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8 DE JULHO DE 1988 4623

a tempo e horas. A sua vontade política de concretização é manifesta e se as condições materiais para um conjunto de diplomas aqui apresentado têm alguma restrição, face ao contrato eleitoral que o PSD fez com o eleitorado, é a da própria determinante constitucional que inibe que, nesta fase, o Governo vá mais longe.
Alguns criticaram-nos como fez o CDS no passado, por não irmos tão longe desde já. Pelo contrário, pensamos que é preferível dar alguns passos firmes, assegurando para Portugal uma menor arritmia, ao contrário do que a que seria originada pelo facto de nada se fazer agora e, de repente, após a revisão da Constituição, tudo se fazer. É politicamente mais aconselhável lançar um movimento uniformemente acelerado de reformas na sociedade portuguesa, o que produz efeitos indutores mais fortes, mais realistas e mais benéficos. É o caminho mais lógico para assegurar no futuro um progresso digno e visível para Portugal.
Sr. Presidente, Srs. Deputados: Uma interpelação, como o termo indica, significa o seguinte: primeiro, que alguém questiona; segundo, que alguém questiona em nome de um princípio de totalidade que defende; terceiro, que se critice em nome desse mesmo princípio.
O Sr. Deputado Vítor Constâncio disse que ia apresentar propostas, mas apenas falou numa importante, do seu ponto de vista, que foi o facto de que teria começado pela restruturação do sector público há dois anos e meio. Tirando isso, nesta Câmara nada prepassou com um conteúdo político afirmativo, reafirmador de um princípio de acção e de unidade por parte do PS.

O Sr. António Guterres (PS): - Não é verdade!

O Sr. Ferraz de Abreu (PS): - Estava surdo?!...

O Orador: - O PS interpelou? Não! O PS apresentou um modelo? Não. O Partido Socialista criticou? Com certeza! Está no seu legítimo direito político, no seu legítimo direito constitucional. No entanto, para um partido que, acima de tudo, se quer afirmar como alternativa, isso é pouco. E, mesmo sendo pouco, é perigoso, porque o país fica sem saber se o modelo que vinga no PS é aquele de que o Sr. Deputado Jaime Gama fala, o discurso de crítica à pouca profundidade do movimento liberalizador e privatizador ou se, pelo contrário, a tese que vinga no PS é a do Sr. Deputado Vítor Constâncio, que é a da necessidade de se constituir mais Holdings de Estado, em concreto, mais três Holdings.
O país e a Câmara ficam na ignorância quanto a saber se o PS deseja mais liberalização ou mais estatização. Essa é a dúvida final que, por parte da oposição, prepassou nesta Câmara.
Aceitamos a vossa proposta do livro branco e aplaudimo-la. Com efeito, essa é a grande hipótese que este país tem, em particular o PS, de começar a aprender mais rapidamente e melhor o que é a Europa, o que se faz na Europa e as necessárias adaptações que a Europa determinará em Portugal. Diremos que é uma atitude um pouco sádica por parte do PS, esta auto-punição pública. Apesar de tudo, congratulamo-nos com ela e solidarizamos-nos com a sua acção política que, em consenso, procuraremos encontrar, pois todos beneficiaremos, tanto o PS como o país.
Sr. Presidente, concluo de uma maneira simples: o PSD sempre desejou ter, por parte de outros partidos, critica, estímulo, contraponto, pois a democracia não
se esgota num partido - mal seria e não estaríamos num regime democrático, a democracia precisa de todos.
Mas, acima de tudo, o que o Governo e o seu partido apoiante querem é que a oposição seja eficaz, linear, capaz, o melhor possível. É uma dificuldade que este Governo tem perante si próprio, a de sentir estímulo por parte das oposições.
Muita maledicência, uma língua poderosa mas um raciocínio e uma cabeça menores.

Aplausos do PSD.

Essa é uma dificuldade real, pois o Governo não beneficia com uma oposição débil, fraca e sem projecto. Esperemos que, para além da sua missão normal de governar Portugal, não se tenha que pedir ao Governo uma segunda tarefa, que é a de estimular o estímulo das próprias oposições.
Em dois anos e meio, o Governo do PSD conseguiu todos os índices económicos, sem contestação, fossem melhores hoje do que o eram no passado e permitam um futuro mais florescente. Nenhum Governo fez até hoje melhor e mais, do que era possível fazer, em tão pouco tempo. E quando se diz que a evolução externa, as condições exteriores foram óptimas, foram-no tanto para Portugal como para os outros países e outros aproveitaram menos, nós aproveitámos mais!

Aplausos do PSD.

Isto não é só um sinal da História. É também um sinal da capacidade interna de o fazermos!
Aplausos do PSD.
Sr. Presidente, alguém parafraseou hoje aqui uma frase de um Primeiro-Ministro inglês. Irei também fazê-lo: «Nunca, em Portugal, um Governo fez tanto em tão pouco tempo!

Aplausos do PSD.

O Sr. Presidente: - Srs. Deputados, para gestão dos nossos trabalhos, devo informar a Câmara dos tempos ainda disponíveis: o PSD e o PRD não dispõem de tempo; o PS dispõe de 24 minutos; o PCP de 13 minutos; o CDS dispõe de 2 minutos, assim como os «Verdes» e a ID, e o Governo dispõe de 6 minutos.
Inscreveram-se, para formular pedidos de esclarecimento ao Sr. Deputado Angelo Correia, os Srs. Deputados António Guterres e Nuno Delerue. Porém, acontece que o PSD já não dispõe de tempo, pelo que o Sr. Deputado Angelo Correia não poderá responder.

O Sr. Jorge Sampaio (PS): - Sr. Presidente, peço a palavra.

O Sr. Presidente: - Para que efeito, Sr. Deputado?

O Sr. Jorge Sampaio (PS): - Sr. Presidente, teríamos todo o prazer em conceder ao PSD algum do tempo de que ainda dispomos, porque o Sr. Deputado Angelo Correia merece sempre ter oportunidade de dar uma resposta, até porque a estas horas da noite animou as bancadas do PSD, sobretudo depois da chegada do Sr. Primeiro-Ministro.
Porém, o problema que se coloca é o de nós não sabermos se até ao fim do debate necessitaremos ou

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