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"bolchevique de direita", conforme dizem a seu respeito alguns membros desta Assembleia.
O Sr. Deputado aproveitou a sua intervenção para atribuir ao Partido Socialista, afirmações e pontos de vista que não perfilha. Não é necessário para a defesa das suas ideias imputar-nos pensamentos que não temos e denegrir a Assembleia da República, a que tanto o Sr. Deputado Rui Pena como eu pertencemos.
Afirmou o Sr. Deputado que esta Assembleia tem dado uma má imagem de si própria. Creio que esta sua afirmação merece o meu veemente protesto e integra-se naquela crise de identidade democrática da direita portuguesa de, que o Sr. Deputado Rui Pena é um dos mais brilhantes representantes. Realmente antes do 25 de Abril, nunca a direita portuguesa criticou, atacou ou fez qualquer reparo à actuação da Assembleia Nacional que funcionou neste mesmo edifício. Ou seja, estava satisfeita! Após o 25 de Abril, e desde. que a Assembleia da República funciona, vê-se que a direita portuguesa está insatisfeita com a sua actuação, ao mesmo tempo que, através do seu Governo, ou dela própria, faz obstrução ao seu normal funcionamento, vem dizer que o Parlamento português não funciona, como se o Parlamento português fosse dispensável e bastasse para governar Portugal a - perpetuação do Governo da Aliança Democrática e do seu binómio Sá Carneiro/Freitas do Amaral
Ora é evidente que a Aliança Democrática, não tem autoridade moral para criticar esta Assembleia, pela sua actuação e pela actuação do seu Governo - conforme aqui já foi referido -, através de massas sucessivas de ratificações sem justificação, através da ausência sistemática do Governo nesta Assembleia e através de uma actuação muitas vezes obstrucionista, conforme se verificou até na última sessão. Ou seja, é a própria maioria parlamentar e o Governo que têm contribuído para tornar pouco eficaz a sua actuação Mas mesmo que houvesse quaisquer deficiências desta Assembleia, a contribuição dos democratas é esforçar-se, por corrigir os seus erros e não estar constantemente, a denegrir e, a praticar uma campanha de detracções; contra o Parlamento, que é uma instituição central da nossa democracia.

O Sr. Presidente: - Queira concluir, Sr. Deputado.

O Orador: -Por outro lado, o Sr. Deputado Rui Pena atribuiu-nos o intuito de jogar na desintegração da Aliança Democrática. Isso não corresponde. à realidade . ..

Vozes do CDS: -Que ideia!

O Orador: -Conforme já aqui disse, nós fazemos votos para que a Aliança Democrática se mantenha íntegra, porque pensamos que ela será derrotada, nas próximas eleições.

O Sr. Narana Coissoró (CDS): - Outra vez!

O Orador: - 0 PS nunca foi derrotado! Só é derrotado quem desiste de lutar. Nós não desistimos de lutar, nem no tempo, do Salazar, nem no tempo de Marcelo Caetano, nem no tempo de Sá Carneiro ou de Freitas do Amaral.

O Sr. Carlos Candal (PS): -Muito bem!

0 povo português julgará no momento oportuno.
Consideramos normal que o povo português não tenha dado um voto tão, maciço ao Partido Socialista como deu noutras eleições. Nós acatamos o seu veredicto, não consideramos que seja uma derrota, acatamos os resultados democráticos como é próprio dos democratas.

O Sr. Presidente: -Sr. Deputado Salgado Zenha, desculpe, mas, tem de concluir a sua intervenção porque já esgotou o seu tempo.

O Orador: - Peço vénia à Mesa para me conceder uma prorrogação de mais um minuto e meio, conforme tem sido hábito. Se a Mesa usa para com o Partido Socialista de uma dureza e rigidez que não tem mostrado para com os outros partidos, acatarei essa decisão.

O Sr. Presidente: -Sr. Deputado, se a Mesa fosse extremamente rígida já lhe tinha tirado a palavra quando esgotou os três minutos.

O Orador: -Então se assim é, não uso mais da palavra.

Apenas faço votos para que haja igualdade de tratamento em relação aos vários partidos.

O Sr. Presidente: - É sempre esse o meu critério, Sr. Deputado.

Vozes do PSD e do CDS: - Muito bem!

O Sr. Presidente: - Tem a palavra o Sr. Deputado Carlos Brito.

O Sr. Carlos Brito (PCP): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: O Sr. Deputado Rui Pena sentiu necessidade de vir aqui proclamar o seu apoio ao Governo, circunstância que lhe fica bem porque já se tinham suscitado dúvidas a esse respeito.

Risos gerais.

O Sr. Deputado Rui Pena, que se preocupou na ,sua intervenção particularmente com a estratégia dos partidos, da oposição relativamente às eleições presidenciais, pareceu-nos, no entanto porque a esse respeito só contou anedotas, que falaria mais para os partidos da coligação do que para os partidos da oposição. É estranho que tendo falado tanto da estratégia dos partidos da oposição relativamente às eleições presidenciais, não tenha dito nada relativamente à estratégia dos partidos da coligação governamental em relação às mesmas, eleições. Creio que era sobre isso que a Câmara estava especialmente interessada e é por isso que lhe quero fazer alguns pedidos. de esclarecimento.
Tem o Sr. Deputado Rui Pena algum comentário a fazer relativamente às diversas sensibilidades que, segundo a imprensa, coexistem e colidem no seio da coligação governamental? Quer o Sr. Deputado Rui Pena adiantar alguma coisa, por exemplo, em relação ao perfil do candidato da AD às eleições presidenciais?

O Sr. Emídio Pinheiro (CDS): - Querias...