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1276 I SÉRIE - NÚMERO 43

totalmente de tudo o que disse - não sei se será este o momento próprio para o dizer -, mas há um ponto que devo referir-lhe com frontalidade: nem a minha bancada admite, nem eu própria posso admitir que o Sr: Deputado tenha colocado a Assembleia da República tão baixo que quando admitimos ou tomamos posição sobre determinada discussão, seja ela qual for, o Sr. Deputado diga, que não temos mais nada a fazer, que estamos calados e vamos sair!

Vozes do PSD: - Muito bem!

A Oradora: - Não sei qual é a disposição dos meus companheiros de bancada, mas uma coisa lhe garanto: não me calarei nunca, porque estou aqui a representar 34% dos portugueses que em mim votaram!

Aplausos do PSD.

Vou ter de explicar aos meus eleitores, passo a passo, por cada elemento em que o Orçamento aqui for votado e, especialmente, quando for votado na especialidade, que não o estou a fazer por birra, mas que o estou a fazer consciente dos efeitos maléficos que isso tem para o futuro do país. Portanto, o Sr. Deputado não me põe na rua, não diz que a minha bancada se calou, nem que vamos sair da Sala, porque nós vamos ficar, debatendo democraticamente até ao fim, este Orçamento! Temos obrigação de o fazer!

Aplausos do PSD.

Mas há ainda um outro ponto, Sr. Deputado, a que também me quero referir: eu entendo que a nossa grande divergência tem a ver com os critérios de convergência. É isso o que nos separa , provavelmente em grande parte, e a sua irresponsabilidade nas propostas que faz contra aqueles critérios só acaba no dia em que o Sr. Deputado disser ao País qual é a alternativa. Nessa altura teremos aqui uma discussão responsável! Antes disso, o Sr. Deputado está a fazer um discurso que não acaba, e eu pergunto-lhe, qual é a sua alternativa!

Aplausos do PSD.

O Sr. Presidente: - Para responder, tem palavra o Sr. Deputado Manuel Monteiro.

O Sr: Manuel Monteiro (CDS-PP): - Sr. Presidente, Sr.ª Deputada Manuela Ferreira Leite, confesso que agora fiquei com dúvidas se V. Ex.ª estava a defender o PS ou não. Foi apenas uma dúvida que surgiu no meu pensamento!
E queria dizer-lhe o seguinte: nas sessões legislativas anteriores, a bancada do meu partido apresentou aqui várias propostas alternativas relativas aos orçamentos dos governos de que V. Ex.ª fazia parte e recordo-me de, um dia, ter ouvido um ex-ministro dás finanças, de nome Eduardo Catroga, dizer que várias propostas que o PP aqui apresentava eram irrealistas. Mas, curiosamente, verifiquei que, passado algum tempo, muitas dessa propostas apresentadas pelo PP e que esse ex-ministro dizia serem irrealistas eram já defendidas pelo PSD! Foi, por exemplo, o caso da privatização da Caixa Geral de Depósitos!
Os senhores afirmam que as nossas propostas são irrealistas. Mas por que razão andaram a dizer ao País. que não aceitavam referendar a moeda única por esta estar consagrada no Tratado de Maastricht e, recentemente, aprovaram um projecto de revisão constitucional em que vêm defender o referendo nesse sentido? Onde está a coerência?

Aplausos do CDS-PP.

Os senhores dizem que as nossas propostas são irrealistas, mas dizem-no apenas porque elas são apresentadas por nós! Quando, mais tarde, o PSD as quer roubar, copiando o que dizemos, aí elas já são realistas, só porque são apresentadas pelo PSD!
Acabei de dar-lhe duas provas concretas de coisas que os senhores disseram no passado e dizem hoje ao País de forma completamente diferente. É a verdade! Está escrito nos vossos documentos e foi dito em conferência de imprensa!
Sr.ª Deputada, não quero nem tenho a pretensão de pedir ao PSD que saia. O que lhe digo é que a oposição que os senhores ou qualquer partido deve fazer é a de dizer: "Nós somos contra isto, mas temos aqui a alternativa; não concordamos com estas propostas, mas estão aqui aquelas que fartamos; não concordamos com estes pontos, mas estão aqui os pontos que apresentamos em alternativa". Foi isso que o Partido Popular fez daquela Tribuna, de forma responsável, porque é essa a oposição responsável que o meu partido disse ao País que iria fazer!

Aplausos do CDS-PP.

Circunstância completamente diferente seria virmos aqui criticar, criticar, criticar, sem dizer o que faríamos de diferente em relação ao que criticamos. E perdoe-me, Sr.ª Deputada, porque, francamente, não estava habituado a isso de V. Ex.ª. Não estava! Sempre a conheci, mesmo não concordando com a sua política à frente do Ministério da Educação, como uma pessoa que a cada crítica que fazia apresentava uma alternativa, mas a imagem que o líder do PSD e V. Ex.ª aqui deram hoje foi exactamente a oposta.

Aplausos do PSD.

O Sr. Presidente: - Sr.ª Deputada Manuela Ferreira Leite, pediu a palavra para que efeito?

O Sr. Joel Hasse Ferreira (PS): - Para se candidatar a substituir o Dr. Nogueira!

A Sr.ª Manuela Ferreira Leite (PSD): - Sr. Presidente, peço a palavra para responder à acusação do Sr. Deputado Manuel Monteiro.

O Sr. Presidente: - Não pode fazê-lo, Sr.ª Deputada, porque não tem figura regimental para isso.

A Sr.ª Manuela Ferreira Leite (PSD): - Sr. Presidente, aguardarei por momento próximo, mas garanto-lhe que o Sr. Deputado Manuel Monteiro não ficará sem resposta ao que acabou de dizer

O Sr. Presidente: - Com certeza, Sr.ª Deputada, terá outras oportunidades para usar da palavra. Tem esse direito.

O Sr. Luís Filipe Menezes (PSD): - Sr. Presidente, peço a palavra para defender a consideração da minha bancada. E explico porquê: o Sr. Deputado Manuel Monteiro disse que o PSD estava a roubar as ideias do PP. Ora, é um termo muito forte, pelo que quero defender a honra da minha bancada.

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