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624 I SÉRIE - NÚMERO 17

que, se o consegui desta vez, fico muito grato que VV. Ex.ªs o tenham dito.
Em nome exactamente dessas mesmas objectividade e capacidade dialogante, permitam-me que, com toda a seriedade, responda às questões postas pelos Srs. Deputados Carlos Pinto, Alípio Dias e Rui Carp.
Deixe-me dizer-lhe, Sr. Deputado Carlos Pinto, com toda a franqueza, que adquiri alguma experiência no domínio do planeamento nesses anos já distantes que aqui referi, o que me dá autoridade para dizer que os tempos são outros, como procurei, aliás, sublinhar na minha intervenção.

O Sr Rui Carp (PSD): - E ainda bem!

O Orador: - Estamos em fase de modernidade e de mudança; estamos com um problema de competitividade internacional, que, naturalmente, está acrescida - não estamos, como então, no âmbito de uma EFTA, da qual, de alguma maneira, nos sentíamos membros. Somos hoje membros de pleno direito da União Europeia. Naturalmente que as concepções são outras, este País evoluiu, está em democracia..

O Sr. Rui Carp (PSD): - Muito bem!

O Orador: - Devo dizer-lhe que, numa leitura comparada entre algumas passagens dos Planos de Fomento e das Grandes Opções do Plano faz-me acreditar e dirigir-me ao Sr. Ministro do Planeamento e da Administração do Território, com a enorme consideração que por si tenho, para lhe dizer: «imprima lá a essa gente do secretariado outro espírito: eles que aprendam outra vez, como nós aprendemos, há muitos anos, uma linguagem nova; eles que entrem agora na novidade para evitar esta rotina de não estarem tão parecidos no que escrevem com aquilo que há 20 anos se escrevia!»
Portanto, Sr. Deputado Rui Carp, e meu ilustre interlocutor, adianto, desde já, que não estou nada saudosista.

O Sr Rui Carp (PSD). - Eu sei que não está!

O Orador: - Por outro lado, o Sr. Deputado Carlos Pinto disse que se encontrava em muitos desses Planos de Fomento alguma concepção, até mais na perspectiva fontista, que havia e que agora ainda há mais - nós tínhamos então um ministro das Obras Públicas mais modesto e este ate tem estradas,...

O Sr Rui Carp (PSD): - Auto-estradas!

O Orador: - ... até tem coisas dele... «As minhas estradas» disse ele no outro dia Nesse tempo, os ministros das obras públicas tinham as estradas de todos!
Devo dizer-lhe que essa perspectiva fontista, que estava programada, tem-se vindo a desenvolver nos últimos anos e, naturalmente - todos o sabemos - que com os apoios comunitários, que também foram indispensáveis. Todos nos teremos de congratular que esse esforço esteja a ser feito,...

O Sr. Rui Carp (PSD) - Muito bem'

O Orador: - ... mas não temos de nos congratular com a concretização desse esforço nalguns casos. Seja como for, isso e o mais fácil. Desculpar-me-á, Sr Deputado, mas isso é o mais fácil! Nesse domínio de fazer coisas é o mais fácil...

O Sr Rui Carp (PSD): - Os outros não o fizeram!

O Orador: - Sr. Deputado, a definição das políticas económicas é, com certeza, mais séria e mais difícil e era aí que eu esperava um outro espírito.
A meu ver, V. Ex.ª não foi totalmente feliz ao ir buscar - permita-me que lhe diga - o exemplo do incremento das exportações, porque está numa bancada que apoia um governo que foi responsável durante largos meses por um escudo caro.

O Sr. Rei Carp (PSD): - Não tem nada a ver uma coisa com a outra!

O Orador: - O Sr. Deputado, dê-me licença que conclua.
Por conseguinte, trouxe efectivamente o agravamento a todo um sector e esta retoma económica que hoje surge, fruto da retoma europeia, é - sublinho-o, Srs. Deputados - perigosa se não for acompanhada de alterações estruturais...

O Sr. Rui Carp (PSD): - Estão a fazer-se!

O Orador: - Ë porque senão, uma vez mais - e perdoem--me que repita, mas faço especial homenagem ao Sr. Ministro da Indústria e Energia, que há pouco não me ouviu -, ficamos «carruagem» do comboio do progresso, não ficamos locomotiva do comboio do progresso.
Em relação ao PEDIP I, não fiz elogios. Sublinhei, isso sim, o enorme esforço desenvolvido, até pela União nesse domínio. O que eu sublinhei como elogioso foi a alteração da concepção do PEDIP I para o PEDIP II, concepção essa efectivamente inovadora que não é traduzida tão vincadamente nas Grandes Opções do Plano.
Mas, antes de entrar nesse tema, diria apenas ao Sr. Deputado Alípio Dias, por quem tenho especial consideração, que quando V. Ex.ª me pergunta se, de facto, estou de acordo com os grandes objectivos e linhas programáticas do Governo em procurar consolidar uma retoma, dinamizar uma economia, fomentar o emprego, ó Sr. Deputado, quem é que não está?! É evidente que estou!

O Sr. Rui Carp (PSD): - Muito bem!

O Orador: - Só não consigo e estar de acordo com a forma como o Governo se atrapalha muitas vezes em pôr em curso esses grandes desideratos. Mas quanto aos desideratos somos crentes de uma mesma «religião» de progresso, de desenvolvimento e de justiça. O que é preciso é saber se ela está, em termos reais, a ser conseguida e a traduzir-se não num crescimento mas num verdadeiro desenvolvimento económico e social.
Por último, não posso deixar de dizer ao Sr Deputado Rui Carp que, desgraçadamente, nós, que dialogamos tantas vezes, parece que hoje não temos tempo para dialogar como eu desejaria.
Gostaria, no entanto, de sublinhar que há aí duas coisas que referiu e que, penso, ainda não foram afloradas, mas que são muito importantes.
É evidente que o propósito do Governo de apoiar a reconversão do comércio tradicional e, com certeza, importante. O Sr. Deputado, não vou comprometê-lo, mas o Sr. Deputado sabe bem que, pela análise dos textos, o que se faz, para além do mérito do que possa estar escrito em termos quantificáveis, é pouquíssimo! O Sr. Ministro do Comércio e Turismo, em comparação com outros sectores da economia, dispõe de pouquíssimos meios para a resolução de um problema que, económica e socialmente, é extremamente gravoso e que é a reconversão de um comer-

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