O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

22 | I Série - Número: 043 | 9 de Abril de 2010

mercado de trabalho, seja através da prestação de serviços em instituições de solidariedade social, seja em autarquias, de forma a tornar-se útil ao País, sentindo realização.
Senão vejamos. Em sede de Orçamento do Estado para 2010 está prevista uma redução da despesa com o rendimento social de inserção em 2,5% relativamente a 2009. Contudo, em sede de execução orçamental, só nos meses de Janeiro e Fevereiro do corrente ano, a despesa aumentou em relação ao período homólogo 21,5% e 18,1%, respectivamente.
Perante estes factos, gostaria de lhe fazer várias perguntas, Sr.ª Ministra.
Considera, efectivamente, que as medidas adoptadas de combate à pobreza e à exclusão social e as consequentes verbas dispendidas foram devidamente aplicadas e ajudaram a combater o flagelo da pobreza?

Vozes do PSD: — Muito bem!

A Sr.ª Maria das Mercês Soares (PSD): — Admite a Sr.ª Ministra que o facto de a economia não estar a gerar novos empregos e de muitos desempregados já terem terminado o seu subsídio de desemprego ou estarem em vias de o terminar a curto prazo irá conduzir a uma situação muito grave e que em muito irá contribuir para o aumento da pobreza? Como explica o aumento cada vez mais significativo de pessoas que se dirigem ao Banco Alimentar contra a Fome e às IPSS para pedirem os alimentos que necessitam para o seu sustento e das suas famílias? Como explica о aumento do número de pessoas que vivem nas ruas numa pobreza extrema e a quem o apoio em alimentos e agasalhos chega apenas através da acção voluntária de muitos homens e mulheres de boa vontade? O elevado número de pessoas que se encontram na situação de pobreza e de exclusão social e os muito mais que se encontram no seu limiar demonstram cabalmente que as medidas adoptadas pelo Governo não foram capazes de reverter o ciclo de pobreza, como ainda permitiram que esta continue a aumentar e a retirar a cada pessoa que fica nessa situação.
Mais do que comemorar o Ano Europeu do Combate à Pobreza e à Exclusão Social com grandes cerimónias e discursos elaborados impõe-se agir e adoptar as medidas correctas que ajudem as pessoas a recuperarem, pelo menos, as condições necessárias para poderem viver com dignidade e, sempre que tal seja possível, contribuindo para o desenvolvimento do nosso País e para a construção de uma sociedade assente numa maior justiça social.

Aplausos do PSD.

O Sr. Presidente: — Tem a palavra o Sr. Deputado Pedro Mota Soares.

O Sr. Pedro Mota Soares (CDS-PP): — Sr. Presidente, Srs. Membros do Governo, Sr.as e Srs. Deputados, ainda bem que o CDS, em sede de Orçamento do Estado, apresentou nesta Câmara uma iniciativa que foi aprovada com os votos de todos os grupos parlamentares, excepto, curiosamente, o voto do Partido Socialista, a qual não permitia que em 2010 se atribuíssem bónus aos gestores das empresas públicas, das empresas participadas pelo Estado. Fizemo-lo em nome do seguinte princípio: quando o Estado exige sacrifícios a todos os portugueses não pode exigir mais sacrifícios a uns do que exige a outros.

Vozes do CDS-PP: — Muito bem!

O Sr. Pedro Mota Soares (CDS-PP): — É por isso fundamental que o próprio Estado, na sua esfera, dê o exemplo, marque a liderança pelo exemplo.
Curiosamente, o Grupo Parlamentar do Partido Socialista, que votou contra, foi o mesmo que, passados alguns dias, quando o Governo propôs esta medida, até veio aplaudi-la.
Mas o que é essencial para nós é que o Governo, quando pede sacrifícios muito duros aos portugueses, não pode ao mesmo tempo ter ao seu lado outros portugueses para quem, pelos vistos, os sacrifícios não são tão duros.

Páginas Relacionadas
Página 0057:
57 | I Série - Número: 043 | 9 de Abril de 2010 O Sr. Presidente: — Tem a palavra o Sr. Dep
Pág.Página 57