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1426 I SÉRIE-NÚMERO 38

pouco de coerência entre a alegada sensibilidade social, que gosta de apregoar, e o mínimo de vontade política para se fazer alguma coisa, para apresentar resultados minimamente concretos às pessoas. É isso que choca, Sr.ª Ministra! Ao fim deste tempo todo, o que choca às pessoas é olharem para a senhora, que teve altos índices de popularidade e grande simpatia no País, e dizerem "afinal, não era aquilo que parecia! Afinal, não tinha o coração que parecia ter!".
Seja por esta ou por aquela razão, a Sr.ª Ministra é, de facto, um exemplo de desilusão, de frustração e, em particular, de manifestação de que a consciência social está muito no seu discurso e ao pé da boca mas está cada vez menos ao lado da situação concreta dos portugueses, que esperam e desesperam por uma consulta ou por uma operação nos hospitais públicos portugueses.

Aplausos do PSD.

Protestos do PS.

O Sr. Presidente: - Para uma intervenção, tem a palavra o Sr. Deputado Moura e Silva.

O Sr. Moura e Silva (CDS-PP): - Sr. Presidente, Sr.ª Ministra, Srs. Deputados: De facto, podemos concluir que as razões que, de alguma forma, levaram este Governo ao poder, pela critica - e, muitas vezes, com alguma razão - em relação ao passado, três anos e tal depois continuam na mesma. Ou seja, é caso para dizer que quem veio para o poder criticando aquilo que estava mal no passado e não foi capaz de resolver, ao fim destes três anos e meio, não merece, com certeza, no futuro, credibilidade para resolver aquilo que ainda hoje está por resolver.

Vozes do CDS-PP: - Muito bem!

O Sr. Francisco de Assis (PS): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Estamos a chegar ao fim de um debate onde, uma vez mais, foi possível constatar, por parte do Governo, a existência de um projecto claro, de uma visão rigorosa e objectiva acerca das questões que se colocam no âmbito da saúde em Portugal e a apresentação, por parte do Governo, de resultados inequívocos que decorrem da aplicação de um conjunto de medidas que foram justamente o resultado de uma avaliação que foi feita, em tempo útil, acerca do estado caótico da saúde em Portugal, que constitui uma das mais pesadas heranças dos anos em que, solitariamente, o PSD governou Portugal.

Aplausos do PS.

Protestos do PSD.

É importante não esquecer isto, não na perspectiva da desculpabilização, porque não estamos aqui numa postura defensiva a desculpabilizar o Governo por qualquer insuficiência, estamos aqui numa postura de afirmação, estamos aqui a reiterar claramente o nosso apoio à acção que tem sido prosseguida pelo Governo, mormente na área da saúde.
Agora, o que é preciso lembrar é que sempre que o Sr. Deputado Marques Mendes usa da palavra neste Hemiciclo para fazer a análise de uma situação caótica em qualquer área, nós temos o direito de nos lembrar do Sr. Ministro Marques Mendes que, durante vários anos, fez parte de sucessivos governos, que não só não concorreram para a resolução dos problemas prementes que se colocavam nesta e noutras áreas, como, pelo contrário, pela sua política, permitiram a agudização desses mesmos problemas.

Aplausos do PS.

O Orador: - E tanto mais grave ainda é que só ao fim de três anos e tal de governo a Sr.ª Ministra percebeu que era preciso pôr os hospitais a reflectir. Reflectir para quê, se toda a gente sabe que as listas de espera aumentam todos os dias, que os pacientes sofrem desumanamente nos corredores dos hospitais, que os orçamentos do Ministério da Saúde se agravam todos os dias? Pergunto, Sr.ª Ministra: para quê uma semana de reflexão? É necessário uma semana de reflexão para constatar que, hoje, o Ministério da Saúde é o caos?
Permita-me ainda dizer que também fiquei um pouco frustrado porque estava convencido de que a Sr.ª Ministra não ia encontrar desculpa para a falta de acção, para a falta de medidas concretas no âmbito do Ministério da Saúde de forma a resolver os problemas com que o Serviço Nacional de Saúde, hoje, se confronta com a ,falta de recursos humanos.
Estamos convencidos de que o problema não está nas listas de espera; o problema está em não termos um Ministério da Saúde que seja capaz de resolver esse problema.

Vozes do CDS-PP: - Muito bem!

O Sr. Presidente: - Para uma intervenção, tem a palavra o Sr. Deputado Francisco de Assis.

Por isso, sempre que o Sr. Deputado Marques Mendes fala nos termos em que habitualmente fala, as suas intervenções comportam, desde logo, uma moção de censura em relação aos governos que ele próprio integrou, aos governos onde, de resto, desempenhou funções do maior relevo.

Aplausos do PS.

Em relação a esta questão em concreto, tivemos hoje, de novo, oportunidade de estabelecer este confronto entre quem tem uma perspectiva séria, quem tem noção da dimensão e da gravidade dos problemas e está determinado a contribuir para a resolução dos mesmos, como é o caso do Governo e da Sr.ª Ministra da Saúde, e quem, mais uma vez, procura abordar esta questão na perspectiva mais demagógica possível, apresentando soluções absolutamente inaceitáveis e procurando instrumentalizar problemas reais das pessoas com o único intuito de obter, por essa via, algum favorecimento de natureza estritamente política.

Vozes do PS: - Muito bem!

O Sr. Jorge Roque Cunha (PSD): - E as reformas da saúde?!...

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