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30 | I Série - Número: 051 | 30 de Abril de 2010

saiu dessa reunião: os desempregados que paguem a crise. Foi esse o sinal deste bloco central renascido e
revigorado.

A Sr.ª Mariana Aiveca (BE): — Muito bem!

O Sr. José Manuel Pureza (BE): — Com o desemprego a subir a cada mês que passa e quando, de
acordo com os números do Instituto Nacional de Estatística (INE), apenas 42 em cada 100 desempregados
recebe o subsídio de desemprego, deixando 435 000 cidadãos sem qualquer apoio social, o PS e o PSD
encontraram o que consideram ser a tábua de salvação do País: retirar ainda mais apoios aos mais
necessitados.
O mesmo Passos Coelho, que há cerca de um mês queria chumbar o PEC, mostra agora o seu apoio
incondicional às piores medidas do Governo e até defende que sejam antecipadas.
O bloco central sempre esteve lado a lado na penalização dos suspeitos do costume; o bloco central
abraçou-se ontem para responsabilizar os desempregados pela crise.
Como tem acontecido nos últimos anos, a receita do bloco central é a receita certa para o desastre que nos
tem condenado a uma década de retrocesso económico. Dez anos a divergir da economia europeia; é este o
saldo das políticas que ontem foram formalizadas com um aperto de mão para aparecer na fotografia.
Mas o problema português não é só a dívida ou o défice. A Bélgica, a Itália e até a França têm dívidas
muito superiores às nossas e os défices inglês ou irlandês estão cinco pontos acima do nosso. Não, Sr.as e
Srs. Deputados! O problema número um da nossa economia é a estagnação económica e o desemprego.

Vozes do BE: — Muito bem!

O Sr. José Manuel Pureza (BE): — Na última década, afastámo-nos, sempre, dos restantes países
europeus e o País cresceu, à média medíocre, de 0,7% ao ano. O produto do País está, hoje, no mesmo nível
que em 2005.
É essa incapacidade da economia nacional em criar emprego e gerar crescimento económico que a torna
apetecível para os especuladores internacionais.
Os especuladores fazem sempre — por paradoxal que isto possa parecer — movimentos previsíveis: eles
atacam — sempre! — nas margens de incerteza que a regulação lhes faculta.
O seu espaço é aquele espaço que lhes é facultado por uma Europa que desmente, categoricamente,
todos aqueles que propagandearam que, agora, é que vinha aí «a Europa a uma só voz»!

Aplausos do BE.

Há sete meses que os governos da União discutem o que fazer com o problema da economia grega! Há
quatro meses que é uma «bomba-relógio», pronta a espoletar uma crise, que se arrisca a alastrar a toda a
Europa! E, como se não fossem suficientes os meses e meses de ziguezagues da União — sem encontrar,
nunca, os mecanismos de solidariedade que se exigiam, desde o princípio, para defender os países atacados
pela especulação e, com isso, defender o euro —, a Chanceler Merkel, ontem, «atirou gasolina para cima da
fogueira», afirmando, sobranceiramente, que a Grécia nunca deveria ter entrado para o euro.
Nenhuma mistificação, a este respeito, é admissível! Hoje, por hoje, nenhum país da União, repito, nenhum
país da União cumpre os critérios de Maastricht para a pertença à zona euro. O que a Sr.ª Merkel disse da
Grécia vale, hoje, para todos os Estados membros, incluindo a Alemanha.
A tibieza das políticas e o provincianismo dos interesses são o que verdadeiramente promove o «vírus
ébola» da especulação financeira. Esta Europa dos gestores «contentinhos» dos mercados mostrou, uma vez
mais, o que vale, e os especuladores agradecem!
O que uma Europa à altura dos desafios do nosso tempo não poderia deixar de ter dito, com voz única e
forte, era que um ataque a um País membro do euro é sempre, em todas as circunstâncias, um ataque a todos
os membros da União.

Vozes do BE: — Muito bem!

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