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4624 I SÉRIE - NÚMERO 113

não de tempo para intervir. Portanto, reitero a sugestão que há pouco fiz a propósito do debate entre o Sr. Ministro das Finanças e o Sr. Deputado Silva Lopes, no sentido de se arranjar S minutos caídos da estratosfera - como costumo dizer - para que o Sr. Deputado Angelo Correia possa responder ao Sr. Deputado António Guterres.
Não temos nenhuma hesitação em ceder tempo ao Sr. Deputado Angelo Correia, como merece. Porém, se depois necessitarmos dos 5 minutos que vamos ceder, espero que a bancada do PSD, com o Sr. Deputado Correia Afonso à frente, nos devolva esse mesmo tempo.

O Sr. Presidente: - Srs. Deputados, a Mesa é guardiã do tempo. É evidente que o debate ganha vivacidade, que há elasticidade, mas também há regras...
No entanto, vou conceder a palavra aos Srs. Deputados António Guterres e Nuno Delerue para formularem os pedidos de esclarecimento e, em seguida, ao Sr. Deputado Angelo Correia para responder.

O Sr. Nuno Delerue (PSD): - Sr. Presidente, peço a palavra para fazer uma interpelação à Mesa.

O Sr. Presidente: - Faça favor, Sr. Deputado.

O Sr. Nuno Delerue (PSD): - Sr. Presidente, pedi a palavra para fazer uma pergunta ao meu colega de bancada, o que é em si mesmo um facto anormal. Porém, fi-lo pela simples razão de que desde que estou nesta Assembleia - e não estou há muito tempo - foi esta a primeira vez que a Mesa não anotou um pedido de esclarecimento que solicitei ao Sr. Deputado Vítor Constando e que reclamei em devido tempo.
Foi apenas por esse motivo que solicitei a palavra para que no tempo do PSD fossem descontadas, em termos de resposta, as perguntas que tinha para colocar ao Sr. Deputado Vítor Constando, porque entendi que a seriedade da intervenção que ele aqui proferiu justificava a formulação de algumas questões. Na medida em que o PSD não dispõe de tempo, fica aqui registado o meu protesto e a posição que a Mesa tomou, porque reclamei de imediato.

O Sr. Presidente: - Sr. Deputado, não estava presente nessa altura, mas isso não me impede - num sistema solidário para com a Mesa, que, aliás, sempre tem sido estabelecido entre todos os Vice-Presidentes e Secretários - de dizer que a Mesa tem procurado ser equitativa. Portanto, se não lhe foi concedida a palavra foi porque a Mesa não se apercebeu da solicitação da mesma. Na realidade, as condições de trabalho nem sempre são as melhores.

O Sr. Nuno Delerue (PSD): - Sr. Presidente, peço a palavra.

O Sr. Presidente: - Faça favor, Sr. Deputado.

O Sr. Nuno Delerue (PSD): - Sr. Presidente, então, gostava de colocar uma questão muito concreta, que é a seguinte: qual é o sinal que é necessário fazer para que a Mesa anote o pedido de palavra de um Deputado? É preciso pôr-se de pé em cima da bancada, fazer o pino, levantar um cartão vermelho ou amarelo, como se faz no futebol? Era bom que isso fosse explicado!
Sei que o Sr. Presidente não está envolvido nesta questão. Porém, a verdade é que a mesa foi explícita ao dizer que tinha compreendido o que eu pretendia aquando da interpelação ao Sr. Deputado Vítor Constando. É essa a questão que está em causa e foi esta a primeira vez que, numa situação de diferença entre aquilo que a Mesa analisou e aquilo que era a opinião do Deputado interpelante, a Mesa funcionou contra o Deputado que solicitou a palavra.
E isso que quero que aqui fique registado, pois trata-se de uma posição inédita, que nunca sucedeu no Parlamento.

O Sr. Presidente: - Sr. Deputado Nuno Delerue, posso garantir-lhe que não houve nenhuma discriminação. E evidente que se usam vários caminhos para anunciar à Mesa os pedidos de palavra, como seja por via telefónica ou fazendo um sinal. Ora, desde que isso seja suficientemente audível ou visível, a palavra é concedida.
Para formular pedidos de esclarecimento, tem a palavra o Sr. Deputado António Guterres.

O Sr. António Guterres (PS): - Espero que o Sr. Deputado Angelo Correia aceite um pedido de esclarecimento de quem tem um raciocínio pequeno e uma cabeça também pequena.

Risos do PSD.

o Sr. Deputado Angelo Correia tem, aliás, uma enorme vantagem política: é que para si as palavras não têm que ter um conteúdo verdadeiro ou falso. Quero com isto dizer que, na sua opinião, se elas são eficazes são ditas, se não são eficazes não são ditas. O aspecto da verdade ou falsidade das mesmas é, pois, para si, um aspecto secundário.
O Sr. Deputado disse que Portugal teve as mesmas condições favoráveis que todos os outros países europeus. Peco-lhe que me dê um exemplo de um outro país europeu em que a evolução dos termos de troca, neste período, tenha sido superior, favoravelmente, a metade da nossa evolução favorável. Leia os números e verá que não há nenhum país nessas condições.
Vários Srs. Deputados do PSD vieram aqui com uma cassette - aliás, não esperava ouvi-la por parte do Sr. Deputado, devido à sua criatividade... - referir a questão das sondagens, da popularidade dos líderes e dos partidos. A pergunta que lhe faço é a seguinte: se nós temos um líder assim tão-pouco popular e tão fraco e se os senhores têm um líder que é tão bom e tão popular, por que é que ele não aceita discutir na televisão, perante os portugueses, com o nosso líder os problemas do país?

Aplausos do PS e da ID.

Protestos do PSD.

Será que o Sr. Primeiro-Ministro tem medo que, se ambos estiverem nas mesmas condições de acesso à exposição perante a opinião pública, as sondagens se invertam?

Vozes do PS: - Porque é que tem medo?

O Sr. Presidente: - Para responder, com tempo cedido, tem a palavra o Sr. Deputado Ângelo Correia.

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