O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

560 DIÁRIO DAS SESSÕES N.º 33

Foi assim, nessa luta de morte, encerrado o Suez, principal comunicação com o Oriente distante. Destruído também o casamento feliz euro-africano realizado pela culta França no Norte do continente negro. E são ainda essas acções -tentaculares marxistas e américo-materia-listas que se entrelaçam, por vezes, para destruir a posição da Europa no próprio coração da África e que procuram minar o sólido obstáculo oposto por Portugal aos desígnios dissolventes do materialismo mundial.
São assim também as tentativas orientais, com apoio na Tanzânia, para dominar a costa oriental do continente negro e actuar, como fortes flechas, no litoral estratégico do golfo da Guiné, preparando futuro assalto à América do Sul. É ainda toda essa diabólica organização onusiana a procurar dissolver a força europeia, sob o signo deformante do anticolonialismo. E é dentro da mesma orientação política que à sombra desse combate ao colonialismo branco se luta hoje não para varrer o branco da África, mas tão-sòmente para afastar o branco europeu e para instalar nesse continente o domínio das forças comunistas ou do capitalismo yankee.
Por isso, não nos deve admirar a coincidência, em alguns casos, de se associarem essas forças dissolventes, aparentemente opostas, como acontece nessa Tanzânia subversiva, onde organizações americanas apoiam, financeiramente, as actuações terroristas, alimentadas, porém, por técnicos e material de guerra chinês e russo.
Quando, todavia, passem a estar ameaçados os interesses vitais de qualquer dos neocolonialistas brancos ou amarelos, são então esquecidos todos os princípios democráticos de governação e assiste-se a uma cadeia de golpes militares, instituindo-se ditaduras e mudando frequentemente de mão a batuta neocolonialista.
Simples movimentos consequentes da juventude política dos estados africanos, diria sapientemente o ex-secretário de Estado Americano para Assuntos Africanos Sr. Mennem Williams! E claro que não opinam assim os mentores russos ou chineses, que vêem os seus inúmeros agentes e especialistas obrigados a partir, inesperadamente, para outros rumos. E o espelho de toda esta luta entre bastidores tem os seus reflexos evidentes nas conferências da desunião africana, sob o ceptro do real ditador das Abissínias.
E assim vai o mundo.
Não será, porém, de todo fora do interesse nesta Assembleia política, e num debate sobre problemas eminentemente económicos e financeiros, mostrar a origem de alguns factores que comandam estes movimentos subversivos e que atingem tão profundamente a economia da Europa.
Vejamos, por exemplo, o caso do cobre, entre outros, ainda há poucas sessões focado nesta Assembleia pelo nosso distinto colega comendador Santos da Cunha. Dizia então, com toda a razão, esse estimado Deputado que seria necessário impedir por todas as formas possíveis a exportação de sucata de cobre, atendendo à penúria que se verifica, quanto às suas existências no mercado português. Dias depois os noticiários estrangeiros faziam referência a falta idêntica, guardada é claro a escala, ma grande Norte América.
Então qual a razão destes defeitos, quando as minas deste precioso metal, quer as de África, quer as da América, não atingiram ainda, de qualquer maneira, situação de penúria quanto a possibilidades de exploração industrial? A explicação não será, porém, difícil de encontrar se tivermos em linha de conta que o cobre, sendo um metal estratégico, atrai o interesse dos dois grandes
do mundo materialista, que não se dispõem, qualquer deles, a perder o domínio das suas fontes de poderio.
É assim o grupo americano, a que pertencem inúmeros magnates da política com posição destacada nas minas de cobre do Chile, esforçou-se, numa luta sem quartel, por obter posição dominante no Centra da África, nas célebres minas de Katanga. E, essa luta teve a cobertura onusiana, cujas tropas multicolores foram pagas e bem pagas para realizar a destruição do pouco que funcionava, ordeiramente, nesse infeliz Congo ex-belga, e isto só à custa de dólares retirados ao contribuinte do novo mundo. Rublos não receberam decerto essas tropas para conseguirem a almejada vitória! Conseguida esta e tomadas posições destacadas por parte do capitalismo americano no capital da empresa - a Union Minière -, regressou de novo ao Congo, por forma imprevista, o único estadista capaz de restabelecer a ordem e permitir, assim, o restabelecimento da necessária segurança para os novos capitais investidos.
Tanto bastou, porém, para que, como contrapartida, os comunistas chilenos desencadeassem, às ordens de Moscovo ou de Pequim, greves prolongadas nas minas, o que levou, por via deste contragolpe, a uma situação de penúria deste metal não só na industrial América como em todos os mercados do Ocidente.
Eis, Sr. Comendador Santos da Cunha, uma explicação muito simples e por muitos desconhecida de um problema de alto interesse para a economia da Europa.
Outros casos poderiam ser apontados para mais perfeita compreensão de alguns passos obscuros desta guerra fria que está afectando gravemente todos os povos. É o caso das falhas de corrente eléctrica, que paralisaram durante largo período a vida das zonas industriais americanas, como tinha acontecido, anos atrás, na Grã-Bretanha, e tantos outros casos semelhantes, mas a hora já vai adiantada. Vamos assim continuar.
As guerras trouxeram, em todos os tempos, além de grandes prejuízos materiais e morais na vida dos povos, é um facto, inúmeros benefícios, é certo, também, e estes verificaram-se, muito particularmente, no capítulo do progresso das ciências e das técnicas.
Assim aconteceu após o findar dos dois grandes conflitos guerreiros do século que corre, especialmente, digamos, com carácter espectacular, depois da última grande guerra.
O progresso das ciências matemáticas e físico-químicas, com as consequentes incidências no ramo da biologia e nas ciências aplicadas que nelas se apoiam, foi, na realidade, altamente significante. E ainda é mister realçar o caso da economia, apoiada, hoje, largamente, na matemática, na psicologia e na sociologia, passando, também, a constituir indiscutível fundamento na evolução progressiva da técnica.
Este movimento de ascensão científica e tecnocrática atingiu o plano da governação dos povos e a tal ponto que não se concebe, hoje, qualquer programa de fomento, que constitua bandeira de actuação política, quer de partidos, quer de nações, que não seja escalpelizado, até ao âmago, por especialistas dos ramos do direito, da economia, da sociologia, da medicina, da engenharia, nas suas múltiplas especialidades, e não sei que mais.
Assim, as soluções políticas passaram a ter, cada vez mais, o carácter de soluções técnicas, competindo ao político principalmente a hábil escolha dos meios para atingir predeterminados fins, por forma a criar ambiência pública favorável e assim facultar a continuidade de uma actuação que, no fundo, reveste, sempre, reflexos