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I SÉRIE — NÚMERO 6

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Mas, pior do que isso, um estudo prospectivo realizado pelas Nações Unidas apresentou o seguinte

cenário para o povoamento de Portugal: «Em 2030 (daqui a 19 anos), prevê-se que 80% da população estará

concentrada nas áreas da Grande Lisboa e do Grande Porto. (…) Só 8% da população viverá em cidades

médias e só 12% resistirá em todo o interior».

Não é preciso ter dotes de adivinhação para se concluir que, lá para 2050 ou 2060, o interior do País será

um manto de ruínas, onde nada mexerá e onde tudo repousará, numa vil e silenciosa tristeza.

Ao invés, os grandes centros vão-se massificando e afundando para níveis incomportáveis.

Não tardará o momento em que o percurso de carro Cascais/Lisboa ou Gaia/Porto (só para falar de dois

exemplos expressivos nas maiores áreas metropolitanas do País) leve mais tempo do que o mesmo percurso,

no início do século, com transporte a cavalo.

Não tardará o momento em que os números da criminalidade (hoje já de 65% do total do País na Área

Metropolitana de Lisboa e de 27% na Área Metropolitana do Porto) atinjam dimensões incontroláveis.

Não tardará o momento em que todos tenhamos de nos resignar, perante as sucessivas políticas de razia

da coesão territorial, sustentadas no centralismo e no reiterado abandono do interior por parte do Estado

central.

Também não tardará o momento em que deixemos de ter argumentos para defender uma União Europeia

solidária e com desenvolvimento equilibrado no todo europeu,…

O Sr. Bernardino Soares (PCP): — É já a seguir!…

O Sr. Carlos Peixoto (PSD): — … quando somos nós próprios, na nossa casa, que criamos um fosso cada

vez maior e mais insuportável entre um litoral com potencialidades e um interior com fragilidades de toda a

ordem.

Aplausos do PSD e de Deputados do CDS-PP.

É, pois, tempo de pormos os olhos em estados com a nossa dimensão, mas com uma competitividade

manifestamente superior.

A Holanda, a Suíça, a República Checa não têm uma única cidade com a dimensão dos pólos urbanos das

duas maiores cidades portuguesas.

Outras experiências de países desenvolvidos do centro e do norte da Europa dizem-nos que Portugal está

a divergir e a seguir rotas contrárias.

O caminho para acabar com esta «sangria» passa, pois, pela procura da promoção mais equilibrada do

nosso País e por um melhor aproveitamento dos centros urbanos de média e mesmo pequena dimensão.

É obviamente fulcral para o País que Lisboa, Porto e outras zonas do litoral se mantenham em proporções

razoáveis, continuando a assumir-se como os maiores mercados consumidores e produtores nacionais. As

nossas grandes cidades têm de continuar fortes e competitivas.

Mas é também premente e patriótico que o resto do País deixe de ser, como diz o adágio, ainda que

metaforicamente, apenas paisagem.

O PSD sabe que este Governo terá engenho suficiente e, sobretudo, coragem para inverter a trajectória do

despovoamento e da desertificação do Portugal mais profundo.

Aplausos do PSD e de Deputados do CDS-PP.

É tempo de esta questão passar a fazer parte do discurso e da prática política. No início desta nova

Legislatura, há que dar um sinal vital de que assim será.

Por isso, o PSD irá propor um amplo debate, no seio do Parlamento e fora dele, sobre este tema da

interioridade, com a audição de entidades públicas, de organismos e de personalidades da sociedade civil,

capazes de dar os seus contributos em prol deste combate que o País não pode deixar de travar.

A Sr.ª Presidente: — Sr. Deputado, queira terminar.

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