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558 DIÁRIO DAS SESSÕES N.º 33

aproveitamento, as virtualidades da nossa gente são motivos fortes e seguros de tranquilidade e de confiança.
Sob o lema de "celebrar o passado e construir o futuro", vamos no ano corrente comemorar 40 anos de Revolução Nacional com uma série de inaugurações e de cerimónias bem demonstrativas da nossa capacidade realizadora e da nossa fé inabalável no dia de amanhã. Em Braga vai reviver no bronze a figura lendária do marechal Gomes da Costa - símbolo perfeito de coragem e de patriotismo -, em Uisboa inaugurar-se-á a monumental ponte sobre o Tejo - exemplo magnífico e deslumbrante das grandes realizações materiais de uma ópoca -, na capital de Moçambique terá lugar o 2.º Congresso Nacional de Turismo, como expressão do nosso desejo de convívio e intercâmbio pacífico com outros povos, afirmado, desta vez, no Indico, por uma nação que se espalhou pelo Mundo, mas que teve sua raiz e seu berço no Atlântico.
"Celebrar o passado, construir o futuro". Que todos nós, portugueses, façamos desta ideia e desta divisa a legenda e o pensamento de cada um de nós.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O orador foi muito cumprimentado.

O Sr. André Navarro: - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Mais uma vez subo a esta tribuna para fazer algumas considerações sobre as contas públicas, e muito especialmente sobre o valioso estudo elaborado pelo nosso ilustre colega Eng.º Araújo Correia, minucioso repositório da vida económica e financeira da Nação. E se são do maior interesse os diferentes capítulos relativos às receitas e despesas públicas reunidos nos dois volumes presentes a esta Assembleia, referentes à metrópole e ao ultramar, constitui ainda para todos os estudiosos de economia e de finanças texto de singular valimento a análise introdutória que apresenta como prólogo do seu notável parecer.
São do ilustre relator as seguintes palavras que desejo destacar:

As receitas públicas são a tradução, por certa percentagem, das actividades do agregado nacional. É preciso para as compreender inquirir sobre o que é essa actividade, como se comporta, quais os recursos susceptíveis de serem aproveitados, quais os que melhor correspondem ao gradual desenvolvimento dos consumos. E sem um amplo conhecimento da influência de todos os factores de natureza humana e física nas trocas internacionais não se poderá apreender o grau de solvabilidade de pagamentos externos, essencial no mundo contemporâneo, e de que o País já experimentou tristes desenganos.

A estas palavras, dominadas por equilibrado senso político, dou a minha inteira concordância e o meu modesto voto, para que se não repitam os tristes desenganos, a que se refere o Eng.º Araújo Correia, de um passado da nossa história em que, mercê de maus pilotos, vogámos, sem rumo, ao sabor de apetites estrangeiros. Estas as palavras com que desejamos iniciar a nossa intervenção neste debate, porque elas definem uma atitude que me tem servido sempre de guia na vida política. Eis a razão por que lhes dou este realce.
Faremos, assim, como prólogo da nossa contribuição para o estudo das Contas Gerais do Estado, uma análise muito sumária do texto introdutório do parecer, enquadrando esta, para melhor compreensão do que me proponho dizer, por uma nota sobre a conjuntura político-económica do momento que passa. Assim melhor se entenderá o sentido que considero mais favorável para a evolução da economia nacional, por forma que esta possa constituir, no momento crucial que o Mundo atravessa, o necessário apoio na difícil e ingrata missão que compete a Portugal desempenhar nos tempos vindouros. E a política que hoje defendo quanto ao desenvolvimento das actividades produtivas foi também a que sempre defendi. Eis a razão por que só terei necessidade, nesta fala, de actualizar o que por mim já foi dito o redito noutras ocasiões.
Está decorrendo, no momento actual, uma profunda transformação do mundo político, que atinge, digamos, julgo sem exagero, todos os povos dispersos pelas cinco partes do Mundo. Por outras palavras, poderíamos, talvez, afirmar que, no contemporâneo, já estamos volvendo páginas cuja leitura nos permute, olhando o passado de dois séculos quase volvidos, dizer que já estará ultrapassado um novo período de caldeamento medieval. E quem sabe se não estaremos já a assistir à aurora de uma nova renascença ...
Escrevia o Dr. Manuel Bodrigues, com a superior visão que tinha dos fenómenos da vida política e social, e naquela forma tão simples, mas profunda, que o destacou entre os escritores políticos contemporâneos, o seguinte judicioso conceito:

Talvez se possa dizer, em filosofia, que os problemas postos ao homem, através das idades, são sempre os mesmos e não muitos.

Na realidade, a história regista, com um ritmo quase pendular, aspectos da vida dos povos que só nos é permitido distinguir, no espaço e no tempo, pela própria evolução da paisagem da existência.
Assim nasceram e caíram, para novamente nascerem, impérios; libertaram-se, tolheram-se e libertaram-se de novo liberdades; sucederam-se, alternando, aristocracias, democracias, ditaduras de poucos ou de muitos na governação das gentes; nivelaram-se e desnivelaram-se degraus que formam a estrutura das sociedades; batalhou-se para se conseguir a paz, fonte de novas guerras; despertaram-se, a todo o momento, migrações dos povos, para se estabilizarem depois, gerando novos movimentos; forjaram-se laços e alianças, logo destruídos, para se formarem novos elos.
E neste vaivém contínuo que é a história da existência humana os quadros vão-se sucedendo, repetindo-se, de onde a onde, e às vezes com renascimentos imprevistos, talvez por imperfeita visão de quem vê. E quando o homem, olhando em redor, sentiu ao seu alcance vidas de outras vidas, aniquilou a seu belo talante, na mira de ajudar a nascer. Assim foi sarando chagas para poder continuar a produzir feridas e, valha-nos Deus, na sua ânsia de dominar os elementos para difundir o seu bem, sonhando com mundos em que o labor fosse menos penoso, julgou-se senhor dos seus próprios destinos. Mas sempre o mesmo fim, princípio de novos fins, o fatal regresso ao ponto de partida - o reino de todos os reinos, o das forças eternas que Deus criou. Então, o homem recomeçará a sua dura faina, ficando poucos documentos a atestar o que foi a idade finda, por terem secado grande parte das suas fontes. Apenas ténues reminiscências darão, no futuro, pálida ideia do passado.
Algumas antigas civilizações já extintas tinham deixado, porém, como rasto, apagadas cinzas, mas que eram. traços imperecíveis de notáveis criações humanas. Noutros lugares da terra missionários e navegadores, em perfeita