O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

884 DIÁRIO DAS SESSÕES - N.º 51

boradores do que aqueles que constituem o quadro de assistentes. Os quadros devem ter maior elasticidade e porventura maior amplitude. Suponho que os quadros actuais já não são suficientes para as necessidades de ensino, da investigação, da população escolar crescente.
Além disso, é preciso acabar com o regime burocrático de organização das turmas de trabalhos práticos, pondo-se de parte um estreito critério financeiro, e reconhecendo, neste assunto, que em tal organização devem prevalecer as indicações das possibilidades laboratoriais, da natureza das disciplinas, da maior individualização (possível do ensino prático.
Passando ao recrutamento do corpo docente, entendo que esse recrutamento, como disse René Leriche, deve ser colocado no plano nacional e não no local, e, em vez das provas serem verdadeiros jogos florais, devem orientar-se no objectivo de procurar obter professores com um conjunto mínimo de qualidades, desde a fluência e clareza da exposição, desde a cultura geral e especial necessária, até à faculdade de investigar, de ao menos, apresentar os assuntos de modo original, e de por outro lado, atrair e estimular a curiosidade e o interesse dos alunos.
É difícil de obter um tal conjunto de qualidades, todas em alto grau, mas estabeleça-se uma criteriosa hierarquização dessas qualidades.
Quanto a vencimentos, Sr. Presidente, eu limito-me a indicar a necessidade de olhar para a remuneração dos assistentes, os quais na vida prática encontram melhores remunerações, sem necessidade de terem sido alunos distintos e em trabalhos de menores responsabilidades e dificuldades.
Estamos assistindo assim a um desvio progressivo de competências e de capacidades do ensino superior e da investigação para tarefas mais compensadoras.
É preciso multiplicar as bolsas de estudo, criar o full time, instituir prémios, remunerar devidamente o trabalho intelectual.
Lembro também, Sr. Presidente, a necessidade de melhorar os vencimentos dos naturalistas, do pessoal auxiliar e inclusive os próprios vencimentos do pessoal menor, pois um contínuo ou servente de laboratório, por exemplo, chega a ter, por vezes, uma especial capacidade técnica que seria justo premiar e conveniente estimular.
Muito haveria a dizer em matéria de organização da investigação científica entre nós. Pela escassez do tempo, limito-me a citar que o Instituto para a Alta Cultura teve em 1945 a verba global de 3:801 contos e em 1946 a de 4:648. Aumentou o quantitativo das bolsas de estudo fora do País de 650 para 1:000 contos e as bolsas de estudo no País foram dotadas em 1946 com 500 contos, ao passo que em 1945 a verba fora de 450. No País o aumento foi apenas, pois, de 50 contos. Aquele aumento de 350 contos para as bolsas fora do País explica-se naturalmente por já haver possibilidade, agora, finda a guerra, de multiplicar os bolseiros no estrangeiro, mas eu acho que, quer para as bolsas fora do País, quer para as no País, seria vantajoso para a nossa cultura, para o prestígio nacional e para a ciência que as verbas concedidas fossem aumentadas considerável mente. São muito precários os subsídios de 500$, 600$ e até mesmo 800$ para as bolsas de estudo no País.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O Orador: - Essas quantias nada são para a remuneração do trabalho intelectual, não estimulam os investigadores e não os colocam ao abrigo das preocupações domésticas quotidianas.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O Orador: - Está, felizmente, criada também a Junta das Missões Coloniais, que no domínio das colónias vai também trabalhando com o mesmo objectivo do Instituto para a Alta Cultura.
Existem ainda outros organismos de investigação que honram esta situação política, como seja a Estação Agronómica Nacional. Citemos também fundações particulares, como o Instituto Rocha Cabral e a Fundação da Casa de Bragança. As iniciativas privadas são, infelizmente, muito limitadas entre nós em matéria de cultura e investigação. É de louvar a Fundação da Casa de Bragança por, entre outras iniciativas culturais, recentemente instituído o prémio D. Carlos I, evocando a nobilíssima figura, a figura notável de um grande Bei e procurando com ele estimular e galardoar trabalhos de oceanografia, matéria em que o saudoso monarca foi um mestre.
Sr. Presidente: é preciso ainda multiplicar as iniciativas tendentes ao estabelecimento de um convívio fraterno entre os alunos e entre estes e os professores.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O Orador: - Ainda recentemente um professor inglês da Universidade de Birmingham, sir Charles Robertson, escreveu que uma universidade autêntica era um centro de verdades e valores, devendo entre os seus membros haver estreita convivência espiritual, intelectual e social.
Reivindico também para a nossa Universidade o que na Inglaterra é um axioma na vida universitária - a independência.

O Sr. Presidente: - Informo V. Ex.ª, Sr. Deputado Mendes Correia, que está a ser atingido o tempo regimental ...

O Orador: - Eu termino já, Sr. Presidente.
Interessante é esta frase de sir Charles Robertson: e Os estudantes devem orar juntos, trabalhar juntos, divertir-se juntos».
A finalidade das Universidades, nunca é demais afirmá-lo, é elevarem o nível de cultura nacional e humana, formarem os escóis, esses escóis de que em Portugal tanto necessitamos. A Universidade tem de ser centro de orientação e cultura colectiva, de criação du ciência, de formação profissional. A Universidade teia de estar à frente do seu tempo, para além do seu tempo, tem de servir a verdade, a Nação e o futuro.
Tenho dito.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O orador foi muito cumprimentado.

O Sr. Presidente: - Vai passar-se à

Ordem do dia

O Sr. Presidente: - Continua o debate, na generalidade, da proposta de lei relativa a alterações à Carta Orgânica do Império Colonial Português.
Tem a palavra o Sr. Deputado Duarte Silva.

O Sr. Duarte Silva: - Sr. Presidente: vou ser breve nas minhas considerações. Não, propriamente, porque tenha a preocupação de agradar, de harmonia com a velha sentença, ou porque deseje poupar a V. Ex.ª o natural constrangimento com que é costume lembrar ao orador que se aproxima o termo do tempo que o Regimento lhe concede. Serei breve porque o meu temperamento