do Alentejo, e foi patrocinada por pessoas da mais alta consideração e que são dos mais ilustres representantes da Igreja.

Esta idea não teve andamento, segundo creio, porque a lei portuguesa das associações, impede que se fundem associações desta alta vantagem material e social; .mas não proíbe a formação de outras bem inconvenientes para o pais.

Pôsto isto, vou referir-me ao assunto para que, especialmente, pedi a palavra.

O Sr. Presidente: - V. Exa. já esgotou os dez minutos que o Regimento lhe concede.

O Orador: - Se V. Exa. me permite, eu apenas gastarei mais cinco minutos.

No Alentejo grassa há muitos anos, uma epizootia gravíssima; a essa sucedeu-se outra, noutra espécie de animais, que está causando um grande prejuízo para a agricultura.

A primeira era referente ao gado suíno; agora trata-se do gado lanígero e caprino.

Para se tratar convenientemente de um suíno, das epizootias que o atacam, é necessário gastar 17$; ora esta quantia é muitíssimo elevada, em relação ao preço por que actualmente se vendem êstes animais: não há ninguém que vendendo um animal por 5$, vá gastar 17$ no seu tratamento.

Era portanto necessário, que o Estado, que gasta tanto dinheiro indevidamente, com empregados e serviços desnecessários, olhasse para o assunto com toda a atenção, porque êle é de uma altíssima gravidade.

Já no Congresso Agrícola de Viseu se tratou dêste caso, e se emitiram votos no sentido de que o Estado dêsse aos laboratórios respectivos as garantias necessárias para a fabricação das vacinas, a, fim de evitar que os lavradores tenham de comprar as estrangeiras, que custam caríssimas.

Porém, até agora, nada se fez.

O Sr. Ministro da Agricultura, disse que no seu Ministério, havia uma verba para tal fim, mas que ela era uma verdadeira miséria.

Êsse Ministério que era o que deveria ter maiores verbas, é exactamente aquele que as tem menores.

A epizootia carbunculosa no gado lanígero e caprino, no Alentejo e na Estremadura, tem produzido efeitos terríveis, e a continuar assim, dentro em breve, naquelas províncias, não haverá animais daquelas espécies.

E isto sucede, apesar de algumas vezes, lhes aplicarem os tratamentos recomendados pela sciência.

Eu li um relatório do Sr. Roque da Silveira, do qual eu concluo que o lavrador não pode ter hoje confiança nessas vacinas.

É de facto, eu sei de casos em que a mortalidade foi tam grande depois da vacinação, que os lavradores hesitam em fazer a aplicação dêsse remédio.

E, pessoalmente, eu tive ensejo de fazer essa vacinação.

Não sou veterinário, mas sim médico, e por isso, julguei-me mais do que suficientemente habilitado para fazer Êsse serviço, mas, apesar de seguir todas as regras, vi que êsses animais morriam.

Não quero acusar ninguém, mas o facto real e triste é êste: nós gastamos dinheiro, empregamos os nossos melhores esfôrços, e os resultados são nulos.

Houve um lavrador que perdeu 39 cabeças, e eu perdi 200.

E eu pregunto se é possível alguém empregar dinheiro, para obter êste resultado.

Há aqui uma passagem interessante, em que se diz:

Leu.

Isto é uma confissão clara de que nós, de harmonia com as palavras autorizadas dos técnicos, não devemos fazer as vacinações, porque isso representa um prejuízo incalculável,

Ora o Sr. Roque da Silveira, tratando de um pedido de indemnização feito pelos lavradores que tinham sido prejudicados com o resultado das vacinações, foi de parecer que êle não devia ser atendido.

E a continuar a suceder assim, as ter-