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3394 I SÉRIE - NÚMERO 71

trica, apresentados um pelo PCP e outro pelo PS, já apreciados e votados em sessão anterior.

Para esse efeito, tem então a palavra o Sr. Deputado Luís Barbosa.

O Sr. Luís Barbosa (CDS): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: O Grupo Parlamentar do CDS não quer deixar de manifestar a sua preocupação pelo que ocorreu com uma parte dos trabalhadores da Standard Eléctrica, mas também estamos convencidos que não é o aproveitamento político dessa situação a melhor forma de servir o interesse desses mesmos trabalhadores.
Não há dúvida de que a capacidade que qualquer Governo pode ter para impor um certo número de condições que se podem considerar antieconómicas em empresas estrangeiram será extraordinariamente reduzida. E, não nos iludamos, este não é um problema de um Governo da AD ou de um Governo de outra qualquer força ou coligação política, visto que este tipo de restrições serão naturalmente de ter em conta, qualquer que seja o Governo que exerça a sua actividade em Portugal.
Queria terminar muito sucintamente dizendo que nos parece cada vez mais necessário para que o direito ao trabalho seja preservado que se criem em Portugal condições de funcionamento normal da nossa economia, as quais, pode dizer-se ainda não existem neste momento. Parece-me que é neste sentido que o esforço desta Assembleia terá de ser conduzido, procurando estabelecer as condições mínimas de um funcionamento equilibrado e são da economia portuguesa que permitam criar e evitar que se degradem postos de trabalho...

O Sr. Narana Coissoró (CDS): - Muito bem!

Uma voz do PCP: - Está calado!

O Orador: -.... procurando caminhar num sentido francamente progressivo e que corresponda, de facto, aos anseios, as ambições da população portuguesa.

Aplausos do CDS e do PSD.

O Sr. Presidente: - Para a declaração de voto do PCP, tem a palavra a Sr.ª Deputada lida Figueiredo.

A Sr.ª lida Figueiredo (PCP): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: O nosso voto, de acordo com a apresentação que tínhamos feito, baseou-se no facto de que nós defendemos o direito ao trabalho para todos os trabalhadores e de que em relação à Standard Eléctrica não se provou que era necessário despedir 212 trabalhadores para que a empresa fosse viável. Os resultados da empresa, ainda no último ano, em 1979, antes de se entrar em conta com os encargos financeiros, mostram lucros na ordem dos 10600 contos, apesar de todo o boicote que a Standard Eléctrica estava a fazer à divisão de semicondutores, onde trabalhavam os 212 trabalhadores.
Mas o escândalo da ITT, que este Governo fez, não se fica por aqui. É já do conhecimento do País de que o Governo não apenas despediu 212 trabalhadores da Standard Eléctrica como assinou recentemente um protocolo com a ITT que prevê dar a esta multinacional, em Portugal, benefícios financeiros superiores a l 300 000 contos, apesar do despedimento dos 212 trabalhadores. E mais: a própria multinacional ITT se gaba de que só exigiu estes benefícios de l 300000 contos porque, previamente, foi autorizado o despedimento dos 212 (trabalhadores Isto é um escândalo, Sr. Presidente e Srs. Deputados! E é um escândalo tanto maior quanto aqui os partidos que apoiam este Governo fizeram uma defesa acérrima deste despedimento, como aconteceu aquando da votação deste voto, na declaração feita por um Deputado do PSD, e como, aliás, hoje acaba de sei feito pelo Deputado do CDS.

Aplausos do PCP.

O Sr. Narana Coissoró (CDS): - Não compreendeu nada!

A Oradora: - Isto é um escândalo e põe a nu as verdadeiras intenções deste Governo, põe a nu toda a sua demagogia, põe a nu o facto de que está ao serviço das multinacionais. É um Governo ao serviço do grande capital, ao serviço das multinacionais e não ao serviço dos trabalhadores e do povo português.

Aplausos do PCP.

O Sr. Presidente: - Para um protesto, tem a palavra o Sr. Deputado Luís Barbosa.

O Sr. Luís Barbosa (CDS): - Depois da declaração de voto que fiz, em nome do Grupo Parlamentar do CDS, a intervenção da Sr.ª Deputada lida Figueiredo, do Partido Comunista Português, vem mais uma vez confirmar o aproveitamento político ...

O Sr. Narana Coissoró (CDS): - Partidário! Partidário!

O Orador: - ...que eu referi na minha declaração de voto. Aproveitamento político-partidário, não aproveitamento político da defesa dos reais interesses dos trabalhadores.

O Sr. Narana Coissoró (CDS): - Ela nem sequer ouviu!

O Orador: - Estou em condições, e muito à vontade para falar neste aspecto...

Risos e protestos do PCP.

..., porque até os órgãos de informação mais ligados ao Partido Comunista Português referiram uma vez o meu nome como sendo um especialista em empresas falidas, isto é, sou um especialista em tentar salvar postos de trabalho.

Risos do PCP.

Disso me honro! E só lamento que o Partido Comunista Português tenha contribuído para que o número de empresas às quais eu tenha que dedicar a minha atenção tenha crescido substancialmente nos últimos anos.

Vozes do CDS: - Muito bem!

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