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4632 I SÉRIE - NÚMERO 113

fazer arrepiar caminho e enveredar pela via da hesitação e da tibieza. Julgaram-nos por si próprios e não pelo que nós somos.
Estamos seguros da nossa maioria e da confiança daqueles que constituem a nossa base social de apoio. Talvez que alguns deles não o estejam tanto por temerem no dia-a-dia a sua sorte imediata.
É curioso mesmo verificar a total ausência de autoridade moral de alguns para invocar índices de popularidade. Sobretudo se se pudesse fazer fé na veracidade do relato trágico-cómico que fazem da situação política. É impossível conciliar o inconciliável. E é absurdo que alguém, como foi hoje o caso, possa avançar com uma análise tão drástica para o Governo da situação política e ao mesmo tempo não conseguir arrancar duma posição mediana para não dizer medíocre, ele próprio, nos índices de opinião conhecidos. Assim como é absurdo ainda neste domínio poder afirmar-se o que se afirmou ignorando ou fingindo ignorar que o Primeiro-Ministro em todas as sondagens publicadas tem pelo menos o dobro das opiniões favoráveis de qualquer líder de oposição e um valor próximo do somatório de todos eles.

A Sr.ª Ilda Figueiredo (PCP): - Já é obsessão!

Aplausos do PSD.

O Orador: - Sr. Presidente, Srs. Deputados: O Governo está confiante e de consciência tranquila. Os portugueses perceberam bem - e daí os resultados de 19 de Julho que à gestão rigorosa e eficiente da conjuntura que no passado fizemos - e continuámos hoje a fazer - havia que associar, sem mais delongas, uma estratégia ousada de mudança estrutural da sociedade portuguesa.
Daí o profundo significado qualitativo deste quase primeiro ano de governação. Quisemos ver mais depressa e mais longe. Quisemos tratar do país numa perspectiva de médio e longo prazo, sem, todavia, descurar os problemas do curto prazo, do imediato, do quotidiano dos portugueses. Optámos por enfrentar os problemas do futuro em vez de, por comodismo ou estreiteza de vistas, os adiar ou protelar. Temos a convicção segura e inabalável que o futuro de Portugal e dos portugueses se joga - e se ganha ou se perde - no presente, ou seja, na coragem e clarividência que tivermos hoje, para perspectivar e lançar as bases seguras do amanhã.
Um amanhã de maior concorrência, nacional e internacional, de aposta no risco, de recusa do proteccionismo económico ou do paternalismo do Estado.
Toda a acção governamental é orientada para a concretização do maior objectivo estratégico nacional que ao país se coloca nos próximos anos - a construção do Mercado Único Europeu do 1992. É seguramente este o maior desafio colectivo que se depara aos portugueses de há muitas décadas para cá. Por isso, há que afastar preconceitos ideológicos ultrapassados; há que recusar o paternalismo e apostar na capacidade indiscutível dos portugueses; há que abdicar do miserabilismo e do derrotismo tão próprio dos que não têm fé nem ideal para encarar o futuro com confiança e fundada esperança.

O Sr. Carlos Coelho (PSD): - Muito bem!

O Orador: - E não é com relatórios, Srs. Deputados, ou com comissões que se ganha o desafio de 1992. Esse desafio só se ganha com muito trabalho, determinação e coragem, através da mobilização da sociedade civil, do reforço do clima de confiança e do pleno aproveitamento de todas as potencialidades nacionais.

Aplausos do PSD.

O Orador: - Ninguém pode alhear-se destes desafios.
Estado e cidadãos, Governo e oposição, organizações da sociedade civil, de todos se exige um empenhamento sem limites na construção do futuro.
O Governo, pela sua parte, não foge à responsabilidade de liderar este processo, como lhe cumpre, sem receios, sem recuos nem tergiversações.
Preferimos sofrer o embate de sermos nós próprios a conduzir a mudança do que sofrer o vexame de vermos a mudança entrar-nos pela porta dentro imposta por circunstâncias ou condições externas que não dominamos e que escapam à nossa vontade e controlo.
Não parece porém ser essa a postura da oposição e em particular a do partido interpelante que mais uma vez tentou fazer quebrar o ânimo do país em vez de enveredar pela crítica construtiva e mobilizadora escolhendo assim permanecer quase sem excepção, no deserto de ideias, de projectos e alternativas novas a que já habituou os portugueses.
O partido interpelante encontrou, aliás, uma explicação sui generis para justificar a não apresentação de uma moção de censura ao Governo. Mas a verdadeira razão reside na circunstância de, aos olhos dos portugueses, o destinatário da censura ser ele próprio, partido interpelante, pelas suas recriminações permanentes, o seu derrotismo e pessimismo.
E que, Srs. Deputados, uma oposição que se resigna, que só parece comprazer-se com o insucesso ou que só é capaz de rejubilar com o fracasso, não serve o país nem está adaptada aos ventos da modernidade.

Aplausos do PSD.

O Orador: - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Deixámos definitivamente, de ser um país adiado. Contamos, para isso, e em grande medida, com a estabilidade política e com o clima de confiança que soubemos criar.
A batalha da modernidade e do desenvolvimento em que o Governo de todos os portugueses se encontra empenhado, não é um fim em si mesmo, antes visa a melhoria do nível de vida da população.
O progresso para nós não é um slogan tecnocrático mas antes o caminho indispensável para se atingir a meta da solidariedade e justiça social. E é aí que vamos chegar.
De nada valerá à oposição afirmar repetidamente que não está feito aquilo que por todos os meios tem procurado evitar que se faça. Nós vamos conseguir por maiores que sejam os obstáculos que se nos deparem pelo caminho.
De resto, a fragilidade e a incapacidade da oposição fica bem patente pela forma desesperada como se agarra a um possível conflito ou desaguisado institucional entre o Governo e o Presidente da República. No fundo não o adivinham, desejam-no, na quimera de que a sua falta de forca possa assim ser compensada. Desiludem-se porém porque o Governo por sua parte tudo fará para que se mantenham as melhores

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