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1235 | I Série - Número 031 | 17 de Junho de 2005

 

Agora o discurso que os senhores fazem, o de criar uma relação de anátema entre criminoso e estrangeiro, entre comunidades de imigrantes e criminalidade,…

O Sr. João Pinho de Almeida (CDS-PP): - Vocês não fazem isso?...

A Oradora: - … é absolutamente inaceitável!!

Aplausos do BE.

Hoje, aqui, o que os senhores fizeram foi dizer que há duas únicas soluções: ou aceitamos que a polícia, para prevenir estes aspectos de criminalidade, possa correr à bastonada quem é culpado e quem não é culpado, que tudo é aceitável para prevenir este género de acontecimentos, ou vamos encarcerar todos eles ou até mesmo expulsá-los.
Qual é a sua solução, Sr. Deputado Nuno Teixeira de Melo?
Não é aceitável que a sociedade portuguesa continue a ignorar e a excluir aqueles que são, ou que devem ser, cidadãos portugueses! O problema da integração das comunidades de imigrantes que vivem nas periferias das cidades…

O Sr. Presidente: - Queira concluir, Sr.ª Deputada.

A Oradora: - … tem de ser discutido de uma forma séria.

Aplausos do BE.

O Sr. Presidente: - Para responder, se assim o desejar, tem a palavra o Sr. Deputado Nuno Teixeira de Melo.

O Sr. Nuno Teixeira de Melo (CDS-PP): - Sr. Presidente, Sr. Deputado Ricardo Rodrigues, devo dizer-lhe, com franqueza, que temo pelo seu sentido de Estado, quando imagens como estas correram o mundo; foram referidas nas televisões e nos jornais de referência da Inglaterra, da Alemanha, da Holanda, da Bélgica, dos Estados Unidos, da Austrália, países responsáveis pela maior parte do fluxo turístico para o nosso país.
O Sr. Deputado considera que, tendo ocorrido um "arrastão" como este - que não tem paralelo na Europa e no mundo, em bom rigor, com os danos que ocorreram, praticamente só no Brasil -, a Assembleia da República se deveria alhear da questão?

Vozes do CDS-PP: - Muito bem!

O Orador: - O Sr. Deputado não vê televisão? O Sr. Deputado não lê os jornais? O Sr. Deputado considera que, na Assembleia da República, perante a gravidade destes factos, devíamos "meter a cabeça na areia" - visto ter-se tratado de um "arrastão" ocorrido numa praia deste país?
O Sr. Deputado sabe que o nosso sentido de responsabilidade, quanto mais não seja, não nos permitiria, perante este facto concreto, perante o que está em causa, perante as implicações para a segurança dos cidadãos e para o turismo em Portugal, deixar de reclamar já iniciativas por parte do Governo, enquanto estamos em tempo, para que, daqui a uns anos, não tenhamos de dizer, como no Brasil, que já nada podemos fazer e que não há forma alguma de combater este tipo de criminalidade.
O Sr. Deputado devia dar graças por termos desencadeado esta discussão na Assembleia da República e por, responsavelmente, numa lógica de Estado, querermos, junto do Governo, trabalhar nesse sentido.

Vozes do CDS-PP: - Muito bem!

O Orador: - Se tivesse tido um bocadinho de atenção e, até, de sentido de justiça, verificaria que o meu primeiro elogio foi para a declaração do Sr. Ministro da Administração Interna…

Vozes do CDS-PP: - Não ouviu!

O Orador: - … pela acção que disse que teria, nomeadamente em termos de videovigilância, nas praias portuguesas. Obviamente que, como reverso da medalha, também falei da declaração do Sr. Secretário de Estado do Turismo. Portanto, o Sr. Deputado podia tratar desta matéria com outro tipo de isenção e de imparcialidade.
Quando o Sr. Deputado estava a falar, lembrei-me de um artigo que li no Público, escrito precisamente por um socialista, António Barreto,...

Vozes do PS: - Socialista?...

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