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564 DIÁRIO DAS SESSÕES N.º 33

Foi, em primeiro lugar, levantada a carta dos solos, base de todo o trabalho sério de planeamento económico. Depois de três anos de estudos minuciosos de numerosos especialistas, foi elaborado um plano de conjunto, abrangendo a hidroelectricidade, a hidráulica agrícola, o fomento agrícola e a florestação, o fomento Industrial e o da rede de vias de comunicação.

Começou depois a construção activa de barragens, algumas com mais de 150 III de altura; outras muito menos altas, mas muito mais extensas, chegando a atingir 2500 m. Foram assim construídas 27 barragens, além de 150 estações meteorológicas que dão, duas vezes ao dia, indicações pluviométricas seguras, por forma a permitirem regular, com toda a precisão, a vida desse vale, baseada na energia da água corrente. E quando este sonho ainda ia a meio, tinham já desaparecido, de vez, as perigosas cheias e a vida começava a correr com mais doçura e suavidade nos vales e nas encostas.

Á circulação fluvial foi restabelecida e assim pode-se hoje viajar desde Nova Orleães, subindo o Mississipi, o Oaio e o Tenessi, até Knoxville, a uma distância superior a 250 milhas.

Em 1933 o vale do Tenessi dispunha de muito menos kilowatts que a Noruega. Quinze anos decorridos, o Tenessi tinha triplicado de produção, e hoje já ultrapassou o nível norueguês, embora sejam muito maiores os recursos deste último país.

O preço da energia eléctrica - muito baixo - foi o segredo desta grande vitória, e esse preço foi o fruto amadurecido de um bem conhecido plano.

Não se julgue, porém, fácil a vitória conquistada. O combate foi de facto rude e ainda continua nos milhares de explorações agrícolas, florestais e industriais do vale do Tenessi. Mas a poderosa arma de toda esta luta, a electricidade barata, que todos podem utilizar, vai vencendo os maiores escolhos. Nos domínios da agricultura, no uso doméstico, nas casas e nos estábulos, nas fábricas e nas minas, nas máquinas de granjeio e nos motores de rega, nas instalações de conservação frigorífica e nas de secagem eléctrica de produtos da exploração e em muitas outras iniciativas o uso da electricidade multiplica-se a cada momento. Mas para que tudo isto não fosse .simples castelo de cartas, fácil de desmoronar, paralelamente foi dada a necessária assistência técnica individual nas casas, nas indústrias e nos campos.

Com electricidade barata surgiram assim, como por encanto, 1500 noras unidades industriais. Algumas são pequenas, muitas são médias e ainda algumas enormes. A maior de todas elas é a unidade atómica de Oak Bidge, que foi necessário erigir para produzir ainda mais energia para as necessidades presentes e futuras desse vale, hoje de maravilha, ontem de miséria e de pobreza.

Esta a história que julguei oportuno contar, disse então, história muito simples do que se passou num território muito pobre de um grande e rico país, e em que o homem, com inteligência e esforço, redimiu os erros cometidos pelo próprio homem, fazendo nascer a felicidade com as raízes ainda imersas na desventura.

Entre nós muitos casos poderão e deverão ser resolvidos de acordo com este figurino ou similares. Se não for feito, na realidade, o necessário encadeamento entre a hidroelectricidade, a hidráulica agrícola, o repovoamento florestal, o combate à erosão, o fomento agrícola e a colonização em cada bacia hidrográfica, trabalharemos, com certeza, mais devagar e, também decerto, muito pior. E não esqueçamos, a este respeito, que ainda hoje. na própria América, se assiste, sem qualquer possibilidade de luta imediata, à destruição de obras grandiosas de hidráulica agrícola e de hidroelectricidade, valendo muitos milhões, pelas forças desencadeadas pela erosão. E isto tudo apenas consequência da falta de harmonia e de escalonamento dos trabalhos levados a cabo por homens progressivos.

Só juntas autónomas análogas à T. V. A. dos Estados Unidos, eivadas do mesmo espírito, poderão resolver, em base conveniente, os problemas de fomento das principais bacias fluviais. Este o sistema a preconizar não só para a América, mas, de um modo geral, para todo o Mundo.

De resto, conforme acentuam os próprios delegados sindicais noruegueses, a experiência e os meios de trabalho, reunidos para determinado esquema são assim utilizados, em bloco, em todos os esquemas semelhantes, o que representa apreciável economia e garantia de êxito do trabalho.

Aguardemos por isso que surjam, para mais perfeita realização da obra de fomento económico do País, os T. V. A. das; nossas principais bacias hidrográficas. E não haverá nada que inventar sobre este assunto, pois esta história pode repetir-se mudando apenas de cenários.

Para aqueles que, .porém, desejam apenas ver modernizada a Europa, sem olhar a diferença de idade e de feitios, e para varrer desde já utopias, é de dizer que nos países novos tudo é esplendor porque o filão está ainda virgem. Neste território onde vivemos, berço que já foi de muitas gerações, há que ter mais paciência; não falta a observação e muitas vezes a própria experiência.

Apenas - e esta é a verdade - o que nos falta para sermos mais progressivo(r) é só a juventude, mas esta, que não volta, pode ser beneficiada ainda com os conselhos de quem já dobrou 800 anos. E temos também algo a apresentar em nossa defesa no tribunal das virtudes agrárias.

O célebre vinho do Porto, néctar entre os néctares - nobre em cujo brasão figura a labuta, a ardência e a dor; os excelentes vinhos de mesa, como o precioso Dão, o .Colares, os Verdes, e tantos outros; a venerável cortiça, vencedora de inúmeros sucedâneos; o óleo, que alumiou muitos dos nossos anseios, e as perfumadas frutas, que foram a sobremesa mais apreciada das cortes europeias, são elevados expoentes, da nossa virtude agrária. Não devemos ser, por isso, com certeza, castigados por incúria ou por mau aproveitamento dos bens cuja guarda nos foi dada.

Também não se poderá afirmar que outros tenham feito mais e melhor com tão pouco. Descobrimos, catequizámos e assimilámos um mundo, e uma nova nação surgiu das nossas entranhas a prolongar no além o fomos aquém- Atlântico.

Sejamos por isso confiantes, que, sob a égide de Salazar e seguindo a esteira do passado que voltámos a encontrar, nos- esperam melhores dias e ao Mundo a nossa experiência e a juventude da nossa velhice.

E assim disse e hoje, repetindo, disse.

Vozes: - Muito bem, muito bem! O orador foi muito cumprimentado.

O Sr. Presidente: - Vou encerrar a sessão. O debate continua na sessão de amanhã, à hora regimental, sobre a mesma ordem do dia. Está encerrada a sessão.

Eram 19 horas e 5 minutos.