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52 | I Série - Número: 051 | 30 de Abril de 2010

Não é possível ser contra a Europa e vir aqui pedir mais Europa; não é possível, como faz o CDS hoje, não
ter contribuído activamente para este Programa e vir aqui tardiamente a este debate.

Aplausos do PS.

O Sr. Bernardino Soares (PCP): — Só acompanham os especuladores. Esses acompanham!

O Sr. Presidente (José Vera Jardim): — Para uma intervenção, tem a palavra o Sr. Deputado Duarte
Pacheco.

O Sr. Duarte Pacheco (PSD): — Sr. Presidente, Sr. Ministro dos Assuntos Parlamentares, Sr.as e Srs.
Deputados: O País está a viver um momento difícil e, perante esta realidade, o PSD manifestou, como é
natural, que estaria sempre ao lado de Portugal.
Mas é necessário fazer aqui dois comentários às questões que o Sr. Ministro aqui nos colocou.

O Sr. Honório Novo (PCP): — Ainda bem!

O Sr. Duarte Pacheco (PSD): — Em primeiro lugar, temos de perguntar se tudo o que tem acontecido nos
últimos dias, nomeadamente no campo externo, sobre a economia portuguesa não mostra também a
vulnerabilidade e a fraqueza da nossa economia. Se estivéssemos fortes, se não tivéssemos o nível de
endividamento que temos, se não tivéssemos o desequilíbrio das contas públicas que temos, os ataques não
tinham tido a força que tiveram.

O Sr. Miguel Frasquilho (PSD): — Muito bem!

O Sr. Duarte Pacheco (PSD): — Portanto, não vale a pena querer só apontar sempre responsabilidades
para terceiros dizendo que são responsabilidades decorrentes da crise internacional, que são, agora,
responsabilidades decorrentes da conspiração internacional. Só faltou dizer que também foi o vulcão islandês
o responsável pelas questões que estamos hoje aqui a sofrer!
Sr. Ministro, nós não podemos branquear aquilo que tem acontecido nos últimos anos e que agora ficou
bem mais exposto pelo ataque especulativo que também foi feito sobre o nosso País.
Em segundo lugar, não podemos ter aqui um estado de negação, temos de ter um estado de determinação.
E o estado de determinação consubstancia-se em reconhecer a realidade e em estar disponível para fazer
mais e com mais firmeza para resolver os problemas.
Ora, aquilo que aqui ouvimos hoje por parte do Governo foi, muito simplesmente isto: estamos disponíveis
para concretizar algumas das medidas do PEC na área fiscal e nas áreas sociais; vamos cortar nas despesas
sociais; já sabíamos que tínhamos salários congelados; estamos a ir mais longe em cortes nas áreas sociais,
mas nos megainvestimentos é que não cortamos.
Esta teimosia, Sr. Ministro, é inaceitável. Repito, esta teimosia é inaceitável, Sr. Ministro. É impossível
estarmos a pedir tantos sacrifícios aos portugueses, dizer às famílias que vão ter de pagar mais impostos, que
não vão ter salários aumentados, que as prestações sociais vão diminuir, mas no TGV não se pode mexer.
Sr. Ministro, tem de haver exemplos que vêm de cima e aquilo em que estamos dispostos a participar é
num esforço nacional, em que tem de haver repartição de sacrifícios e, por isso, há projectos que têm de ser
adiados. Há projectos que têm de ser adiados, porque não há dinheiro nesta situação calamitosa em que nos
encontramos.
O Sr. Ministro pode dizer-nos que os encargos são para o futuro, mas nós esperamos estar cá no futuro,
esperamos não morrer todos antes de 2013 ou de 2014!
Para além disso, mesmo nesta fase, esses investimentos obrigam ao financiamento bancário e, num
momento em que vai haver uma grande dificuldade de acesso ao crédito, são as famílias e as empresas que
vão sofrer, se esses investimentos forem para a frente.

Vozes do PSD: — Muito bem!

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