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22 DE SETEMBRO DE 1994 3053

tem a nossa confiança, Sr. Deputado Almeida Santos; não tem é a da oposição! Tem a nossa!

O Sr. José Magalhães (PS): - Só lhe falta a do povo!

O Orador: - Portanto, as duas coisas nada têm em comum.
Agora, evidentemente, o que o Sr. Deputado está a fazer é a tomar uma atitude defensiva! Registamos que o PS entrou neste debate à defesa, que considera, no fundo, que aquilo que diz fora desta Câmara não deve corresponder às atitudes que tomou aqui dentro e isso, eventualmente, justificará por que é que algumas pessoas, com mais pressa e excitação, acusam o PS de não corresponder às necessidades do momento, que são provavelmente as de radicalizar a situação política. Ainda bem! São bem-vindos nessa moderação! Tenham, pois, a partir de agora, cuidado com os adjectivos. Registamos a moderação que têm vindo a tomar.

O Sr. José Magalhães (PS): - Qual moderação?

O Orador: - Acredito que ao Sr. Deputado José Magalhães, que, por tradição, não é moderado, não agrade a linguagem de moderação do seu líder parlamentar.

Aplausos do PSD.

Mas esses são problemas internos da sua bancada, que os senhores resolvem entre si.
Resumindo e concluindo: se os senhores querem discussão política, façam-na como e quando entenderem; se querem ser consequentes com os adjectivos que usam, utilizem os instrumentos institucionais, se querem discutir a questão da ponte, substantivamente, com correspondência com os adjectivos que usam quando falam, apresentem uma moção de censura e respondam com clareza ao nosso repto! O problema é que os senhores, desde hoje de manhã, não fazem outra coisa senão fugir!

Aplausos do PSD.

O Sr. Presidente: - Para pedir esclarecimentos, tem a palavra o Sr. Deputado Manuel Alegre.

O Sr. Manuel Alegre (PS): - Sr. Presidente, Srs. Deputados, esta intervenção do Sr. Deputado Pacheco Pereira mostra que, de facto, o PSD entrou numa escalada de radicalização, de encenação e de provocação política.

Vozes do PS: - Muito bem!

O Orador: - Provocação política ao Presidente da República quando lhe envia cópias de artigos de jornais, que, por sua vez, parecem cópias de relatórios do SIS, como se o Presidente não tivesse os seus próprios serviços de imprensa.
Provocação aos cidadãos quando, em cada cidadão que buzina, vê um guerrilheiro, um terrorista, um comunista e um desordeiro.
Provocação às forças de segurança quando pretende instrumentalizá-las para os fins e manobras políticas do Governo.
Provocação à oposição quando pretende dizer-lhe o que ela deve fazer. De facto, não cabe ao PSD nem ao Sr. Deputado Pacheco Pereira dizer aos partidos da oposição quando é que estes devem, ou não, utilizar o instituto da moção de censura. No que respeita ao PS, não fazemos o jogo do PSD, nem o do Sr. Deputado Pacheco Pereira, e não apresentamos uma moção de censura quando isso, politicamente, possa convir ao PSD e ao seu Governo.
Provocação também à Assembleia da República, quando, através de uma estranha interpretação da maioria dos seus atributos e dos seus poderes, pretende impedir que aqui se discuta o que aqui deve ser discutido.
O PSD sofre manifestamente de uma doença de «conspirativite aguda» e de uma visão quase policial da vida e dos acontecimentos políticos. Talvez por isso o Sr. Primeiro-Ministro prefira reunir com os Serviços de Estrangeiros e Fronteiras, os serviços secretos e as forças de segurança, em vez de vir aqui discutir na Assembleia da República, que é a sede própria, a vida política portuguesa.

Aplausos do PS e do Deputado independente Luís Fazenda.

Quando um governo entra neste autismo, neste corte com a realidade, que em medicina tem um nome próprio, então, digo-lhe, Sr. Deputado, que a desordem está no Governo! Os grandes desordeiros são os senhores - o Governo e o PSD!

Aplausos do PS e do Deputado independente Luís Fazenda.

O Sr. Presidente: - Para responder, tem a palavra o Sr. Deputado Pacheco Pereira.

O Sr. Pacheco Pereira (PSD): - Sr. Presidente, Sr. Deputado Manuel Alegre, em primeiro lugar, registo o interessante critério que o PS tem em relação à comunicação social. É o seguinte: quando criticamos a comunicação social, o PS cai-nos em cima, dizendo que a desprezamos; quando a tomamos a sério, o PS diz que não a devemos tomar a sério. Talvez seja bom que o PS compreenda que não pode, sobre esta matéria, manter uma duplicidade de posições em função dos eventos correntes, porque isso, evidentemente, toma muito difícil a coerência da sua posição.
Tudo o mais não tem novidade relativamente ao afirmado pelos restantes membros da sua bancada e demonstra a continuidade da atitude defensiva com que os senhores vieram hoje para esta Assembleia.
Os senhores vieram a esta Assembleia dizer-nos o seguinte: «Nós dizemos grandes coisas, mas os senhores não nos tomem a sério, porque nós também não o fazemos. É que se os senhores nos tomam a sério e dizem para sermos consequentes com o que afirmamos, temos de responder que não é nada disso e que os senhores é que estão a radicalizar».
Sr. Deputado Manuel Alegre, é radicalização da nossa parte dizer que, do ponto de vista substantivo, seria coerente que a oposição apresentasse uma moção de censura? Os senhores têm dito «cobras e lagartos» do Governo; têm apresentado a situação do País como se houvesse uma insurreição,...

Protestos do PS.

O Sr. José Magalhães (PS): - Insurreição foi o que o Sr. Deputado Duarte Lima lhe chamou!

O Orador: - Há duas maneiras de interpretar uma insurreição: ou de uma forma puramente conspirativa ou como o fazem os ingénuos úteis. Faço justiça de que o PS provavelmente estará um pouco a meio-termo, porque, em particular, o Sr. Deputado Manuel Alegre tem suficiente experiência política para não caber dentro da categoria de ingénuo útil, em função essencialmente do meu e do seu passado. Ambos temos razões para não participar dessa categoria da ingenuidade útil. Portanto, faço-lhe justiça no

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