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668 I SÉRIE - NUMERO 18

vitualhas do compadrio; a velha e agora renovada política externa é a inversão de todos os passos que, metodicamente, foram sendo corridos desde o 25 de Abril; a revogação dás leis económicas são o desvio. aventureiro dos caminhos da democracia portuguesa, destinado à transferência do poder económico, social e político para os grandes grupos económicos.

Tudo isto mostra o que é a "mudança" proposta pelo Governo. É a negação do princípio da alternância democrática. É, pelo contrário, o princípio da cisão, da ruptura antidemocrática. 15to é, a quebra do regime.

O Sr. António Lacerda (PSD): - Não apoiado!

O Orador:- No plano das relações externas, o Governo, pautado por critérios abandonados há muito na prática internacional, tem conduzido a sua acção em resposta exclusiva aos interesses das camadas sociais que. internamente, lhe emprestam apoio político. Nesse domínio, a sua acção tem sido a sensitiva das forças políticas da direita reaccionária que, inesperadamente para muitos, tem vindo a definir a conduta política do bloco da Aliança Democrática.

O Sr. Presidente: - Sr. Deputado esgotou o seu tempo. Queira terminar, por favor.

O Orador: - A uma prática de reequilibrio, diversificação e abertura das nossas relações internacionais, adoptada depois do 25 de Abril na perspectiva da redignificação do País, do retorno ao convívio e à solidariedade dos povos, das especiais relações de amizade com as ex-colónias, das novas e exaltantes tarefas a cumprir por Portugal na mediação dos continentes e no concerto das nações, a tudo. isso seguiu-se, Sr. Presidente e Srs. Deputados, uma outra prática, extraída da baixa política dos anos 50 de Salazar, com os ingredientes da intolerância, da postura rígida, do alinhamento vesgo, e do anti-soviétismo sertanejo.

Vozes do CDS: - Não apoiado!

O Orador:- A tudo isto seguiu-se, Sr. Presidente e Srs. Deputados, o claro desprivilégio das nossas relações com as ex-colónias, desprezando - quem sabe? um incomensurável acervo de possibilidades de colocar Portugal num centro vital das relações internacionais.
A operação Jonas Savimbi, projectada em sincronia pela imprensa dos Estados Unidos, foi uma autêntica afronta aos sentimentos antifascistas do povo português e põe em causa o decoro e a lealdade das nossas relações com o Estado e o povo de Angola e os interesses do nosso país.
Na política externa, é por demais evidente também, que o Governo promove calculadamente a ruptura, mudando bruscamente de sentido todo o longo trabalho dos governos democráticos anteriores, esquecendo que as relações externas do País não podem variar de natureza,- de métodos e de fins todas as vezes que, por efeito de alternância democrática, houver mudança de Governo. Este princípio, que é válido para as acções de política interna, deve ser impositivo para as relações internacionais, sob pena de ser desarticulado, até por insegurança natural dos outros países, todo o aparelho das nossas relações externas.

O Sr. Presidente: - Sr. Deputado Luís Catarino, V. Ex.ª sabe o prazer que eu pessoalmente tenho em ouvi-lo, mas há muito que excedeu o tempo de que dispunha. Nos termos de Regimento, peço-lhe que abrevie a sua intervenção.

O Orador: - Terminarei de imediato. Sr. Presidente.
Para concluir, direi apenas que o Estado Português corre riscos. Contra eles cabe-nos avisar os Deputados democratas desta Assembleia e confiar na força, lucidez e consciência do nosso povo.

Aplausos do MDP/CDE, do PS e do PCP.

O Sr. Amândio de Azevedo (PSD): - Peço a palavra, Sr. Presidente.

O Sr. Presidente: - Para que efeito deseja usar da palavra, Sr. Deputado?

O Sr. Amândio de Azevedo (PSD): - Para formular um protesto, Sr. Presidente.

O Sr. Presidente: - Peço-lhe o favor de, nos termos Regimentais, ser breve e conciso.
Tem V. Ex.ª a palavra, Sr. Deputado.

O Sr. Amândio de Azevedo (PSD):- Sr. Presidente, limitar-me-ei ao tempo, concedido pelo Regimento, ao contrário do que aconteceu com o orador que acaba de usar da palavra.

Vozes do PSD e do CDS: - Muito bem!

O Orador: - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Perante uma intervenção, como aquela que acaba de ser feita, a única atitude possível é na realidade a de fazer um protesto.

Ninguém que tenha ouvido esta intervenção pode dar o mínimo crédito às afirmações que nela foram proferidas e queria acentuar que ela está de acordo com o conceito de democracia que nós sabemos ser o do MDP/CDE, satélite do PCP como foi agora perfeitamente demonstrado.

Aplausos do PSD, do CDS e do PPM.

Os democratas, quando não concordam com as opiniões dos outros criticam essas opiniões e os seus argumentos, dizem quais são as soluções mais aconselháveis, mas não se limitam, pura e simplesmente, a chamar antidemocratas àqueles que, não concordam com eles.

Vozes do PS e do CDS: - Muito bem!

O Orador: - Nesta intervenção falou-se - tirando à sorte algumas das passagens - em paralisação da Assembleia da República, em abuso do direito, em desafio ao Presidente da República, em desafio aventureiro aos caminhos da democracia, em cisão e ruptura antidemocrática, etc. Aonde é que nós vamos, Sr. Presidente e Srs. Deputados? Eu não vou pedir ao Sr. Deputado que usou da palavra que me demonstre em que pontos é que o Governo violou