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29 DE MARÇO DE 1980 1361

O Orador. - Infelizmente, o povo não está!

O Sr. Manuel Moreira (PSD): - Como é que sabe?!

O Orador: - O povo não está satisfeito com os resultados do balanço na Páscoa de 1980! Mas, na verdade, é fácil conseguir essa auto-satisfação quando ela se busca em afirmações que, a meu ver, pecam - se o Sr. Depilado Pedro Roseta me perdoa por imprecisão, para não dizer inverdade. Dizer que a oposição consome e destrói o tempo na Assembleia da República e que, apesar disso, há uma eficácia legislativa nunca antes verificada, quando sabemos que o trabalho nesta Assembleia tem sido, mais do que impedir, bloqueado no que tem de sério e apenas produtivo no que tem de banal pelos pedidos de autorização legislativa do actual Governo...

Vozes do PS: - Muito bem!

O Orador: - ...; dizer que do lado do Governo e do Sr. Primeiro-Ministro estão a serenidade e a lucidez e da nossa parte histeria! dizer que fomos cilindrados nos debates desta Assembleia da República; dizer que as dificuldades do País se devem ao período em que fomos dominantes no Poder; dizer que a oposição defrauda a vontade popular dizer que só há democracia quando estão no Poder; dizer que a nossa linguagem já pouco se distingue da do Partido Comunista...

A Sr.ª Teresa Ambrósio (PS): - É de mais!

O Orador: -...; dizer que negamos agora o que fizemos no passado, inclusive em iniciativas legislativas e em diplomas por nós aprovados; dizer que tudo isto é verdades Sr. Presidente, é querer procurar justificações para lutemos que não existem, é querer falsear os resultados.
O nosso ponto de vista é que o actual Governo, à beira da Páscoa de 1980, se salda por um fracasso e tem apenas que encontrar justificação para a sua auto-satisfação desculpe-me uma vez mais o Sr. Deputado Pedro Roseta na inverdade e estes exemplos que acabo de dar são mais do que suficientes para comprovar que assim é.

Aplausos do PS.

O Sr. Presidente: - Tem a palavra o Sr. Deputado Pedro Roseta para responder, se assim o entender.

O Sr. Pedro Roseta (PSD): - Sr. Presidente, disponho segundo creio, de nove minutos. Não é assim?

O Sr. Carlos Candal (PS): - Que não chegam!

O Orador: - Chegam e sobram, Sr. Deputado!

Sr. Deputado Carlos Brito, o Partido Comunista ainda ontem falou aqui no desejo de o Governo foi imediatamente demitido. Quer um melhor, exemplo de uma ameaça de bloqueamento das instituições do que aquela que vem do seu próprio partido?

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Sr. Carlos Brito (PCP): - Ridículo, Sr. Deputado, ridículo!

O Orador: - Que aconteceria se o Governo fosse demitido por qualquer dos motivos que o Sr. Deputado poderia prever e que eu não prevejo?

Risos do PS.

Nessa altura haveria, como, aliás, disse na minha declaração política, um bloqueamento das instituições; nenhum outro Governo veria passado aqui o seu programa e então, sim, teríamos as instituições completamente bloqueadas.

Vozes do PSD e do PPM: - Muito bem!

O Orador: - Quanto às tácticas dilatórias, referi-me a uma única ocasião, que foi aquela noite do diálogo encantador entre as franjas e os interiores da APU...

Vozes do PSD e do PPM: - Muito bem!

O Sr. Carlos Brito (PCP): - Não há mais?...

O Orador: - Mas não vale a pena estar a recordar isso! Para quê recordar uma noite triste que, aliás, se saldou em mais uma derrota dos partidos da oposição. Está, portanto, neste ponto, o Sr. Deputado esclarecido.
Referiu-se também o Sr. Deputado ao problema da batata e da credibilidade do Governo ligado à batata.

O Sr. Dias Lourenço (PCP): - Batata quente, Sr. Deputado!

O Orador: - Não é tão quente como isso, Srs. Deputados.
Em relação a esta questão falou o Sr. Deputado em bichas longas. Bom, Sr. Deputado Carlos Brito, bichas longas há-as certamente nos países colectivistas...

Risos do PS e do PCP.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador. - ... e as bichas que cá existem devem ser restos do colectivismo que os senhores deixaram.

Aplausos do PSD, do CDS e do PPM.

Risos do PS e do PCP.

Mas em relação a isto, quero informá-lo que, segundo me dizem, a batata já está a ser distribuída nos postos respectivos e devo dizer-lhe também que o Governo fez mais do que os senhores queriam: juntou à batata o bacalhau, para não ser comida sem este.

Vozes do PSD, do CDS e do PPM: - Muito bem!

O Orador: - Quanto à questão referente às «Grandes Opções do Plano», o Sr. Deputado falou em 3%. Pois devo dizer-lhe que me falam, embora eu não seja especialista na matéria...

O Sr. Vital Moreira (PCP): - Não é especialista em nada!