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22 DE JULHO DE 2011

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Finalmente, o Sr. Deputado referiu-se às auto-estradas que o Governo do Partido Socialista fez. De facto,

eu não queria mesmo discutir o passado, porque estamos numa nova era da política. A política de «roupa

velha» já lá vai, deixem lá o passado! Se fossemos falar do passado, o Sr. Deputado tinha de reconhecer que

foi o Governo do Partido Socialista que encerrou a maior parte dos centros de saúde e das maternidades

deste País!

Aplausos do PSD e do CDS-PP.

Sabe qual foi o resultado dessa política frondosa do Partido Socialista, em nome do interior? Foi este que

se vê! Sr. Deputado, leia o Censos, para não vir atirar culpas para o PSD e para fazer um acto de contrição e

perceber que, nesta questão, o PS foi o principal «coveiro» do interior do País.

Era isto que queria dizer-lhe, Sr. Deputado.

Aplausos do PSD.

Estava à espera, sinceramente, que o Partido Socialista se solidarizasse neste combate, que é um

combate que tem de começar por aqui, porque esta Casa é o cerne, o epicentro da discussão política e da

democracia, para depois sensibilizar algumas consciências e poder obter frutos, seja aqui seja em sede de

Governo, para minimizar esta questão da interioridade.

Aplausos do PSD e do CDS-PP.

O Sr. Presidente (Ferro Rodrigues): — Para uma declaração política, tem a palavra o Sr. Deputado Carlos

Zorrinho.

O Sr. Carlos Zorrinho (PS): — Sr. Presidente, Sr.as

e Srs. Deputados: Decorre hoje, em Bruxelas, uma

cimeira extraordinária do Eurogrupo. Vivemos tempos extraordinários e exigentes, o projecto europeu, como

todos sabemos, corre riscos inusitados. Este é, por isso, um tempo para a política e para os políticos, para as

escolhas claras e para as acções firmes.

O modelo de asfixia das economias periféricas falhou como solução para a crise das dívidas soberanas e

ameaça agora contaminar todo o espaço europeu. São hoje muitas e insuspeitas as vozes que exigem um

crescimento inteligente, em vez da cedência passiva à pressão desregulada dos mercados.

Helmut Kohl, o grande chanceler democrata-cristão da reunificação e do novo impulso para o projecto

europeu, queixou-se amargamente de que estavam a destruir a sua Europa. Estão a destruir a Europa de

Kohl, de Mitterand, de Delors, de Soares e de Filipe Gonzalez. Estão a destruir a Europa de nós todos. E não

podemos ser cúmplices nesse processo.

Não podemos ser cúmplices, temos de ser firmes no forte consenso europeu que tem caracterizado a

democracia portuguesa. Mas esse consenso exige uma partilha de responsabilidades e uma clareza na

análise.

A coligação de Governo em funções omitiu no seu Programa qualquer visão sobre a participação de

Portugal no contexto da União ou qualquer visão sobre o futuro do projecto europeu. Limitou-se a um exercício

de corte e colagem sobre o Memorando assinado com a tróica, ameaçando ir além dele, e os portugueses

começam hoje a perceber o que significa ir para além da tróica.

Ao arrepio de todas as recomendações e alertas, a primeira medida deste Governo foi a imposição de um

imposto extraordinário fortemente recessivo. A espiral é conhecida: mais recessão, menos receita, mais défice

estimado, novas exigências de austeridade.

O Sr. Mota Andrade (PS): — Muito bem!

O Sr. Carlos Zorrinho (PS): — Repito: mais recessão, menos receita, mais défice estimado, mais e novas

exigências de austeridade!

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