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37 | I Série - Número: 064 | 4 de Junho de 2010

Vozes do CDS-PP: — Muito bem!

O Sr. Abel Baptista (CDS-PP): — Evidentemente que essa não é, com certeza, a solução.
Dizia há pouco, em aparte, um Deputado do Partido Socialista (não o Deputado Miguel Freitas), que o problema é o de que os agricultores não se vão candidatar. Mas como é que eles se podem candidatar se a verba que eles têm de pôr é de cerca de 60% da candidatura e eles não têm dinheiro, nem a banca lhes pode emprestar? Para que é que vão perder tempo a candidatar-se a uma coisa destas?! Ou isto se altera ou vamos continuar a perder muito dinheiro comunitário em prejuízo dos agricultores portugueses, da economia nacional! O dinheiro da agricultura não fica no bolso do agricultor. Quando o agricultor tem apoios é para investir junto dos fornecedores de máquinas, de equipamentos, da construção de civil, na sua exploração. É aí que fica o dinheiro, não é no bolso do agricultor!! Trata-se apenas de uma forma de o agricultor poder continuar a fazer da agricultura um modo de vida e uma fonte de rendimento.

Aplausos do CDS-PP.

O Sr. Presidente (Luís Fazenda): — Para uma declaração política, tem a palavra o Sr. Deputado Nuno Encarnação.

O Sr. Nuno Encarnação (PSD): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: Um título sugestivo prendeu a minha atenção: «Se não tivesse subido aos palcos, a política era mais difícil.» Estas são palavras da Sr.ª Ministra da Cultura. Ou seja: trata-se de procurar ver a política através da experiência interpretativa, de imaginar a política um palco maior e de governar para o aplauso.
É certo, cada vez mais certo, que se compreende esta frase como um entusiasmo momentâneo de uma artista, que se descobre governante e condescende com a facilidade relativa.
Num segundo, o poder do imaginário conquista o imaginário do poder. Restará viver a política como sinfonia e o Governo como um nocturno breve.
E pensei, então, numa frase terrível de Eduardo Lourenço, que dizia: «A verdadeira ameaça contida na actual apoteose do cultural é a que se esconde na mais ou menos subordinação do cultural ao político (») no sentido Soft Democrático, da gestão e vivência cultural como máscara, apenas disfarçada da mais trivial vontade de poderio.».
Talvez, na nossa insatisfação, corramos o risco de algum exagero, mas o facto é que esta experiência nova, acumulada com várias outras que a antecederam, não augura nada de bom.
As experiências socialistas brindaram-nos, até agora, com excursões por várias visões da cultura: a universitária, a diletante, a artística. Podia, ao menos, uma delas ter conseguido sucesso, mas nem uma! Esta é a última, o fim da linha! O ministro anterior, quando se apresentou, anunciou que ia fazer mais com menos dinheiro; a Ministra actual afirma, agora, que será melhor apoiar menos projectos com mais dinheiro. O dinheiro, sempre o vil metal!...

O Sr. Pedro Duarte (PSD): — Bem lembrado!

O Sr. Nuno Encarnação (PSD): — E eis que se anunciou um orçamento com subida, justamente num país em descida. Azar dos Távoras!» Ora, a principal questão é outra: qual é o lugar da cultura em Portugal? Quais são os seus principais desafios? Que noção de prioridade temos dela? Um país que não elege a cultura como prioridade é um país que, a prazo, perde a sua identidade e a sua ambição.

Aplausos do PSD.

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