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69 | I Série - Número: 062 | 28 de Maio de 2010

O Sr. Luís Marques Guedes (PSD): — E, quando se opta por viver junto, é precisamente porque não se quer, conscientemente, arcar com os direitos e as obrigações que o casamento implica? Com os compromissos e as implicações que este passo comporta? E que essa escolha, livre, é um direito cuja supressão mexe com o bem-estar e com a felicidade de cada um? Dão-se os senhores conta de que essa intrusão é uma violência sem sentido nos projectos de vida das pessoas?

Vozes do PSD: — Muito bem!

O Sr. Luís Marques Guedes (PSD): — Com esta iniciativa, os senhores condenam as pessoas que não querem casar a terem de viver sozinhas ou a vaguear de relação em relação, sempre com prazo apertado.

Aplausos do PSD e do CDS-PP.

A Sr.ª Ana Catarina Mendonça (PS): — Essa agora!»

A Sr.ª Helena Pinto (BE): — É uma vergonha!

O Sr. Luís Marques Guedes (PSD): — Sim, prazo apertado, porque, ao menor descuido, esgota-se o prazo de 2 anos e lá vem a factura do Estado a pagar pela ousadia. E não venham com o argumento, falso, de que só querem assegurar direitos de protecção social a estas relações, porque esses direitos — e os Srs. Deputados sabem-no bem — já existem, já estão mais do que satisfatoriamente consagrados em lei.

A Sr.ª Helena Pinto (BE): — Ah»! Está tudo dito!

O Sr. Luís Marques Guedes (PSD): — O que os senhores fazem é acabar com o direito de cada um a escolher livremente a relação amorosa e o estatuto a que se quer vincular.
Perante cada português, os vossos projectos colocam o seguinte diktat: queres ter uma relação estável? Então, ficas amarrado a este catálogo de direitos e obrigações! Ai daqueles que só queiram namorar, que só queiram viver juntos,»

O Sr. António Filipe (PCP): — Que só queiram dançar o tango!

O Sr. Luís Marques Guedes (PSD): — » partilhar afectos sem compromissos nem complicações.
Para os senhores, isto são sentimentos atrasados, conservadores, que a modernidade socialista vai, finalmente, erradicar da nossa sociedade.

Vozes do PSD: — Muito bem!

O Sr. Luís Marques Guedes (PSD): — A dúvida que me assalta, Srs. Deputados, é qual será a fractura que a seguir vão escolher. Talvez uma lei do namoro para regular a devolução de presentes, o reembolso de encargos com férias em conjunto ou das despesas em jantares e hotéis partilhados.

Vozes do PSD: — Muito bem!

O Sr. Luís Marques Guedes (PSD): — Não será a vitória do materialismo dialéctico. Será, antes, o triunfo do materialismo diabólico, de tudo querer controlar e regular na vida das pessoas.

Vozes do PSD: — Muito bem!

O Sr. Luís Marques Guedes (PSD): — Sr. Presidente e Sr.as e Srs. Deputados, aos autores deste enorme disparate deixo, aqui, a minha revolta: parem de dar cabo da vida às pessoas!

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