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4483 | I Série - Número 107 | 03 de Abril de 2003

 

Sr. Deputado, nós, na nossa história - e provas disso podemos dar -, sempre acusámos o Iraque de ser governado por um ditador brutal.

O Sr. Telmo Correia (CDS-PP): - Não é verdade!

O Orador: - Por isso mesmo, é, com certeza, a sua má consciência…

O Sr. Telmo Correia (CDS-PP): - A minha má consciência?!

O Orador: - Exactamente! É a sua má consciência que o leva a tomar tal atitude. E deixe-me dizer-lhe, Sr. Deputado, que o senhor defendeu a honra dos Estados Unidos, não defendeu a sua honra!

Protestos do CDS-PP.

Foi aqui um autêntico porta-voz dos interesses guerreiros.

Vozes do BE e de Deputados do PCP: - Muito bem!

O Orador: - Devo dizer-lhe, Sr. Deputado, que basta ouvir o Rumsfeld dizer que a operação "Choque e pavor" teria como resultado o lançamento histórico de uma quantidade maciça de bombas sobre Bagdad para se perceber que, obviamente, também se pretende atingir populações civis. E é evidente para todos, mas, pelos vistos, só o senhor, mais uma vez o digo, na sua cegueira selectiva, é que não quer ver, a quantidade de bombas que tem falhado sistematicamente os seus alvos e dizimado populações civis.
Quando se fala em "choque e pavor", fala-se em causar um sentimento tal de pânico, que só é possível numa situação de, pura e simplesmente, arrasar cidades inteiras. Por isso, "choque e pavor" é a doutrina militar dos Estados Unidos e é aquilo que os senhores vêm aqui defender.

O Sr. Telmo Correia (CDS-PP): - Não é verdade!

O Orador: - Já agora, Sr. Deputado Telmo Correia, se diz que está tudo claro, que o Governo já afirmou aqui, alto e em bom som,…

O Sr. Telmo Correia (CDS-PP): - No dia 23 de Janeiro!

O Orador: - … tudo o que tinha a dizer sobre a Base das Lajes, por que razão é que o Governo vem agora invocar o seu segredo de defesa? Por que razão o Governo tem medo em vir a esta Assembleia e impede que ela exerça o seu papel fiscalizador?

Vozes do BE: - Muito bem!

Protestos do PSD e do CDS-PP.

O Orador: - Que protocolos ocultos existem para a cedência da Base das Lajes? De que tem medo o Governo? Venha cá o Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros,…

Vozes do PSD: - Outra vez!

O Orador: - … venha cá o Sr. Ministro da Defesa, queremos ouvi-los.

O Sr. Telmo Correia (CDS-PP): - Outra vez?!

O Orador: - Não se escudem no segredo de defesa, porque isso é sinal apenas de que os senhores têm, com certeza, algo a esconder.

Aplausos do BE.

O Sr. Presidente (Narana Coissoró): - Para uma declaração política, tem a palavra o Sr. Deputado Nuno Teixeira de Melo.

O Sr. Nuno Teixeira de Melo (CDS-PP): - Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: Portugal é um país europeu, mas Portugal é também um país de vocação atlântica e universalista. Por este facto, a vocação nacional de Portugal transcende, em muito, o espaço físico territorial do País e, devo dizê-lo, até mesmo o espaço físico territorial da União em que nos integramos.

O Sr. Telmo Correia (CDS-PP): - Muito bem!

O Orador: - Do relacionamento universal em todas as suas vertentes fizemos parte da nossa História - História de que nos orgulhamos e que todos os dias honramos. Porém, a verdade é que ofuscados, porventura, e até oprimidos, de certa maneira, pelo peso deste passado muitos têm sido os governantes e muitos mais têm sido alguns dirigentes políticos, principalmente de alguma esquerda, que nos querem prender à inevitabilidade da irrelevância futura no plano internacional e que com esta descrença vem comprometendo o papel justamente devido a Portugal no mundo.

O Sr. João Pinho de Almeida (CDS-PP): - Muito bem!

O Orador: - Para estes governantes e para estes dirigentes de alguma esquerda, a propósito do papel de Portugal no mundo, há apenas dois tons: o tom glorioso e evocativo do passado, do Portugal que deu mundos ao mundo, do Portugal que se superou nas suas gentes e transcendeu as suas fronteiras, do Portugal do compêndio de História; um outro tom, o único que propõem em alternativa, o tom presente, o tom do conformismo futuro, o tom do País que se tem pequeno, o tom do País sem recursos, o tom do País sem relevo.
Deste último tom a consequência tem sido evidente: a criação de um pessimismo nacional que nos afecta todos os dias na nossa confiança, nas nossas decisões, nos nossos actos, nas nossas vidas. Melhor dito ainda, que nos afectava até hoje!
Com o actual Governo - graças, principalmente, à sua política externa - o mundo começou a aperceber-se que Portugal está a mudar e que reclama um outro papel para este país no mundo.

O Sr. João Pinho de Almeida (CDS-PP): - Muito bem!