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não haver tempo de resposta. No entender da minha bancada, tem que haver sempre tempo de resposta, ainda que esta deva ser concisa e limitada, como diz o Regimento.

O Sr. Presidente: -Como vêem, Srs. Deputados, a situação é de facto absurda e melhor seria atermo-nos à letra e ao espírito do Regimento. Mas, já que foi esse o. consenso estabelecido, embora pessoalmente esteja em desacordo com essa interpretação do Regimento, assim se procederá.
O Sr. Deputado Sousa Tavares pediu a palavra. Pode dizer-me para que efeito é?

O Sr. Sousa Tavares (DR): - Parece-me que este consenso, uma vez que foi acordado entre todos os grupos parlamentares, deve ser respeitado. Em todo o caso, eu creio que mesmo o Sr. Deputado Veiga de Oliveira achará sem dúvida absurdo que, se façam perguntas a uma pessoa sem que ela tenha a direito de resposta.

O Sr. Presidente: - É o caso, Sr. Deputado.

O Orador: - De maneira que tenho a impressão que, para isso deve ser aberta uma excepção, o que ponho à consideração dos grupos parlamentares.

O Sr. Presidente: - As excepções processuais conduzem sempre a anarquias, processuais, como V. Ex.ª sabe.
Tem a palavra o Sr. Deputado Veiga de Oliveira.

O Sr. Veiga de Oliveira (PCP): -Sr. Presidente eu quero esclarecer que aquilo que eu disse é que: tanto quanto possível, devia ser tido em conta o tempo sobrante e, de qualquer maneira, que fossem curtas as respostas. Eu não defendi a impossibilidade absoluta de resposta. 0 que eu disse é que se devia atender no fundo ao mesmo princípio: que não fosse por essa via prolongado indefinidamente N período de antes da ordem do dia. E lembro o seguinte, Sr. Presidente, talvez não esteja na memória de todas, mas na de alguns estará, a prática de que no prolongamento do período de antes da ordem do dia as perguntas ou quaisquer alegações contrariam no tempo dos cinco minutos já se verificou na sessão legislativa passada, portanto nem sequer é novidade. Naturalmente a questão das respostas põe-se nos seguintes termos: tanto quanto possível, deve-se respeitar o tempo sobrante e, se não há, convém que a resposta seja curta e incisiva, como aliás o Regimento pede que seja.

O Sr. Presidente:- Já perdemos demasiado tempo com essas questões preliminares. Estão inscritos quatro Deputados para solicitar esclarecimentos ao Sr. Deputado José Manuel Casqueiro. Segundo o Regimento, ele teria doze minutos para responder, já excedeu em dois minutos o seu tempo regulamentar, vamos a ver qual é a saída.
Tem a palavra o Sr. Deputado Mário Tomé.

O Sr. Mário Tomé (UDP): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: 0 Governo AD cobre a entrega de reservas aos grandes latifundiários e capitalistas agrários com a miserável demagogia da posse individual

da terra, porquanto sabe que o trabalhador individual isolado não vai poder resistir à voragem dos grandes capitalistas agrários e vai ser por eles trucidado.

O Sr. Carlos Candal (PS): - 0 trunfo é ouros!

O Orador: - Eu queria perguntar ao Sr. Deputado José Manuel Casqueiro se não sabe que na "divina" CEE, par ano, centenas de milhares de pequenos camponeses são obrigados a abandonar as suas terras e a proletarizarem-se, engrossando o exército de desempregados e enchendo os bairros de lata e as ilhas em volta das grandes cidades. Conhecendo certamente estes factos, como se explica que nos venha aqui falar na desproletarização dos trabalhadores da terra, quando todos sabemos que o futuro é dos proletários
Risos do PSD. do CDS, do PPM e dos Deputados Reformadores.

O Sr. Presidente: -Tem a palavra o Sr. Deputado Luís Catarino.

O Sr. Luís Catarino (MDP/CDE): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Vamo-nos dando conta de que o Sr. Deputado José Manuel Casqueiro tem um entendimento próprio. do que deve ser a redenção dos trabalhadores do campo, nomeadamente do Alentejo, e vamos também tendo a noção de que é contra os latifundiários e os latifúndios.
Eu pergunto, se realmente é, como parece ser, contra a concentração da terra na mão de grandes proprietários, visualizando antes a repartição, numa filosofia privatista de detenção da terra, por adjudicação de parcelas de terra a vários camponeses que a ficam a deter - em propriedade privada plena julgo que é este o seu conceito -, o que é que nos pode dizer o Sr. Deputado acerca da expropriação, com certeza necessária, dos 700 000 ha que falta expropriar? Mais, que pensa o Sr. Deputado, na sua óptica de atribuição de parcelas de terra em propriedade plena aos vários camponeses agricultores, acerca da entrega das áreas nacionalizadas, antes mesmo do começo das expropriações, que se situam nos perímetros de irrigação por obras de aproveitamento hidráulico?
Gostava que me respondesse concretamente a estas duas perguntas. Repetindo e concisando: 700 000 ha que falta expropriar e as áreas dos perímetros de rega das obras de aproveitamento hidráulico.

O Sr. Presidente: -Tem a palavra o Sr. Deputado António Campos.

O Sr. António Campos (PS): -Sr. Presidente, Srs. Deputados: Quando vi levantar-se para usar da palavra o Sr. Deputado José Manuel Casqueiro julguei que ele vinha dizer alguma coisa a respeito das graves acusações de que há dias, à guisa de esclarecimento, dei conhecimento a esta Câmara. O Sr. Deputado optou por outra estratégia. Julguei ainda que ele poderia vir justificar perante a Câmara, mas tal não aconteceu, o não cumprimento de muitas das promessas que fez no distrito de Portalegre, como, por exemplo, a promessa de que o preço do azeite seria acrescentado do valor da inflação pelo Governo e, passados, uns dias, aumentaram 5$ ao produtor e 34$ ao intermediário.