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Diário das' Sessões do Senado

vá r ao conhecimento de S. Ex.a que o concelho de Trancoso, embora na opinião dos técnicos e do director dos serviços do distrito da Guarda, seja o concelho que tem as estradas cm melhor estado, não está assim tam bem como afirmam; que o digam as pessoas que precisam de transitar por eias.

Não culpo o Sr. Ministro do Comércio e Comunicações, e também não culpo o administrador geral das Estradas e Turismo; quem culpo é o director dos serviços do meu distrito.

Esse director, embora filiado no Partido Republicano Português, a coberto dessa protecção, não está livre de que eu o acuse de não aplicar os dinheiros que têm sido concedidos pelo Ministério do Comércio para as estradas do rneu concelho; não exerce a fiscalização, porquanto não exerce fiscalização alguma sobre os seus subordinados: os chefes de conservação estão ausentes do seu lugar, os cabos de cantoneiro não exercem acção sobre os cantoneiros, e os cantoneiros, esses nobilíssimos operários, não produzem trabalho algum — não porque o Estado não lhes pague os vencimentos— mas porque a fiscalização não se exerce sobre eles.

O Sr. Ministro do 'Comércio pouco ou nada é responsável pelo caso, porque S. Ex.a não tem conhecimento disso. E se eu lho comunico é para satisfazer os interesses do eleitorado do meu concelho e da sua população, mas nunca com a esperança de encontrar uma solução da parte do Sr. Ministro, porque basta ser interessado no assunto uma pessoa que está afastada do Partido Republicano Português para não poderem ser tomadas na devida consideração as suas reclamações.

A política faz-se em toda a parte, e eu estou em dizer que hoje vale mais um político dos eleiçoeiros que seja director de serviços -l > distrito —ou seja o antigo director de Obras Públicas— que dois governadores civis, até mais que o próprio bispo; sobretudo no tempo das eleições a sua força é muito grande . ..

Não se diga que o Sr. Ministro do Comércio é o único responsável pela situação em que se encontram as estradas, que não há verba, no orçamento bastante para poder fazer reparações, não se diga que o Sr. Ministro do Comércio não está resolvido a lançar as suas vistas de grande

estadista —porque o é de facto— para este problema, o Sr. Ministro do Comércio e Comunicações pouco ou nada sabe do que se passa pelas estradas do seu país.

Sabe naquelas que trilha, passa e passeia na sua órbita "política eleitoral, mas não conhece o estado de conservação das estradas do país, tanto as que interessam ao Sr. Caldeira Queiroz como as que me interessam.

O Sr. Caldeira Queiroz:—A mina interessam-me todas.

O Orador:—V. Ex.a fala das que lhe interessam e eu das minhas» V. Ex.a há pouco disse, respondendo a um aparte, que tratava das que lhe diziam respeito., os outros que tratassem das suas.

Eu peço licença para usar dessa afirmação.

. Sr. Ministro do Comércio e Comunicações : queira V. Ex.a lançar os seus olhos misericordiosos para o distrito da Guarda e verificar que o director geral de serviços desse distrito é urn funcionário encarregado de distribuir as verbas que são destinadas às estradas daquele distrito, não só pelas, dos afilhados, mas também por aquelas que as precisam.

Não me convenço de que o director das Obras Públicas do ^distrito da Guarda não tenha tido ocasião de aplicar as verbas que há cerca de quatro anos têm sido concedidas para o meu concelho.

Há uma verba votada em 1924, dada pelo Sr. Ministro do Comércio, salvo erro no mês de Abril, para meterem a brita numa estrada que vai da estação de Vila Franca das Naves a uma freguesia chamada Póvoa do Tázem.

Decorrido um ano ainda essa verba não foi aplicada e foi distribuída já por outros concelhos.

Há vários subsídios políticos que eu implorei, solicitei, pedi aos antecessores de V. Ex.a. que foram concedidos, e que até hoje não foram distribuídas pelo concelho nem se fizeram as reparações nas estradas.