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1519 | I Série - Número 037 | 19 de Setembro de 2002

 

O Orador: - … porque, tanto quanto sabemos, tudo foi esclarecido e tudo foi provado.
Sabe qual é o crime, Dr. Francisco Louçã? O crime é o facto de o centro-direita ter ganho as eleições. O crime é o facto de o centro-direita estar a governar Portugal. O crime é, ainda, o facto de o Ministro Paulo Portas ter-se destacado neste Governo e não ceder a lobbies ou a pressões. Este é, para si, o crime, e não há outro.
Termino, Dr. Francisco Louçã, dizendo que, pela nossa parte, prestaremos todos os esclarecimentos, falaremos sempre sobre tudo o que o senhor quiser, mas não aceitamos que o senhor, num Estado de direito democrático, se substitua aos tribunais, à justiça, à Procuradoria-Geral da República…

Vozes do CDS-PP: - Muito bem!

O Orador: - … e, como se fosse um qualquer grande inquisidor do proletariado, queira sujeitar-nos a um julgamento popular.
O senhor é, de facto, um peão de interesses, a que nós não cedemos e perante os quais nunca recuaremos. Fique a sabê-lo, em nosso nome e em nome da maioria!

Aplausos do CDS-PP e do PSD.

O Sr. João Teixeira Lopes (BE): - Já perdeu a santidade!

O Sr. Presidente: - Para dar explicações, tem a palavra o Sr. Deputado Francisco Louçã, para o que dispõe de 3 minutos.

O Sr. Francisco Louçã (BE): - Sr. Presidente, Sr. Deputado Telmo Correia, devo dizer que, na minha declaração de interesses, não registo qualquer acções de uma qualquer empresa de venda de armamento. Mas alguém nessa situação estaria certamente contente com o Dr. Paulo Portas que já conseguiu, no Orçamento do Estado rectificativo, a inscrição de mais 40 milhões para esses negócios e que promete conseguir mais 150 milhões com a revisão da Lei de Defesa Nacional e das Forças Armadas.

Protestos do PSD e do CDS-PP.

Portanto, não acuse falsamente.
Aliás, devo dizer-lhe que me preocupa a sua vontade de perseguir o passado do Primeiro-Ministro. Não fica bem na coligação. O grande inquisidor eram as frases que o actual Primeiro-Ministro escrevia pelas paredes, às quais, na altura como hoje, me oponho com a mesma veemência. Não há grandes educadores! Percebi isto desde criança; pelos vistos, o senhor não o percebe agora em relação ao seu líder político.

Aplausos do BE.

Há algo que quero dizer-lhe, olhos nos olhos, Sr. Deputado, a propósito do «aviltante». Quero recordar-lhe que, no passado, o Dr. Paulo Portas foi objecto de uma campanha infame, pessoal, de insinuações e acusações sobre a sua vida privada. E, a agravar a infâmia, essa campanha foi feita em nome de alguém que se dizia de esquerda.

O Sr. Telmo Correia (CDS-PP): - Agora podem ter sido os mesmos!

O Orador: - Eu tomei palavra contra essa campanha,…

O Sr. António Costa (PS): - Muito bem!

O Orador: - … dizendo que não a admitia, não a admito em nenhuma circunstância, pelo respeito que tenho para com o Dr. Paulo Portas. Fá-lo-ia sempre, em todas as circunstâncias, e ninguém pode acusar-me de ter dois critérios.

Vozes do CDS-PP: - Quais são os factos?

O Orador: - Não aceito nenhuma campanha pessoal, nem nenhuma calúnia contra nenhum dos meus adversários. Respeito o Dr. Paulo Portas pela figura que tem na direita e neste Governo.

Vozes do CDS-PP: - Qual é a acusação?

O Orador: - Mas quero dizer-lhe que o que aqui está em causa é o comportamento público de uma figura de Estado.
Se o senhor acha que lhe basta esperar o tempo de um processo judiciário em que é testemunha, interrogado e inquirido pela segunda vez pelos juízes, o Ministro da Defesa Nacional, então, não compreende aquilo que ele fazia quando era director de jornal.
O tempo próprio da verdade é o do debate político, no que diz respeito ao debate político.

Vozes do CDS-PP: - Sobre quê?!

O Orador: - O Sr. Deputado não compreendeu o mais importante, que é o preço do seu silêncio.
O País está enojado.

Protestos do CDS-PP.

O País tem nojo desta política que não se expõe e que não apresenta as suas justificações. É totalmente inaceitável.
Os senhores não têm capacidade para defender o silêncio, porque o silêncio vos compromete, porque o silêncio envergonha, porque o silêncio é a vossa única arma de defesa.
Como dizia um outro comentador, há demasiados «mísseis perdidos» na balbúrdia que hoje é a direita portuguesa. Convinha saberem que a única forma de os «mísseis perdidos» não atingirem a honorabilidade do vosso Governo é apenas fazerem o que é necessário: dizer a verdade. Está nas vossas mãos o encerramento deste processo, agora. É fácil - são 10 minutos: explicações, olhos nos olhos, com o País. Só nos perguntamos por que é que, com a habilidade política, com o engenho do Ministro da Defesa Nacional, ele não o quer fazer e foge disto «como o Diabo da Cruz».

Aplausos do BE.

Protestos do CDS-PP.

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